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Correio Braziliense

Conheça novidades tecnológicas que otimizam o campo da medicina

Atendimentos a distância feitos com holografia e diagnósticos a partir de dados guardados no smartphone são algumas das soluções tecnológicas


postado em 15/01/2018 06:00 / atualizado em 15/01/2018 00:14

Além da holografia, a inteligência artificial começa a chegar aos hospitais(foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)
Além da holografia, a inteligência artificial começa a chegar aos hospitais (foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)
A tecnologia e a medicina parecem ter se tornado indissociáveis. Usamos máquinas de raios-X, de tomografia computadorizada, as que destrincham a composição do sangue e outra diversidade de equipamentos para detectar e tratar doenças que não podem ser descobertas apenas pelas mãos ou pelos olhos de médicos e outros especialistas. Fora de hospitais e laboratórios, temos marca-passos, medidores de insulina, aparelhos de pressão, entre outros equipamentos que ajudam no acompanhamento de doenças crônicas. É seguro dizer que a tecnologia deu ferramentas para a garantia de melhores condições de vida à população. E de forma cada vez mais rápida.

Em poucos anos, o que é novidade passa a ser usado em larga escala e o que está em desenvolvimento começa a aparecer nas prateleiras. Para 2018, as previsões são de que cheguem ao mercado soluções inovadoras e até com um formato futurista. Médicos pretendem, por exemplo, disseminar os recursos da holografia para atender e acompanhar pacientes que moram longe dos grandes centros urbanos. O projeto Telessaúde, da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, vai inaugurar dois centros de saúde que utilizam imagens holográficas para auxiliar médicos de regiões remotas a fazer diagnósticos.

“A concepção é de que, por meio da holografia, um médico experiente, ou a junta de especialistas de um hospital, auxilie um profissional com menos experiência que esteja em uma área remota”, resume Julio Cesar Dal Bello, professor-orientador do projeto, fruto de uma parceria com o Exército e a Marinha. Segundo Dal Bello, um Centro de Saúde Holográfico (CSH) será capaz de atender a muitos outros consultórios espalhados pelo país, principalmente na região amazônica.

A estrutura para o atendimento local é simples: câmeras e computadores que enviem a imagem do paciente em tempo real. “Uma tela flexível e transparente no meio da sala do CSH projeta uma imagem do paciente em tamanho real e em três dimensões. Para os presentes, não é possível ver a tela, apenas o paciente, como se ele fosse teletransportado para o local”, resume Dal Bello.

Diante da imagem 3D construída por registro de padrões de interferência de luz, os médicos trabalharão juntos. “Imagine uma pessoa com uma doença desconhecida e um profissional local que não tenha conhecimento suficiente para medicá-la. Agora, imagine a quantidade de especialistas que existem em um hospital. Basta mobilizar um deles para o Centro de Saúde Holográfico para que interaja com o colega que está distante”, ilustra o professor.

A fim de testar a tecnologia, um CSH-piloto foi instalado no Centro de Referência em Atenção à Saúde do Idoso da UFF e surtiu resultados animadores. No início deste ano, serão inauguradas duas unidades para o atendimento ao público no Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro, e no Hospital Universitário Antônio Pedro,  em Niterói. “Esse é o objetivo da tecnologia: o atendimento de massa”, ressalta Dal Bello.

Na UTI

Além da holografia, outros desenvolvimentos recentes, como a inteligência artificial, começam a chegar aos hospitais. “Temos a utilização desse tipo de técnica para melhorar os resultados em UTIs”, afirma Fabrício Campolina, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde, a Abimed. “Ela é capaz de predizer quando um paciente pode entrar em óbito, e a equipe médica redobra a atenção, podendo salvar vidas.”
 
Nas salas de cirurgia, uma combinação de diversas tecnologias promete se tornar trivial. “Um destaque, algo que eu acho que vai ser revolucionário nos próximos anos, é a cirurgia digital”, afirma Campolina. “Temos braços robóticos auxiliados por toda essa tecnologia: Big Data, nuvem, inteligência artificial, realidade virtual.  Você tem programas, por exemplo, que destacam as veias do paciente durante a cirurgia”, ilustra.

No bolso

Com proporções menores, mas não menos revolucionários, os celulares que levamos no bolso também devem se transformar em poderosos aparelhos da medicina. Entre as vantagens trazidas pela integração com os smartphones, estão o acesso a equipamentos de monitoramento mais baratos, a facilidade no uso e a comunicação rápida com o médico.

“O celular é uma parte central da forma de comunicar das pessoas hoje. As soluções mais simples, do ponto de vista do alcance, usarão o celular como plataforma de interface. Essa geração integrada de aparelhos de medição já pode vir a partir deste ano”, prevê Guilherme Rabello, gerente comercial do Núcleo de Projetos do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Por estar mais próximo dos pacientes, esse sistema diminui um dos principais problemas na adoção de novas tecnologias: o engajamento do público. A tecnologia está pronta. O desafio, agora, é integrá-las ao sistema de saúde existente e fazer com que médicos, pacientes, hospitais e governantes trabalhem juntos para colher seus benefícios. “Estamos olhando para várias coisas que estão bem próximas do uso real. No período mais próximo, temos a nova geração de aparelhos de medição doméstica vinculados à internet das coisas. Eles fazem leituras dos dados e têm um sistema de nuvem”, diz Rabello.

Câncer e parasitas flagrados no celular

A expectativa é de que os celulares ajudem principalmente no diagnóstico de problemas de saúde. O projeto CellScope, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, faz com que os smartphones consigam identificar a presença de parasitas no sangue, tuberculose e até células cancerígenas. A solução usa um dispositivo externo e softwares específicos para transformar a câmera de um celular comum em um microscópio para a detecção de doenças.

Uma série de pesquisas, publicadas em revistas científicas, detalha a eficácia da ferramenta tecnológica. A mais recente, divulgada em novembro do ano passado, na revista The New England Journal of Medicine, mostra como o smartphone pode ser útil para detectar, em amostras de sangue, o parasita Loa loa, causador da oncocercose, doença encontrada em países tropicais da África e da América do Sul, que pode levar à cegueira.
 
Guilherme Rabello, gerente comercial do Núcleo de Projetos do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, ressalta que o fato de os smartphones já estarem integrados à rotina das pessoas pode amenizar dúvidas quanto à segurança da nova utilidade. “Novas tecnologias usam uma plataforma de smartphones que as pessoas já têm. Isso começa a ser viável agora, as pessoas estão começando a ficar mais habilitadas para usá-las”, complementa.

Barreiras

O custo inicial das novas tecnologias, porém, pode ser um empecilho. Mas, segundo Fabrício Campolina, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed), o investimento acaba trazendo muitos benefícios a longo prazo e pode até diminuir os gastos com a saúde. “Tipicamente, um dos desafios é aplicar a tecnologia rapidamente e com custos viáveis. Você acaba tendo um custo muito alto no início, mas, hoje em dia, o gasto com a saúde é de cerca de 9,5% do PIB do Brasil. Com a população ficando mais idosa e com mais doenças crônicas, até 2030, esse gasto deve ser de mais de 25% do PIB, o que não é sustentável. O único caminho viável é a adoção massiva de novas tecnologias”, defende.
 
Para o presidente da Abimed, além de estratégico, o uso desses recursos está se tornando inevitável. “Estamos vivendo a quarta revolução industrial, e ela chega agora para a saúde. É inevitável que essas tecnologias cheguem por aqui. A grande pergunta é o tempo que vai levar para termos acesso a elas, principalmente a população sem tantos recursos”, justifica. (VC)

*Estagiário sob a supervisão da subeditora Carmen Souza

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