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Correio Braziliense

Parlamentares de 8 países questionam Facebook sobre propagação de fake news

Audiência debateu sobre o impacto da circulação de notícias falsas em redes sociais e possíveis ações de empresas e governos para coibir a prática


postado em 27/11/2018 20:19 / atualizado em 27/11/2018 20:23

(foto: Joel Saget/AFP)
(foto: Joel Saget/AFP)

O Facebook tem sido alvo de cobranças internacionais devido ao uso do WhatsApp, aplicativo de mensagens da empresa, para fins políticos e da disseminação de notícias falsas por esse meio. Uma semana após o candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) ter afirmado que o partido pretende entrar com uma ação judicial contra a empresa nos Estados Unidos, o tema fake news e desinformação reuniu representantes de oito países na Câmara dos Comuns, em Londres, nesta terça-feira (27/11).

O objetivo da audiência foi debater o impacto da circulação de notícias falsas em redes sociais e cobrar ações de empresas e governos para coibir esse tipo de prática -- que, na opinião dos envolvidos no encontro, tem prejudicado o exercício da democracia em várias nações, inclusive no Brasil. Participaram parlamentares da Argentina, da Bélgica, do Brasil, do Canadá, da França, da Irlanda, da Letônia, de Singapura e do Reino Unido.

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) representou o parlamento brasileiro na reunião, que terminou com a assinatura de um termo pelos países. "Uma espécie de aliança selada entre os parlamentares para enfrentar esse tema e reforçar a importância de uma ação internacional sobre isso", explicou Molon. "Foi dado um primeiro passo", considerou.

Sabatina

A previsão era de que o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, participasse da reunião para ser sabatinado sobre o assunto, mas enviou, pela segunda vez, um substituto: Richard Allan, vice-presidente de soluções políticas da empresa. "Foi uma reunião tensa. Houve uma enorme queixa pela ausência do Zuckerberg, que enviou o vice para prestar esclarecimentos", comentou Molon, em entrevista coletiva após a reunião. Apesar do contratempo, o deputado considerou a reunião "interessante" e um pontapé inicial para discussão do assunto a nível internacional.

A sabatina foi liderada pelo Comitê de Assuntos Digitais, Cultura, Mídia e Esportes do governo britânico (DCMS, na sigla em inglês). O Facebook é acusado de se envolver em diversas situações com uso de notícias falsas desde 2016, nas eleições americanas. No Brasil, entrou no radar devido ao uso do WhatsApp para caluniar o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.

"Houve uma pressão muito grande sobre o Facebook, de todos os países que estavam participando, em dois focos: privacidade de proteção de dados, em geral, e mau uso comercial desses dados. E outro foco foi eleições", disse Molon. Os parlamentares, segundo ele, mostraram preocupação com o mau uso das redes para influenciar eleições e divulgar notícias falsas para produzir determinados resultados.

Questionado por representantes de vários países, inclusive pelo brasileiro, sobre a atuação contra a disseminação de notícias falsas, Allan admitiu que é preciso dar mais atenção ao uso do aplicativo como ferramenta de propaganda política. "É particularmente relevante em países como Brasil e Índia, e acho que precisamos de uma discussão aberta com legisladores sobre isso", afirmou.

As respostas foram consideradas "evasivas" pelo deputado brasileiro. "Muitas questões ficaram em aberto", observou Molon. A empresa, segundo ele, diz trabalhar para encontrar soluções e ter a intenção de não permitir que esse tipo de problema ocorresse novamente, "mas trouxe poucas respostas concretas". Para o deputado,  ficou uma sensação de que ainda tem muito trabalho a fazer pela frente para lidar com esse tema".

Molon garantiu que o encontro de terça-feira é apenas o primeiro de uma série de ações internacionais. A ideia é atrair outros países para que o assunto seja aprofundado. "Buscar soluções para a desinformação e para as notícias falsas não é tarefa apenas de um dos lados, o do governo, mas de todos os lados e atores envolvidos. As empresas de aplicações e redes sociais também precisam assumir sua responsabilidade neste cenário", disse.

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