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Correio Braziliense

Carregador sem fio é aposta para aumentar adesão a carros elétricos

Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram dispositivo que também pode ser usado em drones e robôs. Cientistas destacam que a transmissão de energia é feita em poucos milissegundos e não apresenta riscos à saúde


postado em 18/05/2020 06:00 / atualizado em 18/05/2020 06:46

(foto: Vinny C./CB/D.A Press)
(foto: Vinny C./CB/D.A Press)
Os carros elétricos geram uma série de benefícios ao meio ambiente, mas ainda não se popularizaram. Um dos motivos é a falta, em muitas cidades, de pontos de recarga para abastecer os veículos. Para ajudar a resolver esse problema e tornar mais prático e acessível o uso desses automóveis, cientistas americanos desenvolveram um carregador sem fio, que também pode alimentar drones e robôs. Apresentada na última edição da revista Nature Eletronics, a tecnologia pode, futuramente, permitir que os veículos recebam energia em movimento.

Os criadores do dispositivo contam que se inspiraram nos carregadores sem fio para smartphones, que têm se popularizado nos últimos anos. Apesar de funcionarem muito bem, eles só conseguem recarregar o telefone se estiverem parados. “Para carros, não é algo muito vantajoso, já que seria praticamente o equivalente à prática atual de conectá-los por uma ou duas horas nas estações de carregamento”, disse ao Correio Shanhui Fan, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Os cientistas explicam que os carregadores sem fio para celulares funcionam criando um campo magnético que oscila a uma frequência específica e que gera uma vibração ressonante em bobinas magnéticas dos telefones, transmitindo, assim, a eletricidade. Segundo os pesquisadores, o problema dessa tecnologia é que a frequência ressonante muda se a distância entre a fonte e o receptor aumentar.

Para resolver esse problema, a equipe incorporou ao carregador sem fio um amplificador e um resistor, que, respectivamente, aumentam e estabilizam a eletricidade. “Usamos um tipo de amplificador chamado de switch mode. Eles são exigentes e só produzem amplificação de alta eficiência sob condições muito precisas. Foram necessários anos de ajustes e trabalho teórico adicional para projetar uma configuração de circuito que funcionasse na nossa tecnologia”, detalha Fan.

Aprimoramento
O protótipo gerou resultados muito satisfatórios, na avaliação dos cientistas. A transmissão de energia sem fio para veículos elétricos levou apenas alguns milissegundos. A tecnologia conseguiu transferir 10 watts de eletricidade em um espaço de um metro, mas os pesquisadores destacam que a distância e a quantidade de energia vão aumentar com o aprimoramento do sistema. “Teremos que aumentar o poder dessa tecnologia para conseguir recarregar o carro em movimento, mas não acho que isso seja um obstáculo sério, já que conseguimos o mais difícil, montar um sistema eficiente”, explica o cientista. 

O pesquisador ressalta que a potência atual da tecnologia já permite usá-la para abastecer drones e robôs. “Para recarregar os robôs, já estamos dentro do alcance da utilidade prática. Esse é um passo significativo em direção a um sistema prático e eficiente para recarregar, sem fio, automóveis, mesmo quando eles estão se movendo em alta velocidade”, destaca Fan.

Fábio Raia, professor do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, diz acreditar que a tecnologia desenvolvida pelos cientistas americanos poderá ser muito útil caso evolua.  “Seria muito positivo o uso dessa nova ferramenta para os carros elétricos, pela praticidade e economia, por exemplo, um caminhão que não precisasse parar para abastecer entregaria a carga em menos tempo. Só que aplicar essa tecnologia em todas as estradas é algo difícil”, opina o especialista. “Seria preciso equipar todas as rodovias, o que é algo caro. Mas, é, sim, possível, sabemos que é a necessidade que coloca a ciência em movimento”, acrescenta.

Segurança
Os criadores do carregador sem fio também enfatizam, no estudo, que a tecnologia não deve representar um risco à saúde, já que os campos magnéticos criados pelo dispositivo, mesmo sendo maiores e mais potentes, estão dentro das diretrizes de segurança estabelecidas (ler Para saber mais). “Disso temos certeza”, frisa Fan.

Os cientistas ressaltam, ainda, que o uso da nova tecnologia para robôs e drones é mais imediato do que em relação aos veículos. “É bem menos dispendioso incorporar carregadores em pisos ou telhados do que em longos trechos de rodovias. Imagine um drone que poderia voar o dia inteiro, podendo descer ocasionalmente em um telhado para recargas rápidas. Isso nós já podemos fazer”, opina Fábio Raia.

Ele considera que o uso do carregador sem fio pode contribuir para mais praticidade no uso de aparelhos menores. “É uma alternativa bastante positiva para ser usada agora, e que pode evoluir ainda mais no futuro. Podemos contar, também, com a possibilidade do uso de wi-fi, outra maneira de recarregamento explorada por especialistas nessa área, que pode se encaixar muito bem para esses aparelhos menores”, completa.

Para saber mais  Sem danos com economia
A venda de carregadores sem fio para celulares fez muitas pessoas ficarem com medo de que o uso do aparelho causasse danos à saúde. Especialistas ressaltam que não existe risco algum no uso da tecnologia, já que os campos magnéticos usados para a recarga são extremamente baixos — precisariam ser muito maiores para que fossem prejudiciais ao organismo. Além disso, assinalam que as tecnologias não seriam liberadas pelas autoridades, caso fizessem algum mal, pois todos os aparelhos passam por uma série de testes antes de serem comercializados. Outros pontos positivos do uso do equipamento incluem um risco menor de explosão e também a economia no uso de cabos, que, geralmente, quebram com facilidade devido à necessidade de serem conectados constantemente nas tomadas.

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