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Correio Braziliense

FaceApp: aplicativo que muda gênero foi suspeito de usar dados ilegalmente

Em 2019, o FaceApp chegou a ser alvo de investigações do FBI em um inquérito sobre ciberespionagem


postado em 15/06/2020 17:10 / atualizado em 15/06/2020 18:42

A apresentadora Maísa Silva compartilhou o resultado do filtro do app (foto: Faceapp/reprodução)
A apresentadora Maísa Silva compartilhou o resultado do filtro do app (foto: Faceapp/reprodução)
As redes sociais ficaram tomadas por fotos de pessoas com o gênero oposto durante o fim de semana. O FaceApp, aplicativo para celular que aplica filtros em fotos, caiu novamente nas graças de famosos e anônimos, e a brincadeira chegou a ser o assunto mais comentado do Twitter.

No entanto, vale lembrar que o dispositivo já foi relacionado a muitas controvérsias no passado, quando se levantaram suspeitas sobre a obtenção indevida de dados pessoais dos usuários. Em 2019, a app chegou a ser alvo de investigações do FBI em um inquérito sobre ciberespionagem.

Na época, a criadora do FaceApp, uma empresa russa, negou o uso indevido de dados dos usuários. E as brechas contestadas pela polícia norte-americana e encontradas na política de privacidade do app continuam do mesmo jeito.

"Usamos ferramentas de estatísticas de terceiros para nos ajudar a mensurar o tráfego e as tendências de uso do Serviço. Essas ferramentas coletam informações enviadas pelo seu dispositivo ou nosso Serviço, incluindo as páginas web que você visita, add-ons e outras informações que nos ajudem a melhorar o Serviço", diz um dos trechos do termo de serviço que os usuários devem aceitar para utilizar o recurso. Na prática, isso significa que o usuário autoriza o FaceApp e empresas parceiras a coletar dados como o histórico de navegação na internet.


Termos amplos e vagos

O professor de análise e desenvolvimento de sistemas Fabrício Bortoluzzi, especialista em segurança na web, afirma que, como é comum em diversos outros apps e redes sociais, a política de privacidade do FaceApp é bastante ampla e vaga. "Ela não dá detalhamento nenhum. Apenas informa que os dados do usuário poderão ser retidos e usados para melhoria da plataforma e, certamente, o são", explica.

No entanto, a coleta de dados dos usuários pode servir a outros propósitos. "O nosso celular é cheio de sensores que podem fornecer uma série de variáveis que permitem ao aplicativo fazer uso estratégico dessas informações no futuro", completa o professor. O Facebook, por exemplo, usa metadados para direcionar propagandas aos usuários. 


Vale a pena o risco? 

Em caso de um aplicativo usar os dados de forma indevida, o internauta encontra pouca proteção legal. Nem mesmo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), promulgada pelo presidente Jair Bolsonaro, protege usuários contra apps estrangeiros, pois só é válida quando o doador e o hóspede da informação estão em território brasileiro. "Não é o caso desse aplicativo, já que ele pode ter sistema bem longe do Brasil, fazendo com que não seja possível um caminho legal útil e viável para as pessoas que se sentirem lesadas", alerta Bortoluzzi. 

A melhor forma de garantir a privacidade, segundo o especialista, é a cautela ao usar esses aplicativos. "Não se tem certeza absoluta de nada e de que a empresa se preocupará em proteger o usuário", comenta. "Apesar do lado curioso do app, na minha opinião, é preciso ponderar se vale a pena doar sua fotografia e os seus dados a uma aplicação que não tem finalidades claras", encerra. 

Três dicas para se manter seguro na internet 

1- Segurança do computador:  ter um sistema operacional original (Windows, MacOS ou Linux), atualizado e seguro é importante para manter a segurança do computador.  

2 - Antivírus em dia:
 investir em um antivírus é importante para manter os dados seguros. É preferível que seja pago, custa aproximadamente R$ 50 por ano.

3-  Conduta humana segura:
suspeite de links, mensagens e e-mails que levem a vantagem financeiras. Hackers são especialistas em elaborar armadilhas e esperar que usuários caiam em um dos golpes. 

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