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Correio Braziliense

Sob pressão, Facebook irá restringir discurso de ódio em anúncios

Mark Zuckerbeg, CEO da rede social, defende há meses em nome da liberdade de expressão uma abordagem mais flexível que a do Twitter e do Youtube sobretudo no que se refere ao discurso de personalidades políticas


postado em 28/06/2020 15:39

(foto: Facebook/ reprodução )
(foto: Facebook/ reprodução )
O Facebook endureceu suas políticas de moderação de conteúdos, ao proibir mais tipos de mensagens de ódio nos anúncios publicitários e começar a colocar etiquetas de advertência nas publicações consideradas problemáticas que decida não apagar.  As mudanças foram anunciadas na sexta-feira (26/6)

Mark Zuckerbeg, CEO da rede social, defende há meses em nome da liberdade de expressão uma abordagem mais flexível que a do Twitter e do Youtube sobretudo no que se refere ao discurso de personalidades políticas.

Mas ele mesmo deu detalhes sobre o endurecimento de sua posição.

A plataforma agora suprimirá os anúncios que digam que as pessoas de determinadas origens, etnias, nacionalidades, gênero e orientação sexual são uma ameaça para a segurança ou a saúde dos demais, disse Zuckerberg, em um comunicado divulgado em seu perfil no Facebook. 

A maior rede social do mundo recebe há semanas uma enorme pressão por parte da sociedade civil, assim como de alguns dos seus funcionários, usuários e clientes, que exigem que a plataforma seja mais dura na forma de lidar com os conteúdos de ódio. 

Organizações como a Liga Anti-Difamação (ADL) e a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) pediram aos anunciantes que boicotassem o Facebook como forma de pressioná-lo a verificar melhor o conteúdo dos grupos que usam a rede social para incitar ao ódio, ao racismo ou à violência. 

A solicitação foi respondida pela gigante de alimentos e cosméticos Unilever, a empresa americana de telecomunicações Verizon, a sorveteria Ben & Jerry's, e empresas de artigos esportivos como Patagonia, North Face e REI, além da agência de vagas de emprego, Upwork.

Nesta sexta, a Coca-Cola, que investe enormes quantias de dinheiro em anúncios, anunciou a suspensão por pelo menos 30 dias sua publicidade nas redes sociais como parte de uma campanha contra o racismo nestas plataformas.

"Não há lugar para o racismo no mundo e não há lugar para o racismo nas redes sociais", disse James Quincey, diretor-executivo da gigante mundial em um breve comunicado. 

Quincey exigiu que as redes sociais mostrem maior "transparência e responsabilidade", depois que outras marcas decidiram retirar seus anúncios para obrigar estas plataformas a suprimirem conteúdos que incitem o ódio.

A Coca-Cola aproveitará este período para "fazer um balanço sobre (suas) estratégias publicitárias e ver se precisa revisá-las", explicou o diretor-executivo.

Mais cedo, o comediante Sacha Baron Cohen, crítico da rede social, pediu às empresas "que gastam mais dólares em anúncios do Facebook" que se unam ao movimento. Ele citou Procter&Gamble, Walmat, Microsoft, Amazon, o jornal New York Times e outros.


- Advertências -

A segunda decisão tomada pelo chefe do Facebook está relacionada com o incidente que acendeu as discussões no fim de maio.

Nesta sexta, Zuckerberg falou sobre a preparação da plataforma para as eleições presidenciais de novembro, e disse que as medidas tomadas são o resultado "direto das sugestões recebidas de uma organização que defende os direitos humanos". 

"As eleições de 2020 já se anunciavam quentes, e isso sem mencionar as complexidades relacionadas à pandemia e aos protestos que pedem justiça racial em todo o país", afirmou o CEO. 

Zuckerberg prometeu que suas equipes foram mobilizadas para combater qualquer tentativa de impedir a votação (principalmente das minorias). 

Mesmo sem menção explícita, ele comentou o incidente que provocou protestos contra o Facebook.

Ao contrário do Twitter, no final de maio essa rede social se recusou a moderar controversas mensagens do presidente Donald Trump, uma sobre votação por correio (que denominou de fraude eleitoral) e outra sobre os protestos após a morte de George Floyd, um homem negro que morreu ao ser sufocado por um policial branco em Minneapolis. 

O Twitter decidiu ocultar os comentários do presidente e reduzir a circulação em potencial do que ele escreveu, embora permitisse a visualização do tuíte. 

A partir disso, o Facebook se posicionou no meio do caminho entre remover conteúdo e não intervir nas publicações, como era sua política até agora. 

"Os usuários poderão compartilhar esse conteúdo para criticá-lo, mas colocaremos uma etiqueta para informar às pessoas que o conteúdo compartilhado pode violar nossas regras", informou Zuckerberg.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

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