Tecnologia

Empresa Huawei supera Samsung e vira líder de vendas de telefones

Este é o primeiro trimestre em nove anos em que uma empresa diferente da Samsung ou Apple lidera o mercado

Agência France-Presse
postado em 30/07/2020 09:19
Esta foto de arquivo tirada em 29 de abril de 2019 mostra um pedestre passando por um estande de produto da Huawei em uma loja de telecomunicações no centro de Londres.A empresa chinesa superou a sul-coreana Samsung e se tornou a líder mundial em vendas de telefones celulares no segundo trimestre, graças à demanda interna, informou nesta quinta-feira (30/7) a consultoria Canalys.

A Huawei, que enfrenta sanções dos Estados Unidos e a queda de suas vendas fora da China, vendeu 55,8 milhões de telefones no período, superando pela primeira vez a Samsung, com 53,7 milhões, de acordo com a consultoria.

Este é o primeiro trimestre em nove anos em que uma empresa diferente da Samsung ou Apple lidera o mercado, destacou a Canalys.

As sanções americanas "derrubaram" as vendas da Huawei fora da China continental, mas a atividade cresceu e agora a empresa domina o mercado doméstico.

Mais de 70% dos smartphones da Huawei são vendidos na China, onde a Samsung tem uma parcela muito pequena do mercado, um sinal de "excepcional resistência", indicou a Canalys.

As vendas da Huawei no exterior, no entanto, caíram quase um terço no segundo trimestre. De acordo com o analista Mo Jia, da Canalys, isto demonstra que somente a força na China "não será suficiente para manter a Huawei no topo quando começar a recuperação da economia global".

A Huawei, líder mundial de equipamentos de redes de telecomunicações, virou um objeto de disputa entre Pequim e Washington, que alega que o grupo representa uma ameaça para a segurança.

O governo dos Estados Unidos decidiu afastar a Huawei de seu mercado e iniciou uma campanha global para isolar a empresa.

O Reino Unido cedeu à pressão americana e prometeu este mês que vai retirar a Huawei de sua rede de internet móvel 5G até 2027, apesar das ameaças chinesas de represália.

A decisão significa que as empresas terão que interromper as compras de equipamentos 5G da Huawei a partir do próximo ano e trocar o material já instalado até 2027.

Na quarta-feira, o embaixador dos Estados Unidos em Brasília fez uma advertência sobre as "consequências" para o Brasil caso o país escolha a Huawei para desenvolver a nova geração da tecnologia de telecomunicações.

Austrália e Japão já adotaram medidas para bloquear ou restringir a participação da empresa chinesa em suas redes 5G e várias operadoras de telecomunicações europeias, como a norueguesa Telenor e a sueca Telia, deixaram de comprar equipamentos da Huawei.

A justiça dos Estados Unidos também reclama a extradição da executiva da Huawei Meng Wanzhou, que acusa de fraude, um caso que complica as relações entre China e Canadá, onde ela está em prisão domiciliar.

Meng, diretora financeira da Huawei, foi detida em dezembro de 2018 com um mandato americano quando fazia uma escala em Vancouver (Canadá) e desde então luta para evitar a extradição.

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