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Estado de Minas

Salão do Turismo destaca segmento do turismo de experiência


postado em 15/07/2011 20:44 / atualizado em 15/07/2011 21:17

Na Serra Gaúcha, os turistas podem participar do processo de produção do vinho(foto: Sebrae/Divulgação)
Na Serra Gaúcha, os turistas podem participar do processo de produção do vinho (foto: Sebrae/Divulgação)

São Paulo — É possível visitar um destino turístico frequentadíssimo e, ainda assim, fugir das multidões e dos programas que todo mundo faz? O crescimento do turismo de experiência, uma das tendências observadas no sexto Salão do Turismo (salao.turismo.gov.br), prova que sim. Em resumo, esse tipo de viagem consiste em visitar um lugar não só para tirar foto dos principais pontos turísticos, mas para se aproximar da história e dos costumes locais. Trata-se de uma modalidade já sólida na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália, mas ainda com espaço de sobra para se desenvolver no Brasil.

Uma das evidências disso está na participação que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) teve no evento. A instituição estruturou em 2007 a iniciativa pioneira no setor, com a Região Uva e Vinho — Serra Gaúcha. E agora, quatro anos depois, pela primeira vez no Salão do Turismo, o Sebrae trouxe 12 microempresas ligadas ao turismo de experiência (www.tourdaexperiencia.com) para vender seus serviços tanto a operadores de viagem quanto a consumidores comuns.

Os empreendedores vieram de Belém (PA), Bonito (MS), Petrópolis (RJ), das cidades da Costa do Descobrimento, como Porto Seguro (BA), e da Serra Gaúcha (RS). E trouxeram na bagagem produtos como os tours Edredom nos Parreirais (um piquenique em meio às videiras gaúchas) e Cheiros e Sabores (que permite ao turista conhecer o Mercado Ver-o-Peso, na capital paraense, e preparar o próprio açaí). "Pedimos que eles trouxessem até máquina de cartão de crédito", conta a responsável pelos projetos de turismo da entidade, Germana Magalhães.

Roteiros como esse, segundo ela, ajudam o Brasil a diversificar a atual oferta de serviços e destinos. "Quando simplesmente se vai à praia, chega uma hora em que todas elas vão parecer iguais. Mas, quando o turista valoriza as experiências que pode ter em cada uma delas e nos arredores, ele conhece de perto a cultura e os costumes. Vê coisas que só existem em um determinado lugar", explica. "É um passeio mais caro, personalizado e que alonga o tempo de hospedagem", completa.

Escala


E por que o turismo de experiência custa mais caro? Em primeiro lugar, justamente por ser feito para atender a gostos específicos do turista e fugir da massificação típica de muitos pacotes convencionais. Em segundo: "O consumidor desses roteiros tem mais renda, escolaridade e conscientização", esclarece Kátia Patrício da Silva, do Ministério do Turismo, coordenadora de projetos de estruturação do setor. Por último, porque esse mercado movimenta cidades e empreendimentos pequenos, que aumentam a conta para compensar a falta de escala. "Muitas vezes, o destino pode receber só 2 mil pessoas, e não 10 mil", exemplifica.

Durante o evento em São Paulo, a instituição apresentou 40 projetos integrantes do programa Turismo de Base Comunitária, que também se enquadra no filão da experiência. "Em 2008, fizemos um edital para selecionar 50 roteiros já existentes; apareceram 500 candidaturas", lembra Kátia. "A ideia era ajudá-los a fazer um trabalho com qualificação, organização e segurança, mas sem perder a autenticidade." O resultado pode ser conhecido em projetos como o Morrinho (www.morrinho.com), na favela carioca de Pereira da Silva, ou o Acolhida na Colônia (www.acolhida.com.br), que movimenta 300 famílias em 22 cidadezinhas no leste de Santa Catarina.

A jornalista viajou a convite da organização do Salão do Turismo

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