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Estado de Minas

Porto Novo, em Copenhague, é o lugar perfeito para "entrar no clima"


postado em 17/11/2011 15:00

» Clara Favilla
Especial para o Correio


O Nyhavn (Porto Novo) é local de saída de passeios de barco pelos canais da cidade. Além disso, tem bares fervilhantes(foto: Fábio Knoll/Divulgação)
O Nyhavn (Porto Novo) é local de saída de passeios de barco pelos canais da cidade. Além disso, tem bares fervilhantes (foto: Fábio Knoll/Divulgação)


Não há quem visite Copenhague e fique sem passar várias vezes pelo Nyhavn (Porto Novo) porque assim quer ou porque o trajeto exige. O pedaço mais antigo e pitoresco da cidade está no meio de tudo que é interessante, e traz beleza em qualquer época do ano (até no mais rigoroso inverno, quando o canal muitas vezes congela). Velhos navios que integram a coleção do Museu Nacional estão em exposição permanente nessa parte do canal, adicionando valor histórico e encantamento à paisagem.

Já no verão, esse grande caldeirão multicolorido ferve. O interior dos bares e restaurantes ao longo da rua que margeia o canal é insuficiente para acolher a clientela, e as extensões a céu aberto tornam-se obrigatórias. Mesmo assim, nas horas de maior movimento, não se consegue mesa, o que não é razão para ir embora. Pegue cerveja e petiscos e sente-se no chão ou pelas bordas do canal, se conseguir um mínimo de espaço. Turistas e moradores se misturam e parece que o mundo todo resolveu passar as férias ali.

Na Dinamarca, ao contrário de outros países nórdicos, como a rigorosa Noruega, pode-se sentar e beber na rua. E muita gente faz isso, independentemente de posição social ou idade. Fica, assim, fácil entender o que chamam por lá de hygge (divertir-se, relaxar, desfrutar do clima, estar de bom humor). Para um povo sério, como o dinamarquês, o hygge é uma arte que pode ser traduzida como a de criar intimidade, compartilhando momentos especiais com outras pessoas. Esses instantes são movidos por pelo menos dois Cs: o de camaradagem e o de cerveja. A mais popular das louras dinamarquesas, por sinal, também começa com essa letra: é a Carlsberg.

Apogeu e decadência
Detalhe imponente nos arredores da Praça Real, que está em obras
Detalhe imponente nos arredores da Praça Real, que está em obras
Uma das pontas do Nyhavn fica a poucos passos da Kongens Nytorv (Praça Real), muito bonita, mas em obras para a terceira linha de metrô da cidade. O canal foi construído em dois anos (1671-1673) por soldados e prisioneiros a mando do rei Cristiano V, para permitir o acesso dos barcos mercantes até as proximidades da praça. Comerciantes instalaram-se, então, pelas redondezas, dando início ao apogeu do Porto Novo. Em 1807, porém, o local foi abandonado depois do bombardeio pela marinha inglesa, resultado do alinhamento da Dinamarca às tropas napoleônicas.

O período seguinte foi de decadência, e o porto virou zona de prostituição e de moradia de gente pobre. Foi justamente nessa época que Nyhavn hospedou aquele que se tornaria o mais famoso escritor dinamarquês: Hans Christian Andersen (1805-1875), que ali viveu mais 20 anos, em três casas diferentes (números 18, 20 e 67). Ele começou escrevendo romances, mas ganhou verdadeiro reconhecimento internacional ao redigir contos que emocionam crianças e adultos até hoje. Quem nunca ouviu falar em O patinho feio, O soldadinho de chumbo e A pequena sereia?

A revitalização desse pedaço da cidade começou em meados dos anos 1960, com a fundação da Sociedade de Nyhavn. As reformas duraram até 1977 e, desde então, a manutenção desse espaço histórico tem sido permanente.

Comida e cultura
No casario do lado norte da Nyhavn, o de numeração ímpar, funcionam bares e restaurantes. A casa mais antiga, a de número 9, foi construída em 1661. Na face sul, com numeração par, encontram-se mansões luxuosas. Entre elas, a Charlottenborg Palace. Construída entre 1672 e 1677, é hoje espaço de exposições artísticas.

A jornalista viajou a convite da Visit Denmark, o guia oficial de turismo da Dinamarca, e da operadora Try Norway

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