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Correio Braziliense

A Paris dos Trópicos: conheça os requintados tesouros de Manaus

O luxo da arquitetura, herança dos barões da borracha na época áurea da extração, é uma das atrações da capital do Amazonas, cidade que também oferece a oportunidade de conhecer tribos indígenas e projetos dos ribeirinhos


postado em 22/04/2015 18:00

O interior do Teatro Amazonas: o luxo de uma das principais atrações de Manaus foi um dos motivos para que a cidade recebesse o título de Paris dos Trópicos(foto: Christophe Simon/AFP)
O interior do Teatro Amazonas: o luxo de uma das principais atrações de Manaus foi um dos motivos para que a cidade recebesse o título de Paris dos Trópicos (foto: Christophe Simon/AFP)

Manaus — A era da borracha deixou uma riquíssima herança arquitetônica e cultural em Manaus. O Teatro Amazonas é de um luxo inquestionável, e uma visita guiada pela principal atração manauara revela os costumes dos barões daquela época. Não à toa, era tida como a Paris dos Trópicos, título também disputado por Belém, no Pará, que guarda semelhanças com Manaus, embora “ganhe de lavada” no quesito gastronomia. Naquela época, os filhos dos barões da borracha eram enviados à França para sua formação e houve um período em que o francês foi a língua falada na capital. De volta ao Brasil, acostumados à vida cultural parisiense, eles encontravam no Teatro Amazonas ares de refinamento. Ares bem quentes, por sinal. O calor é tão grande que naquela época o sistema de refrigeração do prédio usava imensos blocos de gelo para resfriar o ar que era direcionado à plateia.

De um jeito tradicional, os ribeirinhos preparam tapioca para servirem aos turistas(foto: Carolina Cotta/EM/D.A Press)
De um jeito tradicional, os ribeirinhos preparam tapioca para servirem aos turistas (foto: Carolina Cotta/EM/D.A Press)

Um jeito fácil de ter uma visão geral de Manaus é embarcar no Amazon Bus, um ônibus panorâmico de dois andares tal como existe em cidades turísticas espalhadas pelo mundo. Ali, portanto, não funciona o sistema de hop-in hop-off, quando o turista pode descer nas atrações que preferir. O ônibus faz, na verdade, um city tour guiado e tem uma única parada, na Praia de Ponta Negra.

Durante o passeio, é possível atravessar a Ponte do Rio Negro, considerada a maior ponte sobre rio do Brasil, recentemente inaugurada e com linda iluminação noturna, ver o Centro de Convenções Arena da Amazônia, construído para a Copa do Mundo e cujo design remete a um cesto indígena, apreciar o Palácio Rio Negro e o recém-construído Parque Jéfferson Péres, entre outros. O serviço parte da frente do Teatro Amazonas.

Vista do porto de Manaus: os barcos levam os visitantes a passeios pelo Rio Negro(foto: Tripadvisor/Divulgação)
Vista do porto de Manaus: os barcos levam os visitantes a passeios pelo Rio Negro (foto: Tripadvisor/Divulgação)

Evia brazilienses

 

A extração da borracha — que teve seu ápice entre 1879 e 1912 e, depois declinou, experimentando uma sobrevida entre os anos de 1942 e 1945 — era um trabalho escravo maquiado, o que pode ser constatado no Museu do Seringal, próximo a Manaus. O local reproduz o sistema da época, com a luxuosa casa do barão e as simples habitações dos extrativistas, em sua maioria cearenses, que fugiam da seca para viver uma realidade talvez ainda pior dentro da floresta. É possível ver a borracha ser extraída no método tradicional, “sangrando” a Evia brazilienses, nome científico da seringueira, com a rasqueta, a ferramenta de corte. Durante os 80 anos do ciclo da borracha, esse trabalho era feito entre as 2h e as5h, porque depois a árvore rendia menos látex. Cada pela, nome da bola de borracha em que o látex era transformado, pesava 10 quilos e cada trabalhador precisava fazer cinco por semana. Mas as condições de trabalho eram inacreditáveis. Poucos voltaram ao Nordeste, porque morriam antes de malária.

Entre a selva e a beira do rio

 

A tribo dos kambeba: os integrantes têm grande influência política(foto: Carolina Cotta/EM/D.A Press)
A tribo dos kambeba: os integrantes têm grande influência política (foto: Carolina Cotta/EM/D.A Press)

Nesse trecho do Brasil pouco conhecido pelos turistas brasileiros, também é possível visitar tribos e comunidades ribeirinhas a partir de Manaus, passeio incluso no cruzeiro que navega pelos rios Negro e Solimões e oferecido pelos hotéis de selva. A tribo dos kambeba, conhecidos como omágua, é uma das opções. Eles são um dos tantos casos de grupos que, na Amazônia brasileira, deixaram de se identificar como indígena em razão da violência e discriminação de frentes não indígenas na região desde meados do século 18, voltando a se afirmar depois do reconhecimento dos direitos dos índios pela Constituição de 1988.

Desde então, têm uma posição destacada na região por sua capacidade de negociação e articulação política com outros grupos indígenas e com agências governamentais e não governamentais, que levaram um interessante projeto de educação para a tribo, onde também estudam ribeirinhos.

Eles merecem uma visita. Lá será possível aprender como um tubérculo — a mandioca  — pode ser transformado em tantos subprodutos e garantir a subsistência de inúmeras famílias. Na região de Acatajuba, os turistas são recebidos com tapiocas feitas na hora nos grandes e tradicionais fornos que ocupam lugar de destaque nas propriedades.

Tanto nas tribos quanto nas casas de ribeirinhos, é possível comprar artesanato da região, mas o preço não é muito diferente da imperdível Galeria Amazônica, em frente ao Teatro Amazonas, em Manaus. Outro lugar para comprar lembranças da Amazônia é o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, uma cópia do mercado Les Halles, de Paris, inaugurado em 1881. É a oportunidade de comprar o pirarucu salgado, o chamado bacalhau amazônico, entre outras iguarias.

Gastronomia

 

Chocolate algum sobrevive ao calor dos trópicos. Ainda bem, porque por essa razão inventaram a bala de cupuaçu, que de fato é um bombom. Não volte sem provar. A do Museu do Seringal é especialmente gostosa. Outro prato imperdível é a costela de tambaqui (o sabor lembra porco, mas é carne de um dos mais nobres peixes amazônicos).

Também se destacam os pratos à base de pirarucu, jaraqui e matrinchã. Invista uma ida ao Restaurante Banzeiro, do premiado chef Felipe Schaedler. A farinha de uarini também merece ser provada. E para saborear as frutas locais, não economize nos sorvetes, sucos, caipirinhas e doces. Taperebá, tucumã, pitomba, cupuaçu, graviola, abio e, claro, o açaí devem entrar na sua lista. O lanche mais típico é o “x-caboquinho”, quase uma “instituição manauara”: pão francês com tucumã e queijo coalho.
 

Guia

 

» COMO IR
Gol

www.voegol.com.br
A partir de R$ 605 (com taxas)

Tam
www.tam.com.br
A partir de R$ 640 (com taxas)

Azul
www.voeazul.com.br
A partir de R$ 732 (voo direto, com taxas)

» ONDE FICAR
Tropical Manaus Ecoresort

Diária a partir de R$ 353
Avenida Coronel Teixeira, 1.320, Ponta Negra

Go Inn Manaus
Diária a partir de R$ 196
Rua Monsenhor Coutinho, 560, Centro

Seringal Hotel
Diária a partir de R$ 188
Rua Monsenhor Coutinho, 758, Centro

» ONDE COMER
Banzeiro Cozinha Amazônica
www.restaurantebanzeiro.com.br
Rua Libertador, 102, Nossa Senhora das Graças, Manaus
(92) 3234-1621
Reconhecido por diversos prêmios, entre eles, o de “Melhor Cozinha Regional”, por cinco anos consecutivos, “Chef do Ano” para Felipe Schaedler, por três anos consecutivos, e melhor costela de tambaqui. Apesar de não estar ao lado das principais atrações turísticas, vale a corrida de táxi. O cliente é recebido com delicioso caldinho de peixe enquanto sofre para escolher entre um prato e outro. Faça reserva.

Skina dos Sucos

Avenida Eduardo Ribeiro, 629, Centro, Manaus
(92) 3233-1970
Os mais de 60 sucos são servidos em copos de meio litro. Boa opção para provar as frutas típicas. Servem salgados.

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