Jornal Correio Braziliense

Turismo

Genuinamente brasileira e familiar, a pinga é parte da nossa cultura

Minas é um dos maiores produtores de aguardente do país, mas roteiros de lazer para conhecer a produção e a degustação da bebida ainda carecem de infraestrutura para os turistas


Cachaça não é só uma bebida. Pode ser meio marvada, mas é uma moça tão bonita e dengosa que fica difícil não se apaixonar pela danada. Como é tão familiar, brasileira, talvez não seduza tanto quanto um vinho francês. Mas a pinga é parte da nossa cultura e ingrediente essencial no cardápio de sabores tipicamente brasileiros.

[SAIBAMAIS]E pensar em cachaça sem falar em Minas é impossível. Em Salinas, no norte das Gerais, é produzida nada menos que a Havana, uma das mais famosas e valorizadas marcas do Brasil. Além disso, o estado é responsável por 60% da produção da bebida em alambique do país. E é exatamente no processo artesanal e em sua identificação regional que a pinga vem ganhando valor. Paralelo a isso, os produtores começaram a abrir os olhos para o potencial turístico pouco explorado ligado a ela.

Hospitalidade
Conhecer um alambique e o processo de produção artesanal da cachaça pode pedir certo engajamento ao interessado. Existem poucos passeios organizados, e a maioria das destilarias não está preparada para o turismo. Mas a hospitalidade é marca dos mineiros. Vários pequenos produtores não têm problema em receber visitantes e eles mesmos mostrarem parte de sua história de vida.

Por isso, é importante sempre lembrar: cachaça não é só uma bebida. É uma viagem que passa por sentidos, sabores, culturas e histórias. Em um único gole, é possível se aproximar de costumes e tradições de regiões e épocas distantes. Afinal, se você se interessa em conhecer vinhedos em Bourgogne, na França, por que não ir a um pequeno alambique em São Gonçalo do Bação para entender um pouco mais sobre a nossa identidade?

Por dentro dos alambiques

Para conhecer o processo de fabricação, operadoras de turismo oferecem passeios:

Veredas do Paraopeba (Brumadinho)
HT HAPPY TRAVEL
Contatos: Marcela ou Cida
marcela@hthappytravel. com
Tels: (31) 4117-0333/ 9949-7969

Fazenda Século XVIII (Coronel Xavier Chaves)
UAI TRIP
Contatos: Dalton ou Cristiane
contato@uaitrip.com.br
Tels: (32) 3355-1161/ 8848-3283

Engenho Boa Vista (Coronel Xavier Chaves)
RUMO EM ROTAS
Contatos: Ana Cristina
contato@rumosemrotas. com.br
Tels: (32) 3372-5689/ 8815-8327

A marvada tem cor, idade e feitio

Madeiras para armazenar e envelhecer
A cachaça pode, diferentemente do uísque, da tequila e do rum, ser armazenada em vários tipos de madeira, que dão coloração e gosto característico à bebida. Essa diversidade é o grande diferencial do produto tipicamente brasileiro e, geralmente, define as características regionais. Várias madeiras podem ser utilizadas, entre elas carvalho, amburana, amendoim, jequitibá, ipê, jacarandá e peroba.

; Armazenada: a bebida fica, por tempo indeterminado, em tonel de madeira sem tamanho definido.

; Envelhecida: no mínimo 50% do produto fica por pelo menos um ano em tonéis de no máximo 700 litros. As cachaças Premium ficam entre um e três anos. As Extra-Premium ficam, no mínimo, três anos.

As cores fazem a diferença
; Branca: geralmente, não passa por período de envelhecimento na madeira. Depois da destilação, descansa em aço inox antes de ser padronizada e engarrafada. Se passar por envelhecimento em madeira, ela não pode soltar cor, o caso do jequitibá, freijó e amendoim. O produtor pode usar as denominações Clássica, Tradicional ou Prata.

; Amarela: foi armazenada ou envelhecida em madeira e apresenta mudança substancial na coloração. Nesse caso, o produtor pode utilizar a classificação Ouro.

Tipos de produção definem a qualidade
; Alambique: a bebida produzida de maneira artesanal tem maior complexidade de sabor, mas se o produtor não domina corretamente o processo de destilação, o produto pode ser prejudicial à saúde. Ela passa obrigatoriamente pelo alambique de cobre.

; Coluna: a aguardente industrializada, chamada de cachaça de coluna, não tem o mesmo sabor da artesanal, mas garante segurança para o consumidor. Para os especialistas, a cachaça artesanal de qualidade tem um valor único e é completamente segura para o consumo.

Um toque de calor

Além da qualidade como bebida, a cachaça pode ser uma forte aliada na culinária. A proprietária do Restaurante Casa Velha, em Brumadinho, na Grande BH ; região com vários produtores do destilado ; , Suely Maria Ribeiro, compartilhou uma de suas receitas mais famosas:

Tutu com cachaça

INGREDIENTES:
; 2 copos de 250ml de feijão carioca cozido
; 1 copo de 250ml do caldo do feijão
; 1 cebola de cabeça média ralada
; 2 colheres (sopa) de óleo ou gordura de porco
; 1 colher de chá de sal
; 1 xícara (chá) de farinha de mandioca
; 1/2 copo de cachaça branca
; 3 dentes de alho socados com
; 1 colherzinha (café) de sal
; Opcional: pimenta-do-reino moída 1/2 colherzinha(café)

Modo de preparo
; Bata no liquidificador o feijão com o caldo e a farinha de mandioca. Reserve.
; Em uma panela, aqueça óleo ou gordura de porco. Coloque a cebola e deixe dourar.
; Acrescente o alho socado e doure.
; Coloque a mistura do liquidificador, o sal e a pimenta-do-reino (a gosto).
; Mexa lentamente até o ponto que desejar. Se ficar mole, acrescente um pouco mais de farinha de mandioca e mexa. Quando der uma rapa fina no fundo da panela, já está cozido.
; Acrescente a cachaça e mexa por mais um minuto e pronto.
; Vire em uma travessa ou tigela.
; Coloque molho de tomate refogado com cebola em rodelas, ovos cozidos e cebolinha em cima.
; Sirva com linguiça de porco ou a que preferir, couve refogada e arroz branco.