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Correio Braziliense CENTRO-OESTE

Mantendo as tradições em meio a dificuldades, inclusive financeiras

Indígenas que vivem a poucos quilômetros de Dourados tentam manter os costumes de seus antepassados. O turismo na região começa a ser estruturado como forma de sobrevivência


postado em 15/07/2016 10:00 / atualizado em 18/07/2016 13:35

Indígenas recebem visitantes com cerimônia de boas-vindas(foto: Iana Caramori/Esp.CB/D.A Press)
Indígenas recebem visitantes com cerimônia de boas-vindas (foto: Iana Caramori/Esp.CB/D.A Press)

Basta pisar na Reserva Indígena de Dourados para que a imersão na cultura local aconteça. A reserva, que está de portas abertas para os turistas, é formada por duas aldeias — Jaguapiru e Bororó — e povoada por três etnias: kaiowá, guarani e terena. A área de cerca de 3 mil hectares é dividida entre os 14 mil índios que vivem na região.

 

Quem vai ao local é recebido com um ritual de recepção e danças típicas. Para completar a experiência, o visitante pode beber a chicha — bebida típica indígena à base de milho e outros cereais — e conferir o artesanato local.

 

O turismo na reserva, cuja área é pequena, está se estruturando. O contato é feito com os representantes de uma das etnias, e o visitante precisa se organizar para fazer o translado da cidade até a reserva, a 5km de Dourados. A ideia é que o turismo se estabeleça para que os visitantes entrem em contato com a cultura indígena. O desejo de quem mora por lá é manter vivos os costumes de seus antepassados, que foram os primeiros moradores do lugar.

 

Cacique Getúlio faz questão de falar sobre os problemas da reserva(foto: Dênes de Azevedo/Divulgação)
Cacique Getúlio faz questão de falar sobre os problemas da reserva (foto: Dênes de Azevedo/Divulgação)

Outro objetivo é chamar a atenção para as necessidades dos moradores das aldeias. Segundo o cacique Getúlio de Oliveira, a falta de água, de segurança e de apoio financeiro de órgãos governamentais é uma realidade. Hoje, os índios vivem da agricultura de subsistência e do trabalho em empresas de Dourados, o que não é suficiente para manter algumas estruturas da aldeia, como a Casa de Reza, onde os indígenas se reúnem. 

 

Pouca terra
Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do país, cerca de 70 mil pessoas, divididas em várias etnias.
Apesar disso, somente 0,2% da área do estado é ocupada por terras indígenas

 

Normatização da Funai
Em meados do ano passado, a Fundação Nacional do Índio (Funai) publicou uma instrução normativa estabelecendo normas e diretrizes para as visitas turísticas em terras indígenas. A ideia é que o etnoturismo e o ecoturismo, que ocorriam de maneira irregular até então, fossem regulamentados. Com a medida, os indígenas podem apresentar propostas de Plano de Visitação para que a venda de pacotes e agendamento de visitas sejam feitos, se tornando uma alternativa de geração de renda para a aldeia.

 

Representantes das três etnias que habitam a reserva em Dourados mantêm rituais de seus antepassados(foto: Dênes de Azevedo/Divulgação)
Representantes das três etnias que habitam a reserva em Dourados mantêm rituais de seus antepassados (foto: Dênes de Azevedo/Divulgação)

» Visite as aldeias
Onde fica: MS-156, sentido Itaporã
Contato: Cagetano Vera, pelo telefone (67) 99982-1454

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