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Correio Braziliense DESCOBERTAS

Paraísos de difícil acesso valem o esforço de quem os visita

Nem sempre é fácil chegar, mas o esforço vale a pena. Em meio a mundo de água, as ilhas são roteiros certos para incríveis aventuras. Descubra algumas no Brasil e aproveite a experiência


postado em 03/03/2018 10:00 / atualizado em 07/03/2018 18:59

“Eu sei que existe uma ilha
Onde o homem nunca lá pisou
Não há nem pegadas ou trilhas
Só uma onda que abria, 
abria, abria, abria.”


(Armandinho, em A ilha)

(foto: Márcia Correa/Flickr Ilha Grande)
(foto: Márcia Correa/Flickr Ilha Grande)

No dicionário, ilha é uma extensão de terra firme cercada de modo permanente por água, doce ou salgada. Na vida real, significa pequeno paraíso, lar de incontáveis belezas. Conhecer qualquer uma delas nos dá a sensação de espaço finito, mas estar numa delas pode ser uma grande descoberta. A advogada Natasha Martín, 24, disse ter se sentido “pequena diante de tanta grandeza”, ao visitar a Ilha de Marajó, no Pará. Quase sempre, as ilhas são definições perfeitas de ecoturismo, ideais para relaxar e se aventurar. Possibilitam apreciação da vida marinha, fauna, flora e conexão com a natureza.

Quase desconhecida pelos brasileiros, considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo, a Ilha de Marajó acumula outro recorde, tendo a maior criação de búfalos do Brasil. Os animais, além de fonte de renda e fonte alimentícia, viraram atração turística. A ilha fica a cerca de 80km de Belém, capital do estado. Cercada por praias doces e salgadas, as belas paisagens naturais proporcionam um excelente contato com a natureza, perfeito para os amantes do ecoturismo. Dividida em 13 municípios banhados pelo Rio Amazonas, o Rio Pará e pelo Oceano atlântico, o acesso à região se dá por meio de balsas que partem da capital, trajeto que leva de duas a três horas.
Natasha Martín passou três dias na ilha(foto: Natasha Martín/Arquivo Pessoal)
Natasha Martín passou três dias na ilha (foto: Natasha Martín/Arquivo Pessoal)

Natasha visitou a ilha por três dias no início do ano. “Pesquisei sobre a Amazônia e acabei me encantando pelo Pará. Como passaria uns dias lá, incluí Marajó no roteiro. Na ilha, visitei a Praia do Pesqueiro, que tem uma estrutura legal de bar, redário e camping. Também fiz um passeio com um pescador que nos levou para conhecer o mangue e um igarapé. A culinária também é incrível, tem um prato típico chamado filé marajoara, com carne e muçarela de búfala. Em Soure, tomei um açaí com queijo de búfala quentinho, uma delícia. Na praia era possível ver búfalos soltos passeando. Também foi a primeira vez que visitei uma ilha.” Natasha destaca a receptividade dos moradores locais como um dos pontos positivos da viagem, que pretende repetir e ficar por mais tempo.

Os principais pontos turísticos são os municípios de Soure e Salvaterra. Em Soure é possível visitar a Praia do Pesqueiro, que fica a 10km do centro, a Praia da Barra Vermelha e a Fazenda São Jerônimo, que oferece passeios de canoa e de búfalo, permitindo montar nos animais, tirar fotos e alimentá-los. Em Salvaterra os turistas podem conhecer a Praia e as Ruínas Joanes, que são antigas construções jesuítas. A maioria das atrações tem estrutura de camping, hotel, bar e restaurante. O serviço de celular é praticamente inexistente, e alguns locais não aceitam cartões. É preciso tomar cuidado com a variação das marés.

 

Ilha Grande, Rio de Janeiro 

 

No município de Angra dos Reis, Ilha Grande foi, no passado, rota de piratas e traficantes de escravos. Hoje, com mais de 100 praias, fauna e flora exuberantes e águas verde azuladas, é um dos principais destinos turísticos do Rio de Janeiro.

Dentro da ilha não é permitida a entrada de automóveis, o deslocamento é feito por meio de lanchas, barcos, escunas e bicicletas. Os principais pontos turísticos são: a Gruta do Acaiá, que é um espetáculo de águas fluorescentes em uma praia de pedras subterrâneas, a Lagoa Azul, que é uma piscina natural, e a Lagoa Verde, um dos poucos locais no mundo onde se encontram corais esverdeados. As opções para passeios são inúmeras e atendem a todos, desde turistas que vão para relaxar até aqueles em busca de aventura.

Caminhadas terrestres de leve intensidade: trilhas fáceis,  uma excelente opção para praticantes de caminhadas de curta duração que buscam contemplar a natureza local. São seis trilhas no total, somando 15 circuitos.

Trilhas leves de bicicleta: podem ser alugadas na ilha.

(foto: Andréia Alves/Arquivo pessoal)
(foto: Andréia Alves/Arquivo pessoal)

Passeios de bicicleta na Enseada do Abraão: dois circuitos, passeios de bicicleta na Enseada das Estrelas e Saco do Céu: um circuito, Passeios de bicicleta em Lopes Mendes: dois circuitos.

Passeios Marítimos: podem ser feitos em barcos, lanchas ou escunas. São passeios pagos que duram em torno de sete horas e percorrem quase o mesmo trajeto.

Mergulho: a ilha está entre os principais pontos de mergulho no país, por suas  águas cristalinas e pela concentração de naufrágios no local. Também é possível praticar surfe, mountain bike, snorkel, caiaque e camping. 

A estudante Andreia Alves, 17, visitou a ilha recentemente e fez alguns passeios de barco ao redor do local. “Saímos pela manhã e retornamos no final da tarde. É maravilhoso, dá vontade de não sair de lá nunca mais.”

Ilha de São Francisco do Sul, Santa Catarina 

(foto: Camila Agular/Flickrx)
(foto: Camila Agular/Flickrx)

Um dos principais destinos catarinenses, e maior ilha do estado, São Francisco de Sul possui um ar de cidade histórica, além de, claro, belas praias. Ao visitar o centro histórico próximo à Baía de Babitonga, é possível ver fachadas coloniais, barcos de pesca e píeres de madeira. Uma sugestão de passeio é visitar o Museu Nacional do Mar, que expõe uma coleção de embarcações de diferentes épocas em miniatura e em tamanho real.

Os turistas também podem optar por uma passeio de escuna pela Baía da Babitonga que passa por 14 ilhas. Entre as praias mais famosas estão a Enseada, badalada por seus bares e restaurantes; Praia Grande e Prainha, rodeada de costões e bastante procurada pelos surfistas, considerada uma das praias mais bonitas da região.


Arquipélago das Graças, Santa Catarina
(foto: hp_cwb/Flickr Ilha do Mel)
(foto: hp_cwb/Flickr Ilha do Mel)

Próximo ao município de Joinville, o Arquipélago das Graças é um conjunto de 24 pequenas ilhas inabitadas ao redor da Ilha de São Francisco do Sul. Entre elas se destacam a Ilha da Paz, Ilha da Rita, Ilha do Mel e Ilha Grande, onde os turistas vão de barco principalmente para mergulhar.


Ilha de Itaparica, Bahia
(foto: Turismo Bahia/Flickr)
(foto: Turismo Bahia/Flickr)

A maior das 56 ilhas da Baía de Todos os Santos se divide em dois municípios: Itaparica e Vera Cruz. Do tupi, “cerca feita de pedras”, Itaparica é cercada por uma barreira de arrecifes, que inspiraram o seu nome. Lar de uma vasta vegetação tropical e rico patrimônio cultural, Itaparica encanta pelas belas paisagens. As opções de passeios incluem mergulhos, cavalgadas, caiaques e ciclismo, além de piscinas naturais.


Ilha do Campeche, Santa Catarina
(foto: Bruno Messina/Flickr)
(foto: Bruno Messina/Flickr)

Ainda no Sul do país, a Ilha do Campeche possui uma única praia de paisagem quase caribenha. Mar calmo, areia clara e águas que variam entre tons de verde e azul-turquesa, ela atrai cada vez mais turistas, principalmente mergulhadores e crianças. Considerada um santuário ecológico e arqueológico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) por seu conjunto de inscrições rupestres, a ilha é formada por costões e morros cobertos pela mata Atlântica.

Rayane Costa e o marido, Phâmalo, passaram férias na Ilha do Campeche: %u201Cum sonho%u201D(foto: Rayane Costa/Arquivo pessoal)
Rayane Costa e o marido, Phâmalo, passaram férias na Ilha do Campeche: %u201Cum sonho%u201D (foto: Rayane Costa/Arquivo pessoal)

Lá, é possível fazer trilhas terrestres e aquáticas, além de visitar sítios arqueológicos, mas para isso é necessário contratar o serviço de monitores credenciados no Iphan, que cobram um valor simbólico. Para acessar a ilha, existem três opções: saindo da praia da Armação, da praia do Campeche ou da Barra da Lagoa. O trajeto geralmente é feito de bote ou barco, durando entre 15 minutos a 1 hora e 20 minutos, dependendo do local de saída. A assessora parlamentar Rayane Costa, 25, esteve na ilha em setembro do ano passado: “É um sonho, maravilhosa, nem parece que você está no Brasil”. 


Ilha do Bananal, Tocantins
(foto: Paulo Barros/Flickr)
(foto: Paulo Barros/Flickr)

Entre os rios Javaés e Araguaia, está a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. É uma das mais importantes áreas de conservação do país e abriga o parque nacional e um parque indígena. A região turística da ilha é composta pelos municípios de Formoso do Araguaia, Gurupi, Lagoa da Confusão e Peixe. As atrações são sempre ligadas ao ecoturismo, como observação de pássaros, trilhas, praias de água doce, pesca esportiva e lagos naturais.  Uma das opções de passeio mais apreciadas é a visita ao Parque Nacional do Araguaia, que abriga inúmeras espécies de vegetação e de animais. Os visitantes podem contemplar toda essa biodiversidade e praticar algumas atividades como arvorismo e rafiting. Outra opção é o Projeto Quelônio, que tem como objetivo proteger e preservar os filhotes das tartarugas da Amazônia. 


Ilhabela, São Paulo
(foto: Stubric/CB/D.A Press)
(foto: Stubric/CB/D.A Press)

Banhada pelo oceano Atlântico, o arquipélago de Ilhabela está a 135km da capital São Paulo. Formada por 14 ilhas e ilhotas, Ilhabela é um dos únicos municípios-arquipélago marinhos brasileiros. Recheada de praias, montanhas e cachoeiras, a ilha oferece diversas opções de lazer e cultura. Os turistas podem escolher entre atividades como mergulho, pesca, windsurfe, tirolesa, escalada, arvorismo, trilhas e passeios de barco ou lancha.  A ilha também hospeda eventos durante todo o ano, como o Ilhabela in Jazz.

Principais cachoeiras: Cachoeira do Veloso, Cachoeira do Couro do Boi e Friagem, Trilha da Água Branca, Cachoeira da Laje, Cachoeira do Areado, Cachoeira do Gato,Cachoeira dos Três Tombos e Cachoeira da Toca.

Principais praias: Praia das Pedras Miúdas, Praia do Saco da Capela, Praia da Siriúba, Praia da Guanxuma, Praia do Barreiros, Praia da Fome, Praia da Feiticeira, Praia Grande, Praia Vermelha, Praia do Poço, Praia da Armação, Praia da Serraria, Praia da Barra Velha, Praia do Gato, Praia do Itaguaçu, Praia das Enchovas, Praia da Vila, Praia Mansa, Saco do Sombrio, Praia do Veloso, Praia do Engenho D’água, Praia de Indaiatuba, Praia do Bonete, Praia da Caveira, Praia da Figueira, Praia da Itaquanduba, Praia do Pinto, Praia do Indaiá, Praia do Curral, Praia de Castelhanos, Praia de Santa Tereza, Praia do Portinho, Praia do Perequê, Praia do Viana, Praia de Garapocaia, Praia de Pacuíba, Praia do Jabaquara, Praia do Oscar, Praia da Ponta Azeda, Praia do Paqueá, Praia do Julião, e Praia do Saco do Eustáquio.


Ilha de Tinharé, Bahia
(foto: Nailton Barbosa/Flickr)
(foto: Nailton Barbosa/Flickr)

Dentro do Município de Cairu, Bahia, a Ilha de Tinharé é um dos pontos mais visitados da região nordeste brasileira, tendo como principal destino o Morro de São Paulo, cujo cenário de tirar o fôlego é lar de águas calmas, cristalinas, areias branca e vastos coqueirais. O povoado possui inúmeros hotéis, bares e restaurantes que agitam a vida noturna local. As principais praias são: Primeira Praia, Segunda Praia, Terceira Praia, Quarta Praia, Praia do Mirante, Praia de Gamboa, Praia de Guarapuá e Praia Porto de Cima. Quem procura atrações turísticas pode visitar a Igreja da Nossa Senhora da Luz e apreciar a arquitetura colonial ou ir até o Farol do Morro, que possui uma das melhores vistas do povoado. Os amantes de história podem visitar o Convento Franciscano de Cairu e aqueles que buscam um pouco mais da cultura nativa devem ir até o Boca de Valeria Village.


Fernando de Noronha, Pernambuco
(foto: Beto Felix/Flickr)
(foto: Beto Felix/Flickr)

O arquipélago de Fernando de Noronha é formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de origem vulcânica. A principal delas e única habitada é chamada de Fernando de Noronha, as demais integram o Parque Nacional Marinho, o maior parque marinho brasileiro. Um dos santuários ecológicos mais importantes do mundo, a ilha tem clima tropical e oferece dezenas de opções de passeios, os principais incluem mergulhos, trilhas, observação de golfinhos e prática de esportes. 

 

» Viva Noronha 

 

Caminhada Praia do Atalaia/Pedra Alta
Trilha curta por verdadeiro aquário natural, onde é possível  mergulhar e curtir a variedade marinha.

Caminhada Histórica em Noronha

A caminhada começa na Vila de Nossa Senhora dos Remédios, vai até o Palácio São Miguel, ruínas de antigos presídios e termina na Igreja de Nossa Sra. dos Remédios, passando por três praias.

Caminhada Praia da Conceição/Mirante dos Golfinhos
Trilha que se inicia na Praia do Cachorro, percorrendo as praias do Meio, Conceição e Boldró. Continuando pelas praias do Americano, do Bode e Cacimba do Padre, ótimas para surfar, segue-se por trilha até a Baía dos Porcos, até o mirante dos Golfinhos.

Caminhada da Pontinha
Dedicada às pessoas com ótimo preparo físico. Caminhada por pedras junto ao mar de fora, passando pela Enseada das Caeiras até a Pontinha.

Caminhada Mirante dos Golfinhos/Praia Cacimba do Padre
Trilha pequena para apreciar os golfinhos em seu habitat. Segue para a Baía dos Porcos, que possui bela enseada com piscinas naturais nas pedras escuras. Perfeito para mergulho livre.

Caminhada para a Praia do Leão/Caracas/Praia do Sueste

Passeio por trilhas de fácil acesso até a bela Praia do Leão, onde ocorre a desova das tartarugas marinhas. A trilha segue até o mirante da Ponta das Caracas e, por fim, parada para mergulho livre na Baía do Sueste.

Trilha da Capim Açu

Caminhada de grande dificuldade dentro do Parque Nacional acompanhada de guias do IBAMA. Nessa trilha pode ser observada a vegetação nativa da ilha. Parada em mirante e faróis e visita à Gruta do Capim Açu.

Principais praias 

Baía do Sancho, Baía do Sueste, Praia Cacimba do Padre, Praia do Leão, Baía dos Golfinhos, Praia da Atalaia, Praia do Boldró, Praia do Porto de Santo Antônio e Praia do Cachorro. 

 

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga 

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