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Correio Braziliense NOVA ORLEANS

300 anos em três dias, festeje a união entre os povos explorando NOLA

Berço do blues e do jazz celebra este ano três séculos de história. A uma hora de voo de Miami, a cidade é um ótimo destino para se esticar as férias ou curtir aquele feriado prolongado


postado em 21/03/2018 20:00 / atualizado em 23/03/2018 10:08

(foto: Wikimedia Commons/CB/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/CB/Reprodução)

 

Nova Orleans — Aos 300 anos, a cidade às margens do Rio Mississippi é jovem e cheia de energia. Desde a fundação, em 1718, por Jean-Baptiste le Moyne, governador da colônia francesa de Luisiana, Nova Orleans aprendeu a se reerguer dos períodos de sofrimento e a encontrar o caminho para celebrar a vida. Nesse pedaço único e diverso dos Estados Unidos, o lema, infelizmente, ainda não oficial segundo moradores, é “deixe rolar os bons momentos”. E isso, invariavelmente, virá acompanhado da música e da culinária que fizeram essa cidade mundialmente conhecida.


Para aproveitar Nola, como os moradores gostam de se referir a Nova Orleans, você pode passear pelas ruas do French Quarter e ver seus belos casarões com varandas e sacadas em estilo europeu, pela charmosa região das mansões em Garden District, ou se divertir e se refrescar em áreas verdes como o City Park, local onde os Beatles fizeram show em setembro de 1964 para uma ensandecida multidão. Mas a cidade oferece também passeios de barcos em pântanos, visitas a fazendas de jacarés, tours em casas mal-assombradas, bares com música ao vivo, museus e ruas com centenas de lojas para boas compras. Nola tem tudo isso e é muito mais.

 

(foto: Rafael Alves/CB/D.A Press)
(foto: Rafael Alves/CB/D.A Press)
 


Independentemente da escolha, o importante é saber que a vida em Nova Orleans é ao ar livre. Desde o surgimento do blues e do jazz, entre a virada dos séculos 19 e 20, é assim. E isso pode transformar sua maneira de aproveitar a estada. Uma das experiências mais incríveis da cidade é se deixar levar pela música das bandas de rua enquanto anda pelos quarteirões do French Quarter. À noite ou à tarde (as manhãs em geral são para se recuperar da noite anterior), elas fazem performances em diferentes pontos da região, o que pode levá-lo de um show de blues tradicional a uma improvisação de jazz contemporâneo entre uma esquina e outra. Basta manter os ouvidos atentos ao som ao redor.

Esse tour sensorial por Nola pode ser também estendido aos bares, que costumam abrir as portas após o almoço e fechar na manhã seguinte. Como geralmente não cobram entrada, mesmo quando há shows ao vivo, é possível entrar, ouvir uma música e curtir o ambiente. A regra de bom cliente é comprar um ou dois drinques e estender sua passagem pelo local. Com centenas de estabelecimentos lado a lado em French Quarter, em Faubourg Marigny, Nova Orleans é um parque de diversões para turistas que sempre sonharam ter um bar para chamar de seu.

 

Comemorações ao longo de um ano 

 

(foto: wikipedia/CB/Reprodução/D.A Press)
(foto: wikipedia/CB/Reprodução/D.A Press)
 


Na cidade da alegria e da diversidade, as celebrações dos 300 anos prometem movimentar as ruas até dezembro, com centenas de festas, concertos e exposições para comemorar uma cultura única dentro da história dos Estados Unidos. Em anos normais para os padrões de Nola, o calendário oficial de eventos da cidade reúne cerca de 200 festivais, como o tradicional carnaval de rua Mardi Gras, os shows dedicados ao filho ilustre e gênio do jazz Louis Armstrong (1901–1971) e a divertida e autoexplicativa corrida de vestido vermelho.

Desta vez, a lista de atrações vai se estender, com espaço inclusive para atrações do Brasil, segundo o diretor do Museu do Jazz de Nova Orleans, Greg Lambousy, que convidará bandas brasileiras para o evento dedicado ao país. O som de Nova Orleans, afinal, inspirou o comportamento e o estilo de tocar de vários grupos musicais brasileiros desde os primórdios do samba, que o digam Pixinguinha e seus Oito Batutas.

O tricentenário da cidade americana marcará ainda a conclusão de projetos de transformação na infraestrutura da cidade, fortemente afetada pelo furacão Katrina em 2005. Uma das principais mudanças será percebida pelos visitantes desde o primeiro contato com Nola, devido à inauguração de um amplo e moderno aeroporto internacional. Facilitar a chegada e a saída dos turistas, principal fonte de renda de Nova Orleans, tem sido uma prioridade.

 

(foto: wikipedia/CB/Reprodução)
(foto: wikipedia/CB/Reprodução)
 


O próprio sistema de transporte público, que conta com os charmosos bondes elétricos que cortam trechos turísticos, comerciais e residenciais de Nova Orleans, foi amplamente reformulado nos últimos anos, assim como as redes de escolas e hospitais. Para os turistas, eles são a opção mais charmosa e barata para se aproveitar os principais bairros de Nola. Com US$ 3, é possível comprar um tíquete de viagens ilimitadas com validade de 24 horas, aceito também nos ônibus urbanos.

Como a cidade é toda plana (Nola está abaixo do nível do mar), as bicicletas são muito usadas por moradores, nem tanto por turistas. Mas, com os bondes elétricos, o passeio é sempre mais proveitoso para quem tem pouco tempo e muito a aproveitar dessa cidade tão acolhedora. A linha vermelha percorre a histórica Canal Street e dá acesso ao distrito de negócios, a alguns dos famosos cemitérios da cidade e ao belo City Park, onde está o Museu de Arte de Nova Orleans. A amarela percorre as margens do Rio Mississippi, e a verde, a luxuosa Saint Charles Avenue. No nosso roteiro de três dias por Nola, saber usá-las será essencial para cumprir a meta de percorrer pontos turísticos importantes da cidade.  


* O jornalista viajou a convite da Delta, Gol e New Orleans Convention & Visitors Bureau

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