Publicidade

Correio Braziliense TAILÂNDIA

Para além dos templos, a culinária tailandesa é uma ótima experiência

Há opções para todos os paladares, de aranhas a carne bovina e frutos do mar


postado em 23/04/2018 10:00

(foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)
(foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)


O grande atrativo de Ayutthaya é o parque histórico, mas existem algumas outras opções para quem quer conhecer o lado, digamos, menos religioso da cidade. Todas as noites, a Avenida Pa Thom se transforma em uma grande feira. O Night Market reúne centenas de barraquinhas vendendo uma infinidade de coisas. Roupas, sapatos, bolsas, acessórios para celular, maquiagem e o que mais você imaginar. Quer uma prova? É possível comprar até coelho na feira. E detalhe: eles vêm com roupas.

Se comprar não for o foco, o Market tem outro atrativo: a comida local. Stands de noodles, arroz frito, espetinhos (do que você imaginar: carne, aranhas, polvo, salsichas, escorpiões...), comidas ocidentais e sobremesas deixam uma mistura de aromas no ar. Ah, e os insetos sempre têm lugar na Tailândia — fácil encontrar barraquinhas vendendo os bichos aos montes, temperados com salsa (sim, você leu certo!). O Night Market é um pequeno retrato da Tailândia: tem de tudo. Um ótimo jeito de terminar o dia em Ayutthaya.

(foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)
(foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)


Lado B


Contrastando com tanta beleza, a exploração animal é um lado triste em Ayutthaya. O trekking em elefantes é uma atividade muito popular na Tailândia. Podemos facilmente ver turistas, guiados por homens locais, passeando nas costas desses gigantes, que são um dos maiores símbolos do país. Em Ayutthaya, o Elephant Palace, atração que fica na parte central da cidade, é ponto de partida para o “passeio”. Lá os visitantes podem se alimentar, montar, dar banho ou tirar fotos com eles (claro que pagando por tudo isso).

A chance de estar perto dos animais, interagindo com eles, é atraente para alguns turistas. Mas, antes de entrar no Elephant Palace, é importante saber que muitos desses elefantes foram submetidos a isolamento e tortura para serem “domesticados”. Não é raro ver os guias encostando ganchos pontiagudos em áreas sensíveis dos animais, como orelhas. Além disso, eles ficam acorrentados durante a maior parte do tempo. Os maus tratos são evidentes.

Se a ideia for fazer um turismo responsável, melhor pular essa atração. A Tailândia oferece opções mais conscientes para quem quer estar perto de elefantes, como santuários que resgatam animais torturados e cuidam deles sem correntes ou varas. Vale pesquisar!

 

Aromas e sabores

 

 

O padthai é o prato típico do país, com noodles fritos servidos com camarão, frango, tofu, vegetais e caldo(foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)
O padthai é o prato típico do país, com noodles fritos servidos com camarão, frango, tofu, vegetais e caldo (foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)
 

 

Ayutthaya é pequena, mas cheia de opções de cafés descolados e restaurantes. A culinária local é uma atração à parte. A mistura de sabores geralmente impressiona os turistas. Capim-limão, gengibre, pimentões, cebola, molho de ostra e chili são ingredientes comumente misturados em um mesmo prato. E sim, fica gostoso!

O carro-chefe da Tailândia é o padthai, noodles fritos servidos com camarão, frango, tofu, vegetais e caldo à base de molho de ostra e chili. Outro prato encontrado em qualquer restaurante é o chicken cashew nuts, pedaços de frango servidos com um molho levemente apimentado, pimentões e castanha de caju, sempre acompanhado de arroz. Noodles também têm seu espaço e é encontrado aos montes no país, acompanhado por vegetais, cogumelos ou carne, sempre com um molho saboroso.

Para quem tem um paladar mais ousado, o sweet and sour é uma ótima opção. Um molho à base de tomate, levemente apimentado, servido com pimentões, pepino, cebola e abacaxi, que dá um gosto adocicado. Uma mistura exótica de apimentado e doce. Acompanha arroz e pedaços de frango, porco, camarão ou frutos do mar variados — a escolha é do cliente. 


Por último, não poderíamos deixar de citar o curry, outro molho picante e bastante típico do país. Ele pode ser vermelho, amarelo ou verde. A intensidade da pimenta, por experiência, varia de acordo com a cor. O verde é mais suave. O amarelo já faz algumas gotinhas de suor escorrerem pelo corpo. O vermelho é para os que amam pimenta, pois é difícil conseguir comer tudo sem tomar um litro de água junto. Acompanha carne, à escolha do cliente, e arroz.

O arroz, aliás, é o queridinho dos tailandeses. As plantações estão espalhadas por todo o sudeste asiático e o grão é, de longe, o produto mais consumido na Ásia. Mas o gosto não é o mesmo do arroz brasileiro, que geralmente tem um quê salgado. O daqui não é temperado e até tem um toque levemente adocicado. O motivo? Os molhos têm um gosto sempre bem marcante, deixando o arroz como um mero coadjuvante nas refeições. A não ser quando o prato é o fried rice, outro carro-chefe que se acha em qualquer canto da Tailândia: arroz frito bem temperado (esse sim tem sal) acompanhado por legumes e carne, se o cliente não for vegetariano. Para quem não come carne, uma boa opção é o pineapple fried rice, o mesmo prato, só que servido dentro de um abacaxi e com um gosto levemente adocicado.

Falando em arroz, já pensou em uma sobremesa feita com o grão? Pois aqui existe! O famoso mango sticky rice nada mais é do que arroz embebido em leite de côco adoçado e com pedaços de manga. Outra sobremesa bem típica é uma tijela de leite de côco, servida quente, (adoçado e temperado com folhas — uma mistura interessante) e banana picada. E para completar o clima tropical, nada como degustar isso tudo com uma água de côco geladinha, que na Tailândia tem aos montes! 

 

O sweet and sour é mais exótico: apimentado e doce(foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)
O sweet and sour é mais exótico: apimentado e doce (foto: Arquivo Pessoal/Instagram @mundoparaduas)


Respeito às tradições

É preciso estar vestido adequadamente para visitar os templos. Ombros e pernas devem ser cobertos.

Alugue uma bike para descobrir as ruínas, que ficam espalhadas por toda a cidade. Tudo é pertinho e os motoristas respeitam os ciclistas. Além disso, o aluguel é barato: média de cinco reais (o dia todo). Quem não gosta de pedalar pode optar por alugar um tuktuk com motorista.

Há vários passeios de barco rodeando a cidade (uma espécie de ilha no meio do rio). É legal porque eles levam a templos que ficam fora do complexo e são menos visitados, mas não menos bonitos.

Costumes locais devem ser respeitados. Não tire foto de pessoas sem autorização e nunca toque a cabeça de alguém. Essa parte do corpo é considerada sagrada e, por isso, não deve ser tocada. Os pés são vistos como a parte impura, então nada de mostrar a sola do pé para alguém ou virá-la para a imagem de Buda em templos — algo gravíssimo para eles —, assim como colocar os pés em cadeiras e mesas. Tirar os sapatos antes de entrar em templos e na casa das pessoas também é essencial. O básico é isso! De resto, é só aproveitar o acolhimento desse povo sorridente e retribuir toda a gentileza!


* A jornalista Luiza Machado e a fotógrafa Tatiana de Moraes são duas mochileiras colaboradoras do caderno de Turismo. Na estrada desde novembro, elas visitaram sete países nos últimos cinco meses e não têm data para voltar a Brasília, onde moram. Enquanto descobrem lugares incríveis, a aventura das duas pode ser acompanhada no perfil do Instagram @mundoparaduas.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade