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Correio Braziliense CAMBOJA

Onde moram os deuses, o tesouro, patrimônio da humanidade

Camboja é uma mistura de sentimentos. Tem história, tem emoção, tem sofrimento, tem alegria, tem beleza natural, tem cultura, tem arte, tem vida. Muita vida. Você pode amar ou realmente não gostar. A verdade é que, no fim das contas, indiferença é definitivamente um sentimento que não fará parte da sua lembrança sobre o país.


postado em 02/05/2018 10:00 / atualizado em 02/05/2018 12:50



Andar pelos caminhos vastos e cheios de surpresas do complexo arqueológico de Angkor é como uma volta ao tempo. O tesouro, Patrimônio da Humanidade tombado pela Unesco, é a maior estrutura religiosa do mundo, com nada menos que 300 quilômetros quadrados. Nesse gigantesco espaço, ficam as ruínas de milhares de templos milenares que, cada vez mais, chamam a atenção de viajantes do mundo inteiro: segundo o governo cambojano, Angkor recebe cerca de dois milhões de visitantes todos os anos. Não à toa — o lugar transborda história!

O complexo começou a ser construído ainda no século 9, no império Khmer, e os reis consecutivos contribuíram com novos templos até o século 13, transformando a imensa área em importantes cidades, que juntas abrigavam meio milhão de habitantes, segundo estimativas. A decadência do império e ataques do Reino de Sião (atualmente Tailândia) fizeram com que a população fosse para o sul do Camboja, deixando a região abandonada. Durante séculos, Angkor foi esquecida pela humanidade e tomada pela natureza, que se misturou às construções.

A situação do complexo, no entanto, começou a mudar em 1860, quando o Camboja era uma colônia da França, e o francês Henri Mouhot descobriu, escondida em meio à natureza, essa preciosidade. Os colonizadores, então, tomaram a decisão de restaurar a antiga cidade — dizem que apenas o corte de árvores no templo principal, Angkor Wat, durou cerca de dez anos. O resultado foi surpreendente. Diz-se que algumas pessoas são como vinho: vão ficando melhores ao longo do tempo. Essa expressão pode perfeitamente ser aplicada ao parque arqueológico de Angkor — os séculos parecem agregar mais beleza e energia ao lugar.

 



Visitar o parque arqueológico de Angkor é quase um jogo de estratégia. Se quiser dar um check em todos os templos abertos ao público, é preciso calcular quanto tempo ficar em cada um e traçar um roteiro, já que as distâncias são grandes e as ruínas, enormes. Basicamente, existem três circuitos: o pequeno, onde ficam os templos mais famosos (Angkor Wat, Angkor Thom, Bayon e Ta Prohm); o grande, que inclui templos igualmente imponentes, mas um pouco mais afastados; e o circuito alternativo, que concentra ruínas construídas no mesmo período de tempo, mas que exigem pelo menos uma hora de viagem em tuk-tuk.

Para quem tem pouco tempo, o ideal é fazer o circuito pequeno, que, apesar de ter menos templos, é onde estão os mais importantes, interessantes e, claro, requisitados pelos turistas. Sim, espere esbarrar com muitas pessoas em cada espacinho, assim como acontece em qualquer monumento de tamanha relevância para a história da humanidade. Apesar da lotação, a visita é inesquecível. O ideal é começar antes do amanhecer.(LM/TM)

 

Passeio com segurança

É possível visitar o complexo de tuk-tuk ou de bicicleta. Devido à grande quantidade de acidentes envolvendo turistas, o governo não recomenda o aluguel de moto no complexo. Se preferir tuk-tuk, negocie bem o preço com os motoristas, que tendem a oferecer o serviço pelo dobro do valor justo. Ir de bicicleta é uma boa para quem quer curtir o passeio sem pressa, mas considere o calor intenso e os quilômetros a serem percorridos em cada circuito. Outra opção é bike elétrica, mas é bom se certificar de que a bateria é suficiente para o percurso traçado.

Uma boa dica é fazer o percurso ao contrário do que se costuma fazer (Angkor Wat, Angkor Thom, Bayon e Ta Phrom). Assim, você pode evitar esbarrar com as centenas de turistas que passam pelos templos a cada hora.

 

Conforto no passeio

Muito usado para o transporte de turistas em países do sul e sudeste da Ásia, também adotado em algumas cidades europeias, o veículo também é conhecido como riquixá. Tem características de moto, embora tenha uma cabine com proteção para o transporte de passageiros (ou mercadorias) e o consumo de combustível é baixo. Existem modelos movidos a motor (auto-riquixá), a pedais, e à tração humana (riquixá). Os tuk-tuk já são vendidos no Brasil e para conduzir é necessário ter a carteira de habilitação para pilotar motocicletas. 

 

 

* A jornalista Luiza Machado e a fotógrafa Tatiana de Moraes são duas mochileiras colaboradoras do caderno de Turismo. Na estrada desde novembro, elas visitaram sete países nos últimos cinco meses e não têm data para voltar a Brasília, onde moram. Enquanto descobrem lugares incríveis, a aventura das duas pode ser acompanhada no perfil de Instagram @mundoparaduas. 

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