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Correio Braziliense CAMBOJA

A magia milenar do principal templo de todo o Camboja

O dia começa antes do nascer do sol e, aos poucos, a beleza do local é revelada pelos primeiros raios. O céu se veste de tons rosados que se iluminam mansamente para apresentar o tesouro arqueológico


postado em 03/05/2018 10:00 / atualizado em 02/05/2018 15:56

(foto: @mundoparaduas/Instagram)
(foto: @mundoparaduas/Instagram)


Há quem diga que a visita ao complexo não é completa sem assistir ao amanhecer no Angkor Wat, principal templo do parque arqueológico e de todo o Camboja. Os primeiros raios solares vão, aos poucos, revelando a beleza da silhueta do templo, uma representação do Monte Meru, onde moram os deuses, segundo a mitologia hindu. Centenas de viajantes se levantam por volta das quatro da manhã para conseguir um bom lugar na beira do lago cheio de flores de lótus, bem em frente ao imponente templo. Os tons, que começam em um rosado pastel, vão se tornando mais intensos, até chegarem a um alaranjado deslumbrante. O sol parece ganhar novas cores a cada minuto no Camboja — e na verdade quem ganha são os espectadores.

Depois do espetáculo, é hora de visitar o Angkor Wat por dentro. Considerado um dos principais pontos arqueológicos do mundo, ele é o maior e mais bem preservado entre todos os templos e, devido à sua importância, estampa a bandeira do Camboja. Na época do império Khmer, abrigou a sede do governo e foi o principal centro religioso da região. Um passeio pelos diversos corredores e “salões” revelam o cuidado que os cambojanos tiveram ao esculpir cada figura nas paredes. Pisar em um templo de tamanha importância religiosa é, sem dúvida, emocionante. Não só pela história, mas pela energia que o lugar emana.

Angkor Wat foi construído no século 12 e, durante 30 anos, os escravos levantaram a imensa obra. Inicialmente hindu, o templo foi dedicado ao deus Vishnu. Com o tempo e a influência de novos reis, acabou se transformando em um complexo budista. É lá onde geralmente começa o passeio pelo complexo e, apesar de já ser uma surpresa incrível, o parque arqueológico revela ainda outras preciosidades.

 

Marcas de uma civilização 

   

(foto: @mundoparaduas/Instagram)
(foto: @mundoparaduas/Instagram)

 

Ao lado do Angkor Wat, fica Angkor Thom, uma antiga vila onde ficava a residência real na época do império Khmer. Apesar da importância política, o lugar se destacava por outro motivo bem especial: Bayon, outro templo de fazer cair o queixo dos visitantes. Ele tem 54 torres, cada uma com quatro faces de Avalokitesvara, conhecido como o Buda da compaixão. Ao todo, são 216 rostos — não por coincidência, esses dois números somam 9, considerado sagrado no budismo.


Peregrinação dos monges

 

(foto: @mundoparaduas/Instagram)
(foto: @mundoparaduas/Instagram)

 

As esculturas feitas com imensas placas de pedra nos fazem perceber a capacidade de construção da antiga civilização e sentir a fé que os cambojanos tinham — e que, na verdade, ainda têm. O Bayon até hoje é roteiro de peregrinação dos budistas e milhares de fiéis, que acendem incenso, deixam oferendas e fazem orações em frente ao santuário — presenciar esses momentos é um espetáculo à parte.

 

Para as telonas 


(foto: @mundoparaduas/Instagram)
(foto: @mundoparaduas/Instagram)
      


Na lista dos três templos de maior destaque do complexo está o Ta Prohm, sem dúvida um dos mais — senão o mais — instigante. Não pela construção em si, mas pela natureza que se entrelaçou às enormes muralhas e torres, que resistiram aos séculos e continuam lá, dividindo espaço com árvores que passam dos trinta metros de altura, com raízes gigantes. Ao descobrirem o complexo, os franceses resolveram manter as árvores, já que elas davam um aspecto interessante ao templo. Além disso, a natureza estava tão atrelada à construção que seria difícil fazer qualquer trabalho por ali. Foram feitos apenas alguns reparos para evitar desmoronamentos.

Andar pelo Ta Prohm é se sentir um arqueólogo que acabou de descobrir uma preciosidade intocada. Tanta beleza e excentricidade transformaram o lugar em cenário de filme. Quem não se lembra de Angelina Jolie no papel de Laura Croft em Tomb Raider? As cenas mais marcantes foram gravadas ao lado dessas gigantescas árvores que hoje ancoram o templo. Ao todo, são 39 torres que dão um ar selvagem e misterioso ao lugar, que é, literalmente, coisa de cinema.

 

 

Além do essencial 

 

(foto: @mundoparaduas/Instagram)
(foto: @mundoparaduas/Instagram)
  

(Maior templo plano do complexo, o Preah Khan foi construído no século 12)

Visitar o trio principal dostemplos (Angkor Wat, Bayon e Ta Prohm) já é uma experiência única, mas o complexo tem diversas opções para quem quer descobrir mais. Um dos destaques do circuito grande é o Preah Khan, o maior templo plano do complexo. Foi construído no século 12 a mando do rei Jayavarman XII, que dedicou o santuário ao pai.

Um pouco mais ao norte do Preah Khan, duas raridades estão escondidas: Prasat Prei e Banteay Prei, dois templos menores que são bem pouco visitados, o que é uma raridade no complexo. A graça está justamente em ter um momento mais pessoal nesse lugar sagrado.

Outro templo que merece uma visita é o Neak Pean. Não pela construção em si, mas porque ela fica em uma ilha cercada por um grande lago. Para chegar até lá, é preciso atravessar uma ponte. Uma estrutura diferente de todas as outras.

Para finalizar o dia, nada como um pôr do sol no lugar certo. Dois templos são bem procurados por causa da vista: Pre Rup e Phnom Bakheng. Depois de um dia cansativo percorrendo tantos caminhos, nada como pegar um suco geladinho (vendidos aos montes em frente aos templos) e contemplar o espetáculo. Mas lembre-se de chegar com certa antecedência, já que os melhores lugares costumam ficar cheios. 

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