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Correio Braziliense CAMBOJA

Do passado para a realidade, conheça além do complexo Angkor

Conhecer a história e receber a energia dos deuses cambojanos convida a participar da vida local. No centro, há opções para todos os gostos, de shows a restaurantes e spas


postado em 04/05/2018 10:00

(foto: @mundoparaduas/Instagram)
(foto: @mundoparaduas/Instagram)


Base para todos os viajantes que vão visitar os templos, Siem Reap tem atrações alternativas para curtir além do complexo Angkor. No centrinho da cidade, ficam centenas de spas baratíssimos (que tal aproveitar para fazer uma massagem relaxante após a visita ao Angkor?), diversas lojas, agências de turismo, cinema e mercados locais. O Central Market não foge ao padrão dos outros mercados do Sudeste Asiático: barraquinhas com comidas e bebidas típicas da região se misturam a lojinhas de souvenires, roupas, calçados, acessórios, pinturas, imagens de Budas e deuses hindus.

Um lugar bastante movimentado, principalmente à noite, é a Pub Street, rua perfeita para sentar e tomar um chopp barato –  muitos bares vendem a 50 centavos de dólar. Encontramos também cafés e bons restaurantes, onde os pratos custam, em média, de 2 a 7 dólares — a moeda americana é tão aceita quanto o Riel cambojano, em qualquer estabelecimento. Há também shows noturnos de dança, música e artes circenses. Os ingressos geralmente são vendidos em hotéis.

No templo de Bayon, esculturas gigantescas impressionam os turistas(foto: @mundoparaduas/Instagram)
No templo de Bayon, esculturas gigantescas impressionam os turistas (foto: @mundoparaduas/Instagram)

Hospedagem, aliás, é algo bem fácil em Siem Reap, completamente preparada para o turismo. É possível encontrar desde grandes hotéis de luxo até albergues com dormitórios compartilhados, passando por pousadas aconchegantes e pequenos hotéis simples, mas com bom serviço. As opções agradam a vários tipos de bolsos.

 

O calor é tradição 

 

Turistas lotam os espaços do complexo: dois milhões de visitantes a cada ano(foto: @mundoparaduas/Instagram)
Turistas lotam os espaços do complexo: dois milhões de visitantes a cada ano (foto: @mundoparaduas/Instagram)


A melhor época para visitar o complexo é durante o inverno, entre dezembro e fevereiro, quando a temperatura máxima fica em torno dos 28 graus. Março, abril e maio são os meses mais quentes, e é bom evitá-los, já que a sensação térmica pode ultrapassar os 40 graus. A época chuvosa vai de junho a outubro.

Siem Reap e calor são praticamente sinônimos e caminhar durante horas pelos templos, pode ser bem cansativo, por conta da sensação térmica. Protetor solar, boné e (muita) água não devem ficar de fora da mochila — muita gente leva guarda-chuva para se proteger do sol.

É preciso se vestir segundo a tradição budista para entrar em alguns templos. Ombros e pernas devem estar cobertos — nada de regatas. Mas tem uma dica para não fritar no calor: vá de short e leve uma calça fácil de colocar por cima. Assim, basta vestir a calça nos templos com restrição de roupas e guardá-la na mochila nos demais. (LM/TM) 

 

Surpreendente Camboja

 

Pouco conhecido pelos brasileiros, o país revela segredos surpreendentes , como o Buda no interior de um templo(foto: @mundoparaduas/Instagram)
Pouco conhecido pelos brasileiros, o país revela segredos surpreendentes , como o Buda no interior de um templo (foto: @mundoparaduas/Instagram)

 

Uma dica? Se a Tailândia for destino de sua viagem dos sonhos, dê uma esticada até o Camboja para dar uma espiadinha. Voos entre esses dois países vizinhos são bem baratos por companhias low cost — você chega rápido e paga pouco. Os principais aeroportos ficam em Siem Reap e Phnom Penh (capital). Dependendo por qual chegar, a primeira impressão pode mudar um pouco, mas no somatório das coisas, Camboja acaba sendo Camboja de qualquer jeito: um país tão pouco explorado por brasileiros que chega a ser exótico dizer:“Estive lá”.

Confessamos que nos primeiros dias não conseguimos entender se gostávamos ou não do país, mas depois percebemos o tanto que ele é encantador e divertido.

Um certo ar de atraso social é evidente, misturado com contrastes de pobreza e riqueza. O interessante é se jogar de cabeça no momento e curtir a imersão cultural. Só conseguimos rir das primeiras coisas que vimos pelas ruas de Siem Reap, logo que chegamos à cidade: um rato morto (parecia uma capivara de tão enorme) envolto por quilos de poeira — porque poeira/terra fazem parte do cotidiano cambojano; uma gambiarra gigantesca de quilômetros de fios tão embolados que só gênio em instalação elétrica é capaz de fazer: o poste estava até capenga por conta do peso dos fios, que se enrolavam até o chão. Arrependimento até agora por não ter fotografado essa arte da improvisação elétrica.

Andar pelas ruas é ouvir, a cada minuto, motoristas dizendo, incansávelmente “— Hello, Tuktuk?”. E sim, provavelmente essa será a frase mais ouvida por você no país. Continuando o assunto transporte, viajar de ônibus pode ser uma experiência única. Já pensou em fazer uma viagem noturna em um ônibus que, em vez de cadeiras, tem beliches (beliches!) separados por um corredor onde apenas uma pessoa consegue passar por vez? Detalhe: em cada cama cabem duas pessoas. Provavelmente ninguém se preocupou muito com a segurança no projeto desses veículos, mas que é bem mais confortável — e diferente — fazer uma viagem longa assim, é. Como nem tudo são maravilhas, também viajamos em um ônibus que quebrou no meio da estrada. O herói foi o próprio motorista, que examinou o motor e fez mágica para consertar o erro. “Welcome to Cambodia!”, disse uma gringa quando começou o perrengue — mais de uma hora parados na estrada.

Alimentação é outro assunto delicado em todo o Sudeste Asiático, mas que no Camboja ganhou um certo tom trágico e cômico — depois que passou, claro; o “durante” foi apenas trágico mesmo. No mesmo dia em que tivemos uma intoxicação alimentar, faltou sorte com o banheiro do hotel em que estávamos: todos entupiram ao mesmo tempo. Resultado:problema de encanamento. Daí você já tira: o Camboja pode ser intenso. Muito intenso. Mas nada ofusca a visita ao país, cheio de cenários incríveis.

O complexo de templos do Angkor é, sem dúvida, um dos lugares mais impressionantes em que estivemos nesses cinco meses de mochilão. Além disso, praias maravilhosas, paradisíacas e pouco exploradas deixaram a experiência ainda mais empolgante — e relaxante. Já a capital trouxe uma impressão que chegou a surpreender: as cidades com ar de interior ganharam um tom bem urbano — algumas vezes parecíamos estar andando por grandes cidades brasileiras. As ruas de terra dão lugar a grandes avenidas pavimentadas, calçadões à beira-rio e muitas opções de lazer. Phnom Penh vale a visita para conhecer mais sobre a cultura e a história (sofrida) do país, marcado por um genocídio causado pela guerra civil, entre as décadas de 1960 e 1970 — um passado triste e muito recente. Praticamente todos os cambojanos participaram do conflito ou têm algum parente que foi morto, torturado, preso ou forçado a fazer um trabalho braçal intenso (dica: o filme First they killed my father, baseado em uma história real, produzido e dirigido por Angelina Jolie, é explicativo e emocionante). Locais históricos e museus são paradas obrigatórias para sentir de perto esse passado tão triste. Em Phnom Penh, a gente aprende a entender e a respeitar o ritmo mais lento de desenvolvimento social. 

 


* A jornalista Luiza Machado e a fotógrafa Tatiana de Moraes são duas mochileiras colaboradoras do caderno de Turismo. Na estrada desde novembro, elas visitaram sete países nos últimos cinco meses e não têm data para voltar a Brasília, onde moram. Enquanto descobrem lugares incríveis, a aventura das duas pode ser acompanhada no perfil de Instagram @mundoparaduas.


Programe-se

Os ingressos são vendidos de acordo com o número de dias no complexo. O passe para um dia custa 37 dólares americanos; 3 dias, 62 dólares americanos; e 7 dias, 72 dólares americanos. Se você comprar o ingresso depois das 17h, pode entrar para assistir ao pôr do sol no mesmo dia e usar o passe no dia seguinte.

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