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Correio Braziliense COREIA DO SUL

Coreia do Sul: o passado mora aqui

O passado histórico das Coreias ficou no Sul. Conhecido pelos avanços tecnológicos, o país abriga construções centenárias - algumas com mais de 200 anos. Um contraste surpreendente e encantador


postado em 09/05/2018 20:00 / atualizado em 09/05/2018 16:01

(foto: RENATO ALVES /CB/D.A Press)
(foto: RENATO ALVES /CB/D.A Press)

São muitos os templos, os palácios, os muros e as vilas centenárias no lado Sul da península coreana. Quase tudo pode ser visitado em uma viagem de carro ou de ônibus pelo país. A maioria fica perto de Seul e as atrações incluem apresentações culturais. Conheça os mais belos, importantes, bem conservados e fascinantes sítios históricos do país famoso pela alta tecnologia e pela eficiência. 

 

Fortaleza coreana  


A maior parte do que restou de edificações do período em que as Coreias eram uma só está no lado Sul. As bombas lançadas pelos americanos e aliados dizimaram o que havia no Norte, no conflito do início dos anos 1950, tecnicamente em vigor, mas perto do fim, após o encontro histórico dos líderes das nações vizinhas.

A pouco mais de 30 quilômetros de Seul, a cidade de Suwon concentra uma das maiores quantidades de construções históricas coreanas. É possível chegar a ela até por metrô. E por lá circular com uma bicicleta. Mas há outras opções, como táxis, ônibus turístico e mesmo a pé.

Circulando templos, um palácio real e lindos jardins, a grande atração é a muralha de 6 quilômetros de extensão, que protegia a cidade antiga. Erguida no fim do século 18, ela pode ser percorrida a pé.

O percurso leva, em média, três horas. Mas o tempo varia de acordo com o interesse do visitante, do clima (que vai de muito quente a extremamente frio, dependo da época) e da condição física.

Realeza
No interior da muralha, o Palácio Hwaseong Haenggung é a mais concorrida atração. Ao atravessar o portão principal, começa um passeio pelo estilo de vida dos governantes da dinastia Joseon. Os pavilhões do complexo permanecem como há mais de 200 anos. No interior dos salões, há bonecos e cenários que recriam a vida no palácio, com móveis de época.

Destinado ao descanso do rei, o palácio serviu de refúgio à família real durante uma das invasões japonesas. Outra referência do palácio é que ele serviu de cenário para a badalada festa de 60 anos da mãe do rei Jeongjo, Hyegyeonggung Hong, e muitos outros eventos.

Uma cena recria o banquete que Jeongjo preparou para a mãe, que incluiu 12 aperitivos, 70 pratos principais e 42 decorações de flores. Alguns dos escritórios menores e salas residenciais mostram funcionários no trabalho.

Batalha
Nos dias de hoje, com trajes tradicionais e cópias das armas antigas, o turista pode conferir, no portão principal do palácio, em todos os domingos de abril a outubro, uma cerimônia da guarda Jangyongyeong.

Os soldados, incluindo mulheres, fazem acrobacias, exercícios de arco e flecha e simulações de lutas. Tudo perfeitamente sincronizado, ao som de sinos e tambores, bandeiras e roupas coloridas.

 

Tragédia familiar 

A construção da muralha nada tem a ver com os constantes conflitos sangrentos na região. O rei Jeongjo — 22º monarca da dinastia Joseon — queria transformar Suwon na capital do país para ficar perto do túmulo do seu pai, o príncipe Sado. O plano incluía a construção de um forte e de uma muralha que cercaria toda a cidade.

Sado havia sido executado por ordem do pai. Ambos tinham uma relação conturbada. Ela piorou em 1757, quando a mãe e a mulher de Sado morreram um mês depois da outra. O príncipe começou a apresentar sinais de transtornos psicológicos e ficou cada vez mais violento.

Temendo pela segurança dos netos, o rei ordenou que ele fosse amarrado e colocado em um cesto de madeira, usado para guardar arroz em dias quentes. O príncipe implorou por misericórdia. Morreu no oitavo dia de confinamento, de fome.

A construção da muralha começou em 1794 e terminou em 1796. Foram usados blocos chamados de seokjae e jeondol. Os espaços entre eles permitiam o disparo de flechas e outras armas, em caso de invasão.

Com a muralha pronta, o rei Jeongjo realocou várias famílias para morarem em sua volta, dando início à urbanização de Suwon. Dessa forma, Suwon se tornou a primeira cidade planejada da Coreia do Sul.

Danificada na Guerra da Coreia, a muralha foi restaurada em 1970. Desde 1997 é considerada patrimônio mundial pela Unesco.

O parque dos sanitários 

(foto: Na praça, esculturas de pessoas dispostas nos diversos tipos de mictórios )
(foto: Na praça, esculturas de pessoas dispostas nos diversos tipos de mictórios )

Ainda em Suwon, há um parque e um museu dedicado a um hábito antigo, tão antigo quanto a existência humana. Eles expõem sanitários e os modos do homem fazer as suas necessidades. O parque e o museu são os únicos desse tipo no mundo.

No formato de uma gigantesca privada, o museu fica no meio de uma praça que reúne várias estátuas de adultos e crianças defecando. Um dos destaques é uma estátua inspirada em O Pensador, de Auguste Rodin, sentado em um vaso sanitário. Entre uma escultura e outra, há cenários de pessoas em poses que “revivem o momento do alívio”, bem como vários tipos de mictórios adornados com flores.

Benefícios da higiene
Conhecido como a Casa do Senhor Sanitário, o edifício em forma de privada clássica foi a casa de Sim JaeDuck, fundador e primeiro presidente da Associação Mundial de Vasos Sanitários.

(foto: Museu tem formato de uma privada )
(foto: Museu tem formato de uma privada )

Diz a lenda que JaeDuck, ex-prefeito de Suwon, fez fortuna com um negócio de produtos de metal para banheiros e por isso foi apelidado de Senhor WC. Vindo de uma família pobre, conta-se que ele é um homem cuja vida literalmente começou em um vaso sanitário e terminou em uma casa em forma de vaso sanitário.

JaeDuck, que morreu em 2009, aos 70 anos,  ganhou fama na Coreia do Sul, quando forneceu os vasos sanitários para os estádios da Copa do Mundo de 2002 e os banheiros públicos construídos para atender aos fãs do futebol.

A organização que ele fundou tem como missão difundir os benefícios da higiene e do uso de sanitários em todo o mundo. Em uma parede de frente para o museu há desenhos infantis de fezes de cores diferentes e sorrindo, algumas saindo do bumbum de uma criança.


 

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