Publicidade

Correio Braziliense COREIA DO SUL

Aldeia coreana é um verdadeiro passeio pelo século 14

Rodeada de montanhas, a aldeia é uma volta no tempo, onde moradores preservam a arquitetura e o estilo de vida passados. Lá vive Samsindang, uma árvore de 600 anos


postado em 10/05/2018 10:00 / atualizado em 09/05/2018 17:37

(foto: Renato Alves/CB/D.A Press)
(foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

Uma aldeia no interior da Coreia do Sul preserva a arquitetura e o modo de vida dos habitantes do país nos séculos 14 e 15. O desenho e a localização da vila (cercada por montanhas cobertas de florestas e de frente para rios e campos agrícolas abertos) refletem a distinta cultura confucionista aristocrática da parte inicial da dinastia Joseon.

Localizada em Andong, Gyeongsangbuk-do, a Aldeia Folclórica Hahoe era o lar de descendentes do clã Ryu de Pungsan. Local de nascimento de renomados estudiosos do Período Joseon, a vila se tornou ainda mais famosa depois da visita da rainha Elizabeth da Inglaterra, em 21 de abril de 1999. Onze anos depois ganhou o título de Patrimônio Mundial da Unesco.

No Palácio Hwaseong Haenggung, em todos os domingos de abril a outubro, é apresentada uma cerimônia da guarda Jangyongyeong (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)
No Palácio Hwaseong Haenggung, em todos os domingos de abril a outubro, é apresentada uma cerimônia da guarda Jangyongyeong (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

No sopé da Montanha Hwasan, um desdobramento da montanha Taebaek que se ergue a leste, a aldeia é cercada pelo rio Nakdong. À margem dele, se desdobram praias e pinheiros antigos. Os visitantes podem pegar um barco para uma vista panorâmica da vila.

O local onde se encontra uma grande árvore de zelkova com 600 anos é o mais alto da aldeia. A árvore é chamada Samsindang, na qual muitos coreanos acreditam residir uma deusa chamada Samsin.

Cotidiano
A aldeia fornecia tanto alimento físico quanto espiritual às paisagens circunvizinhas. O centro do perímetro urbano é povoado por grandes casas de telhado de telha pertencentes ao clã Ryu e casas de colmo cobertas de palha, antigamente destinada aos plebeus.

Os artistas usam trajes tradicionais e cópias de armas antigas (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)
Os artistas usam trajes tradicionais e cópias de armas antigas (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

Os visitantes circulam a pé pelas ruas estreitas, passando em frente às residências hoje habitadas por famílias comuns fazendo coisas comuns, sem se importar com a presença dos turistas. Há escolas, restaurantes, bares, entre outros.

Pequenos restaurantes oferecem deliciosas iguarias locais, como o andong soju (bebida alcoólica destilada), o heotjesabap (um tipo de bibimbap comido pelos nobres), o andong gangodeungeo (cavala salgada) e o andong guksu (espécie de prato de macarrão).

Teatro
A vila de Hahoe também conservou a peça de dança de máscaras de Hahoe Byeolsingut, um patrimônio cultural coreano (leia Para saber mais) Apresentada em um anfiteatro, é uma atração imperdível, mesmo para quem não entende nada de coreano. Por isso é bom se informar dos dias e horários das performances, para conciliar com o passeio pela comunidade.

 

Meio de protesto social 

Pratos típicos da culinária coreana são servidores em pequenas tigelas (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)
Pratos típicos da culinária coreana são servidores em pequenas tigelas (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

As danças das máscaras ofereciam às pessoas comuns da sociedade tradicional coreana um canal para a expressão de emoções e visões que eles não podiam expressar em sua vida cotidiana, um meio de protesto social e para construção da comunidade. Nas peças Monge debochado e Aristocrata arrogante, por exemplo, eles satirizavam a natureza corrupta da elite do poder tradicional.

A dança executada atualmente pode ser dividida em várias categorias. Alguns gêneros foram passados por artistas amadores que aprenderam as habilidades dos anciões da aldeia e as executavam em festivais de comunidades locais. Outras são continuadas por artistas profissionais que viajavam de aldeia em aldeia e, depois, de cidade em cidade, com o apoio de pequenos comerciantes.

Como o tempo passou e a sociedade coreana se modernizou, a dança da máscara mudou. Suas personagens satíricas se tornaram mais pronunciadas. Por outro lado, foram adotados elementos religiosos e espirituais antes recusados como dança da máscara e hoje apresentados como uma forma de entretenimento.

 

Programe-se 

COMO CHEGAR

» Não há voo direto de uma cidade brasileira para alguma cidade coreana. O jeito mais fácil de chegar à Coreia do Sul é por um voo da Korean Airlines (www.koreanair.com). Ele dura cerca de 27 horas, com uma escala em Los Angeles, chegando ao Aeroporto Internacional de Incheon (www.airport.kr), a 56km da capital Seul. De lá saem ônibus e vans para vários destinos dentro do país.

» Outras alternativas são chegar via ferry boat ou avião por meio do Japão, ou via aérea através de companhias como a Qatar, a Emirates e a American Airlines.

QUANDO IR

» As melhores épocas para conhecer o país são outono (a partir de outubro, com suas belas folhagens) e primavera (março a maio, quando boa parte do país se cobre de flores). O inverno é bastante agradável para esquiar, com a temporada se estendendo de novembro a março. O alto verão (julho e agosto) é quente e úmido, com chuvas constantes.

As máscaras eram utilizadas para satirizar a natureza corrupta da elite (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)
As máscaras eram utilizadas para satirizar a natureza corrupta da elite (foto: Renato Alves/CB/D.A Press)

O QUE COMER

» Não há nada mais tradicional na cozinha do que o kimchi, iguaria criada em tempos de escassez que, com o tempo, conquistou a alta gastronomia mundo afora. Feito à base de repolho fermentado fortemente temperado com pimenta e outras especiarias, o sabor marcante do prato típico coreano pode não agradar aos paladares mais sensíveis. Mas, estando na Coreia do Sul, não há como não provar. Nos restaurantes tradicionais são servidos arroz frito com kimchi, macarrão com kimchi, sopa de kimchi, salada de kimchi, bolinho de kimchi e tudo que puder imaginar com kimchi.

» Outra opção tipicamente coreana é o bibimbap, que consiste em uma tigela de arroz coberta com legumes, verduras e carnes finamente fatiadas, guarnecidas por um ovo — normalmente cru. Há ainda o churrasquinho coreano, o clássico bulgogi, que o cliente prepara à mesa, grelhando finas fatias de carne. Tudo acompanhado por pequenos pratos, os bancham, com preparados que podem ser fritos, marinados ou cozidos.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade