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Correio Braziliense TURQUIA

Onde dormem os vulcões, conheça vales, cavernas, mosteiros e construções

Localizada na Ásia e conhecida pelo fascinante passeio de balão, a Capadócia, cidade mais exuberante da Turquia, vista de cima, parece que é só pedra e morro. Mas, ela esconde segredos da civilização, sob as rochas formadas pelas lavas que brotaram do interior da terra.


postado em 13/06/2018 20:00 / atualizado em 21/06/2018 16:00

(foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)


O famoso passeio de balão é o que mais atrai os turistas. Todos os dias, até mesmo aos fins de semana, os balões sobem à medida que o sol nasce. Várias empresas oferecem o serviço na cidade, o que pode ser reservado pela internet, administrado por e-mail e pago no local. Tem de acordar cedo, por volta de 4h da manhã. A maior parte das empresas oferece café da manhã, alguns muito bem servidos. O passeio pode durar uma hora e meia, e terminar com uma taça de espumante, dependendo também da empresa escolhida. Uma viagem que custa cerca de R$ 500 (pagos em euros).

Repito aqui todos os relatos óbvios de que voar de balão é maravilhoso. Um momento de reflexão sobre até onde podemos chegar, ver, conhecer. Quanto menos pessoas no balão, maior o conforto e mais cara a viagem. Até 38 pessoas podem ser transportadas em um só balão. O passeio começa com a visão de formações brancas que lembram dunas. Mas são rochas, o que ficou das larvas de vulcões, hoje inativos, moldadas pela erosão do tempo.

Todos os passeios na Capadócia levam a um momento de reflexão. Há tantas construções de pedra que serviram de igreja ou casa que a cidade é considerada um museu ao ar livre. Algumas dessas cavernas rochosas abrigam pinturas dos tempos bizantinos. Há cavernas que são habitadas por moradores locais. Para os turistas, há até hotéis de pedras. Mas no passado, essas rochas serviram de esconderijo para populações, como os cristãos, que fugiam de guerras, invasões e desastres naturais.

Uma das cidades subterrâneas mais conhecidas é a Derinkuyu, patrimônio da humanidade tombado pela Unesco. Construída embaixo da terra, abrigou cerca de 20 mil pessoas, segundo os pesquisadores. Foi descoberta na década de 1960, quando um morador fazia uma reforma em casa e, ao derrubar uma parede, encontrou um túnel que dava acesso a uma imensidão de cômodos. Há quem acredite que existam outros acessos ainda desconhecidos e muitas outras cidades subterrâneas. Essas construções foram pereservadas ao longo da história por terem sido habitadas por milhares de anos a.C. até o século 19.

Apesar do Islã ser a religião predominante, há respeito por outras religiões e também por símbolos que mexem com superstições, como o olho turco (mais conhecido entre os brasileiros como olho grego). No Vale dos pássaros, por exemplo, há uma árvore enfeitada com fitas azuis, repleta de olhos turcos, e — dizem — ajuda a espantar o mau olhado.

(foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)


“Vocês querem coxinha? Coxinha de frango”. Pergunta Kemal Cingil, adorável chef de cozinha de um dos hotéis de Goreme, centro da Capadócia. Ele conta entusiasmado que toda semana uma brasileira vende coxinhas para o hotel.

Os moradores da Capadócia falam com carinho dos brasileiros. Sentem saudade da explosão turística em 2005 quando a cidade virou cenário da novela Salve Jorge, exibida na TV Globo. Assistir novela é um vício na cidade, principalmente entre os homens, que acompanham as produções locais. Eles conhecem os nomes dos atores de cor. No caso dos artistas brasileiros, há quem fale com tristeza sobre a morte do ator Domingos Montagner, que estrelou a produção.

Uma brasileira que mora na Capadócia inspirou a personagem da atriz Cléo Pires na novela. A dançarina Clara Sussekind nasceu em Copacabana, no Rio de Janeiro. Na companhia de um namorado, fez uma viagem de alguns meses na Turquia, mas já está lá há 10 anos. É considerada a maior bailarina de dança do ventre da Capadócia e se apresenta em um número de dança turca, o Giro Sufi – também conhecido como Deviches Rodopiantes, em que a pessoa gira como se estivesse em transe. “É um lugar mágico, a Capadócia é linda. Sair do Brasil, que é tão longe, atravessar todo esse oceano vale a pena sim”, afirma Clara.

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