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Correio Braziliense TURQUIA

A fé com liberdade, o único país islâmico que é laico

De maioria muçulmana, é o único país islâmico que é laico. A população é chamada às mesquitas cinco vezes por dia, mas não é obrigada a ir ou a fazer orações


postado em 15/06/2018 10:00

Para visitar as mesquitas, como a de Aya Sofia, é preciso respeitar as regras sobre as vestimentas(foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)
Para visitar as mesquitas, como a de Aya Sofia, é preciso respeitar as regras sobre as vestimentas (foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)


Cada cidadão turco pode escolher sua religião. A população é formada por 99% de muçulmanos e 1% de cristãos e judeus. A constituição turca não obriga ninguém a participar de cerimônias e ritos religiosos. Mas é possível perceber, em cada passo por Istambul, o quanto a fé rege a cultural local. Para os turistas, é um encantamento à parte conhecer as mesquitas e ouvir pela cidade o chamado para a oração, feito por meio de megafones instalados no topo das mesquitas. O “athan” ou “azan” é o nome do chamado, ouvido cinco vezes ao dia, de acordo com a altura do sol no céu.

Quando ele ecoa, falado ou cantado em turco, os turistas não podem permanecer nas mesquitas, reservadas apenas aos muçulmanos para oração. Algum tempo depois, elas reabrem e voltam a encher de estrangeiros encantados com a altura e os detalhes trabalhados desses templos. Algumas mesquitas têm jardins ao redor, um convite para piqueniques ou, até mesmo, para deitar e descansar.

Os chamados para as orações é feito por meio de megafones. O
Os chamados para as orações é feito por meio de megafones. O "athan" ou "azan" é ouvido cinco vezes ao dia (foto: Basilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)


As regras são simples para conhecer uma mesquita: não pode entrar com roupas justas, decotadas, bermudas ou vestimentas com as pernas de fora, e deve-se usar sempre um véu cobrindo os cabelos, no caso das mulheres. Nem todo mundo sabe disso ou se esquece. Sem problema. Na entrada de cada mesquita, são oferecidos saiões e blusões para colocar por cima da roupa, na cabeça, de graça, e poder entrar no local. Há também um “guarda- volumes” para deixar os sapatos do lado de fora dos templos. Tem gente, que sem levar em consideração os riscos, guarda a bolsa no local. Mas não há praticamente nenhuma segurança ou identificação. Por isso, não é raro encontrar turistas desolados por terem perdido alguma coisa.

Em conversa com um turco, é possível perceber que apesar da fé ser uma característica forte do povo turco, não é obrigatório ir às mesquitas diariamente, nem rezar todas as vezes em que o chamado é feito. Dentro da religião, há uma liberdade de devoção pouco mencionada. O extremismo existe para quem não conhece. Dessa forma, em Istambul, que mistura a tradição e a modernidade, é possível ver mulheres com ou sem véu, usando calça jeans, ou usando um vestido de mangas compridas e mais largo com o véu cobrindo colo e cabeça. A burca, deixando apenas os olhos à mostra, é mais raro de se ver nas ruas.

Curioso ainda mencionar que, apesar de ter a maioria muçulmana, a Turquia é o único país islâmico que é laico de acordo com a Constituição, ou seja, sem religião oficial. Ainda que com preceitos definidos como as orações diárias, o jejum no período do ramadã e a peregrinação à Meca, a religião segue a linha sunita. Isso quer dizer que tem interpretações mais flexíveis dos textos sagrados e ações religiosas e políticas mais conciliatórias.

 

 Sabores turcos

 

(foto: Brasilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Brasilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)


O barulho desesperado de sinos no meio da rua é um indicativo de que há uma banquinha de sorvete por perto. Tomar sorvete na Turquia é uma experiência turística. Os vendedores usam roupas que lembram as do personagem Aladim, manuseiam os sorvetes com bastões enquanto gritam e batem em sinos no teto. São verdadeiros artistas, brincam com quem só quer tomar um sorvetinho. O sorveteiro entrega a casquinha com a mesma rapidez que a tira da mão do comprador.

O sorvete é feito de leite de cabra, o que na boca é muito cremoso, mas quando toca em uma colher, ou no bastão que está na mão do vendedor, gruda feito chiclete e sai rapidinho da mão de quem segura a casquinha. Eles se divertem ao ver a surpresa das pessoas que quase se revoltam por não conseguirem ficar com o sorvete. Isso acaba atraindo quem passa pela rua e, em poucos minutos, você vira parte de uma atração de malabarismo em que é feito de bobo pelo carismático sorveteiro. Uma casquinha simples custa cerca de R$ 20 na Taksim, uma rua super comercial de Istambul.

A Taksim é um bom lugar para se hospedar para quem não se incomoda com o barulho de uma cidade que parece não dormir. Fica perto de tudo e abriga um número considerável de confeitarias. Tão surpreende quanto as pedras preciosas da Turquia é a quantidade de doces e sobremesas tipicamente turcas. Várias delícias. As lojas são sempre coloridas e com certeza parecem transportar as pessoas a um sonho de infância.

(foto: Brasilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Brasilia Rodrigues e Mariana Camargo/Esp. CB/D.A Press)


A baklava é um folheado com amêndoas, pistache e um líquido extraído do leite da cabra que deixa tudo mais saboroso. Há também o manjar turco, uma goma feita de água de rosas ou limão, que em algumas lojas ganha inúmeras versões: com ou sem chocolate, pistache, nozes, côoco e outras frutas. Tem iogurtes maravilhosos servidos com mel. Fica muito difícil dizer qual é o melhor. Mas, com certeza, a sobremesa que mais causa estranhamento é um doce feito com frango. Isso mesmo, frango desfiado. No cardápio, traduzido para o inglês, vem escrito “chicken” e você acha que está lendo errado. Essa iguaria é uma das preferidas pelos turcos. É uma massa que gruda a cada mordida, lembra um manjar brasileiro mais consistente, que a gente vai comendo e sentindo os fios repuxando, só no finalzinho fica o gosto de frango.

Entre as opções de comida salgada, o kebab é o queridinho de todos. Onde tem kebab bom, tem potinhos de barro na calçada no meio da rua. A carne está lá dentro dormindo com temperos que dão o sabor. Alguns restaurantes anunciam o “kebab time”, hora do kebab, em que o momento de quebrar o pote de barro para servir a carne vira festa. Uma pequena fogueira é acesa para esquentar por dentro o pote, que é rachado com uma faca num golpe direto sem deixar o barro em muitos pedaços, apenas o necessário para despejar a carne muito quente no prato.

Para os vegetarianos, há muitas opções que levam cogumelos e legumes cozidos e servidos em caçarolas de pedra ou barro. Muito quente. Além disso, há várias carrocinhas que vendem milho, que serve de lanche na rua. Andando pela região de Sultanahmet dá para encontrar milho de R$ 1 a R$ 3,50. As mesmas barraquinhas vendem avelãs quentinhas sem casca a quilo, algo como 1kg por R$ 7. Mas, às vezes, se você comprar muitos milhos pode ganhar uma avelã de presente.

 

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