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Correio Braziliense FESTAS JUNINAS

A tradição pede passagem, uma das melhore épocas do ano chegou

O clima esfria e pede uma fogueira. Toda a gente se achega e a animação começa. Não falta comida de milho, sanfona, quadrilha e quentão. Venha dançar, comer e brincar nos festejos brasileiros


postado em 29/06/2018 10:00

(foto: Maior São João do Cerrado/Divulgação)
(foto: Maior São João do Cerrado/Divulgação)


As festas juninas do Nordeste brasileiro são conhecidas por todo o país, mas engana-se quem pensa que as outras regiões não celebram essa data. As comidas típicas, fogueiras e as quadrilhas são elementos tradicionais que podem ser encontrados em diversas partes do Brasil, mas cada região tem sua peculiaridade na hora de celebrar o período.

O Ministério do Turismo (MTur) pretende fazer do São-João um produto turístico nacional e agitar a baixa temporada, que não tem um fluxo de turistas tão expressivo quanto no verão. A meta é atrair estrangeiros e estimular brasileiros a participar das festas em junho e julho. Fogueiras, mastros, quadrilhas, decoração com bandeirinhas e música — embaladas pelo ritmo do forró — compõem o quadro de uma autêntica festa junina, mas há diferenças. O modelo tradicional, herdeiro do Nordeste, recebe boas doses de tempero local — referências folclóricas, inclusive. Na Região Nordeste, o São-João é celebrado em sítios, paróquias, nos arraiais e nos espaços públicos das cidades.

As festas do Sul proporcionam um tour pela cultura regional. Alguns participantes usam trajes caipiras, outros investem em roupas tradicionais gaúchas. Os homens usam trajes de peão; as mulheres, roupas de prenda (vestidos volumosos). Em Santa Catarina e no Paraná há apresentações de quadrilhas com o tradicional casamento na roça e grandes fogueiras. A dança das fitas, ao redor de um mastro, faz sucesso na região.

 

(foto: Maior São João do Cerrado/Divulgação)
(foto: Maior São João do Cerrado/Divulgação)
 

 

Na Região Norte, a criação de bovinos, introduzida por Portugal nas cidades de Belém, Parintins (AM) e Manaus, resultou no boi-bumbá, também conhecido como bumba meu boi, dançado em homenagem aos santos em junho e outras datas do ano. Os dois grupos famosos, Caprichoso e Garantido, disputam o título de campeão no Bumbódromo de Parintins, entre os dias 28 e 30 deste mês.

E, na Região Central, a polca paraguaia é dança famosa em cidades da fronteira. Em Mato Grosso, o Festival de Quadrilha do Araguaia ocorre há 15 anos. A competição é uma das mais esperadas na cidade. Os trajes são bem elaborados e os grupos capricham na sincronia. No estado de Goiás, a música sertaneja embala os participantes.

 

Os moradores da região mais fria do país celebram as festas de São João e São Pedro ao redor da fogueira para se aquecerem. É comum que as roupas utilizadas sejam vestidos de prenda rodado para as meninas e a bombacha e o lenço no pescoço para os meninos. Músicas como o vaneirão, o chamamé e o xote gaúcho embalam as festas. O churrasco, amendoim, canjica e a pipoca são alimentos típicos dessas festas, bem como o pinhão. Para beber, é claro que não pode faltar o chimarrão!

 

(foto: Maior São João do Cerrado/Divulgação)
(foto: Maior São João do Cerrado/Divulgação)
 

 

Desde 1916, o município de São João de Itaperiu, no norte de Santa Catarina, realiza a festa. A tradicional fogueira é a maior do estado, com 30 metros de altura. A festa conta com missas, shows regionais, fogos de artifício, feira agrícola, parque de diversões e espaço para Food Truck. Uma das tradições é que os presentes pulam as brasas da fogueira. De acordo com o prefeito do município, Clezio Fortunato, cerca de 30 mil pessoas são esperadas na festa do município que tem cerca de 3 mil habitantes.

As festas juninas do Centro-Oeste, além da quadrilha convencional, têm como tradição a dança “cururu”, comum no  Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É claro que a música sertaneja não fica de fora do arraial, já que o estado de Goiás é berço de vários artistas desse gênero. A festa também é influenciada pelas tradições dos países que fazem fronteira com a região, como o Paraguai. As comidas típicas ficam por conta da sopa paraguaia (uma espécie de bolo de queijo), farofa de banana, revirado cuiabano e arroz carreteiro, além dos alimentos feitos com milho como pamonha, cural de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho.

 

No Sudeste, gostos com jeitinho caipira 

No fim de semana, o concurso de quadrilhas vai esquentar os festejos(foto: Carlos Augusto/Divulgação)
No fim de semana, o concurso de quadrilhas vai esquentar os festejos (foto: Carlos Augusto/Divulgação)
 

 

Na região Sudeste, as festas são chamadas de quermesses e nelas são montadas barraquinhas de comidas e bebidas típicas, como milho verde, canjica, arroz doce, tapioca, churrasquinho, quentão e vinho quente. Existem também as barraquinhas com as brincadeiras típicas, como boca do palhaço e pescaria. Quem joga pode levar pequenos prêmios dependendo de desempenho na prova. Os trajes típicos são inspirados na imagem caipira, com roupas remendadas e floridas. Na dança da quadrilha, um puxador dá os comandos durante a música.

Na 40ª edição, o Arraial de Belo Horizonte (MG) vai até o dia 15 de julho e tem como objetivo valorizar as tradições mineiras. Este ano o destaque é a culinária. A cidade tem o maior número de bares e restaurantes por habitante do Brasil e, por isso, foi criado o Circuito Gastronômico, onde será feita uma amostra desses estabelecimentos. Além disso, haverá o concurso Prato Junino, onde chefs de cozinha vão criar, junto com os alunos de gastronomia uma receita que tenha a cara da festa. De acordo com Aluizer Malab, presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). A cidade inteira estará em clima de arraial, mas para os eventos oficiais da cidade são esperadas 250 mil pessoas até o fim dos festejos.

Além do tradicional concurso de quadrilhas juninas, a edição deste ano vai contar com shows de artistas sertanejos, como as duplas Bruno e Marrone e Edson e Hudson. E para temperar ainda mais a festa, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Belotur, dará destaque à gastronomia durante toda a programação.

 

(foto: Rodrigo Soldon/CB/D.A Press)
(foto: Rodrigo Soldon/CB/D.A Press)
 

 

Tenho certeza de que estamos lançando mais um grande sucesso da Prefeitura de Belo Horizonte. Essa que será a maior festa junina da cidade de todos os tempos, com quase 200 eventos em um mês e com o festival gastronômico. O que mostra que a cidade vem crescendo a cada ano, a cada evento, e se tornando uma cidade alegre e mais participativa. E é isso que nos interessa: é gente trabalhando com seriedade para uma cidade bonita e gostosa de se viver”, afirmou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil.

“Nosso Arraial já tem excelência na dança, representada pelos grupos de quadrilhas, e na música, com os grandes shows que levamos para a Praça da Estação. Agora, a ideia é colocar a gastronomia sob os holofotes e valorizar essa riqueza que temos na cidade. A nossa culinária é um dos principais atrativos turísticos de Belo Horizonte. Vamos mostrar o potencial que ela tem também dentro das tradições juninas”, comentou Aluizer Malab, presidente da Belotur.

Muito amor

Um dos momentos tradicionais da festa, o casamento na roça, deu início à história de amor entre Jadison Nantes e Juliana Nantes. Aos 36 anos, ele é diretor artístico da São Gererê, atual vencedora do Concurso de Quadrilhas do Arraial de  Belo Horizonte, presidente da União Junina Mineira e vice-presidente da Confederação Brasileira de Entidades de Quadrilhas Juninas. Em 2002, tornou-se noivo da quadrilha, um dos principais papéis entre os dançarinos. A noiva Juliana já ocupava o cargo desde 1997. No dia do resultado do concurso de 2002 que eles se declararam oficialmente, e, o que era apenas uma brincadeira, virou realidade. Em 2011, o casal oficializou a união e as damas de honra e os pajens do casamento entraram com roupas juninas e ao som da clássica “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. No dia de São João em 2014, por parto normal, a filha do casal Odara nasceu. Jadison acredita que pra ser quadrilheiro, é preciso de muito amor.

 

Gastronomia em destaque

(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
 

 

E a disputa junina também chega à mesa. Entre as tantas novidades este ano, o arraial na capital mineira vai promover uma mistura de MasterChef junino com o tradicional comida de boteco. No fim de semana, um evento do Mercado Central apresentou os pratos vencedores do concurso de gatronomia que teve a participação de estudantes de quatro faculdades de BH. A disputa do “Prato Junino” tem como objetivo requalificar a área gastronômica do Arraial de Belo Horizonte. Da Faculdade Senac, o prato camadas de junho foi o grande vencedor. Já a seletiva da Faculdade de Gastronomia Promove elegeu o escondidinho de canjiquinha com creme de queijo. Da Estácio Sá venceu o prato porquinho no milharal. E o belôcaldo, feito com batata-baroa com ora-prô-nobis, frango e farofa de bacon, servido em panhoca de milho foi o vencedor na UNA.

Outro projeto de gastronomia dentro dos festejos será o Circuito Gastronômico Arraial de Belo Horizonte, em que 23 bares e restaurantes da cidade disponibilizarão em seu cardápio uma opção junina. A ideia é fortalecer a culinária da época, oferecendo aos moradores e turistas receitas com ingredientes típicos, como o milho, a carne seca e o amendoim, entre outros. O circuito é feito em parceria com a Abrasel.

E para completar a comilança, uma Vila Gastronômica Junina estará presente nos dias de festa na Praça da Estação. Com decoração típica, o local será ambientado para receber, com conforto, o público do arraial. Destaque para tenda Saberes Alimentares. Nela, expositores de projetos como Direto da Roça e Territórios Sustentáveis comercializarão quitutes juninos com base em milho, amendoim, coco e mandioca. O objetivo é resgatar métodos tradicionais de produção e uso de ingredientes como a rapadura de cana-de-açúcar, usada para adoçar mingaus e quitandas. Na tenda também serão apresentadas, por meio de parceria com o programa Primórdios da Cozinha Mineira, do Senac, as rotas gastronômicas mundiais que trouxeram a festa junina a Minas Gerais.

 

(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
 

 

Em 30 deste mês e 1º de julho, a Vila Gastronômica do Arraial recebe a Carreta Escola do Senac, onde serão ministrados cursos e palestras sobre gastronomia de origem, com professores e alunos do curso de gastronomia da Faculdade Senac.

Serviço

Programação Praça da Estação

Concurso Municipal de Quadrilhas
Grupo Especial: dia 30, a partir das 19h; e 1º de julho, a partir das 17h

Shows
Bruno e Marrone: 1º de julho, às 21h

Circuito gastronômico
De 15 de junho a 15 de julho, em 23 restaurantes da cidade
Confira lista dos participantes https://goo.gl/Hm89oB

Arraial de Belo Horizonte
Um aplicativo informa os detalhes da programação dos festejos juninos da capital. O app Arraial de Belo Horizonte poderá ser baixado gratuitamente para Android, na Play Store, e para iOS, na Apple Store. Ele informa datas, horários e localização (georreferenciada) dos eventos, tanto os oficiais quanto os da programação associada.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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