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Correio Braziliense CEARÁ

Além dos pés na areia: os encantos de Baturité para quem vai ao Ceará

Em Baturité, a serra verdadeira, como denominaram os índios da região, o clima é mais ameno e a paisagem se transforma. Montanhas e abismos levam à Rota Verde do Café


postado em 14/07/2018 10:00 / atualizado em 12/07/2018 15:12

(foto: Laura Goes/Divulgação)
(foto: Laura Goes/Divulgação)

 

 

“...Oh, quanta saudade
Que eu tenho de lá
Oh, quanta saudade...”


(No Ceará é assim, Fagner)
 

 

Quem vai ao Ceará geralmente espera encontrar praia ou sertão. Mas, a 1h30 de carro da capital, a região do Maciço do Baturité, formada pelos municípios de Mulungu, Guaramiranga, Pacoti e Baturité, prova que há muito mais a ser descoberto no estado. Área de proteção ambiental, é numa ilha verde de Mata Atlântica que o café prospera desde o século 19. Com fauna e flora ricas, a região é um paraíso para pesquisadores e amantes da natureza e é onde surge a Rota Verde do Café, formada por museus, sítios referências em produção cafeeira e até um mosteiro. Esses locais buscam, por meio do turismo, desenvolver a sustentabilidade e valorizar a história de um Brasil que nem todos conhecem.

A estrada que leva os visitantes à Rota Verde do Café conta com desvios acentuados. As serras e os abismos começam a aparecer, o número de curvas aumenta, a paisagem vai mudando, e os visitantes já nem parecem mais estar no Ceará. Acostumados com o calor de Fortaleza, enfrentam temperaturas que beiram os 20 graus, oito abaixo da temperatura média da capital.

O nome Baturité é indígena e significa “serra verdadeira”. O professor e pesquisador da história local de Baturité, Levi Jucá, conta que os índios, ao observarem a grande cadeia montanhosa, a comparava com um serrote. “Eles acreditavam que aqui era a serra verdadeira, um lugar sagrado”, conta.

O Correio visitou dois sítios famosos pela produção do chamado café de sombra nos últimos séculos: o Sítio Águas Finas, da família Uchôa, e o São Luís,  que recebeu a primeira muda do café arábica, na década de 1920.


 
Para saber mais

 

Portas abertas

 

Para o próximo ano, as expectativas do turismo cearense são as melhores. A expansão do hub com a Gol e Air France-KLM realizada desde maio tornam o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, próximo de se consolidar a principal porta de chegada de turistas estrangeiros ao Nordeste. O aeroporto, que hoje conta com 48 frequências de destinos nacionais, 14 de destinos internacionais e mais de 80 voos nacionais, somente da GOL e Latam, em 2019, terá 100 voos diários apenas dessas duas companhias. A região espera a chegada de cerca de 70 mil novos turistas estrangeiros por ano. (MF)

 

 

Zelo e Tradição 

 

(foto: Murilo Fagundes/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Murilo Fagundes/Esp. CB/D.A Press)



No Sítio Águas Finas, localizado na pequena Guaramiranga, uma das cidades da Rota Verde do Café, os turistas podem visitar uma plantação de cerca de sete hectares, saborear o fruto, acompanhar o processo de secagem e torragem e, por fim, provar o delicioso e premiado café do produtor Francisco Uchôa, 72 anos, que faz a tradição cafeeira da família prosperar. O solo úmido e fértil, a vegetação, a chuva e a altitude favorecem o plantio na região do Maciço. Mas não só esses fatores são responsáveis pelo sucesso.

“Para o café ser bom, tenho que fazer o dever de casa: colher somente grãos maduros (os vermelhos) e secar o café em terreiros suspensos, para livrá-lo da umidade do solo”, diz Uchôa em um dos momentos da visita guiada. Ele se orgulha quando explica sobre a relação da família com a tradição cafeeira. O café mais famoso da região é o “típica”, considerado a joia rara do Brasil e tratado por especialistas como o “lendário típica”.

O sítio Águas Finas existe desde 1939 e era do avô de seu Uchôa, José Castello Uchôa. Para se qualificar, o produtor começou a participar de simpósios e investiu na parte turística quando o local passou a ser um dos pontos da Rota Verde, organizada pelo Sebrae. O produtor, hoje, recebe turistas do mundo inteiro e tem muita paciência para cuidar tanto da plantação quanto da visita. “Preciso de dois ‘p’: paixão e paciência. Busco ser melhor a cada dia”, diz. A produção ocorre de segunda a sábado e, no sítio, é possível comprar pacotes de café moído.(MF)

 

Casarão suntuoso 
 

(foto: Laura Goes/Divulgação)
(foto: Laura Goes/Divulgação)


O Sítio São Luís fica na cidade de Pacoti, região da Serra de Baturité. Para chegar até lá, o visitante precisa tomar cuidado, pois a estrada tem vários caminhos e é fechada pela mata. Mas enfrentar a complexidade das estradas vale a pena, ainda porque geralmente as agências de turismo, já habituadas, escolhem o melhor caminho. Em instantes, a paz do lugar começa a encantar o visitante. O excesso de verde e o silêncio, difíceis de serem percebidos na cidade grande, logo se tornam exuberantes e o que vem à mente é a vontade de agradecer por estar em um lugar tão diferente de tudo.

Ao chegar ao casarão do sítio, a proprietária Cláudia Góes ou uma de suas filhas, Renata e Laura Góes, recebem os turistas. Elas são as responsáveis por administrar o Sítio. No dia em que o Correio esteve por lá, o professor e historiador Levi Jucá também nos recebeu. Em meio ao verde da vegetação que cobre a serra, a uma altitude de 679 metros acima do nível do mar, é possível ver uma construção de majestosas colunas brancas que se fecham em arcos. Na sala de entrada, fotos históricas e registros preenchem as paredes. Nesse local, uma palestra é ministrada e tem o objetivo de contar aos turistas todos os detalhes do lugar histórico que dona Cláudia e família tentam conservar do jeito que foi construído. O interessante é que a família Góes mora no local, ou seja, o casarão não é museu, mas, sim, moradia.

Concebida para romper séculos e atravessar gerações, a Casa do Sítio São Luís é a prova dos tempos áureos do café na Serra de Baturité. Nesse sentido, o historiador Levi revela histórias surpreendentes contextualizadas na tradição do cultivo do café, no Ceará e no Brasil, enquanto os ambientes da Casa são percorridos. “Casarões como o do Sítio São Luís são a prova viva de uma história que é um capítulo especial no Brasil e no Ceará”, diz ele em um dos momentos do passeio.

No fim da visita, depois da palestra, uma surpresa é preparada especialmente para os visitantes: o café do sítio. Pão e ricota caseiros, geleias, uma receita secular do delicioso bolo de café e a própria bebida que leva os turistas ao local enchem as mesas. “Não servimos café colonial. Servimos o café do sítio, feito com muito amor”, diz dona Cláudia, que tem a missão de levar para frente, com as filhas, a história da família.

As visitas no Sítio São Luís podem ser realizadas nos sábados e nos domingos, das 10h às 17h, pelos preços de R$ 25 e R$ 35 por pessoa. Com R$ 25, o turista pode saborear o famoso café do sítio e com R$ 10 a mais assiste à palestra sobre a história do local. Grupos com mais de 10 pessoas precisam agendar horário e recebem desconto.

 

Serviço: 

 

Conheça os seis pontos da Rota Verde do Café:

Museu Ferroviário de Baturité
Baturité (CE)
Mosteiro dos Jesuítas Sítio Olho d’Água, Zona Rural - Baturité (CE).
(85) 33470362
www.mosteirodosjesuitas.com.br
Sítio São Roque
Mulungu (CE)
(85)9.9414.0652, (85) 9.9658.0010, (85) 9.9671.8083 e (85) 9.9994.44.71 / sitiosaoroquece@gmail.com 
Facebook: sitiosaoroqueoficial

Sítio Águas Finas
Guaramiranga (CE)
(85) 3272 0240 / 3221 1226/ 988983233
casaraodosuchoa@hotmail.com

Fazenda Floresta
Guaramiranga (CE)
(85) 3325.1337/ 98547.3856

Sítio São Luís
Pacoti (CE)
85 987290099 / 85 986169837 / 85 986810410
sitiosaoluis@gmail.com / ww.facebook.com/sitiosaoluis
www.sitiosaoluiseaserradebaturite.blogspot.com.br

Nosso Sítio
Pacoti (CE)
(85) 3325.1234
contato@chalenossositio.com.br
www.chalenossositio.com.br

 



* Viagem a convite da Secretaria de Turismo do Ceará

 

* Estagiário sob supervisão de Taís Braga 

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