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Correio Braziliense HISTÓRIA

Ode ao amor. Ovos artísticos da Rússia atraem colecionadores do mundo todo

A Copa acabou, mas o fascínio pela Rússia continua forte. Lá, os ovos Fabergé são objetos de contemplação, mistério e de um trabalho artístico excepcional


postado em 20/07/2018 10:00 / atualizado em 24/07/2018 12:11

(foto: Alexander Demianchuk/Reuters - 17/5/03 )
(foto: Alexander Demianchuk/Reuters - 17/5/03 )


Entre 1885 e 1916, Peter Carl Fabergé criou 50 ovos imperiais altamente artísticos e criativos para a família real russa. Disputados por colecionadores em todo o mundo, os famosos ovos de Páscoa criados pelo joalheiro russo são admirados pela perfeição e considerados expoentes da arte joalheira. Cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas, escondiam surpresas e miniaturas. Muito mais do que apenas símbolos de luxo e opulência, são obras-primas de valor inestimável e seguem sendo disputados em leilões da Christies e da Sotheby’s. Alguns pertencem a colecionadores privados e outros podem ser admirados por turistas em museus na Rússia, nos Estados Unidos e na Alemanha.

A história começou em 1885, como uma prova de amor do czar Alexandre III à sua jovem esposa, Maria Feodorovna. A imperatriz nasceu na Dinamarca, mas foi enviada para a Rússia para um casamento combinado com o mandatário. Longe de casa, Maria sofria de depressão. Ao ver a sua tristeza, Alexandre III encomendou uma joia em forma de ovo para oferecer à esposa como presente de Páscoa.

(foto: Andrew Burton/AFP - 18/4/14 )
(foto: Andrew Burton/AFP - 18/4/14 )

Coberto por esmalte branco por fora, imitando uma casca comum, ele se abre revelando uma “gema” toda coberta de ouro. Essa gema, por sua vez, tem outra surpresa dentro: uma galinha também de ouro. Assim surgiu o primeiro ovo Fabergé, denominado o “Ovo de Galinha”. A partir de então, o joalheiro criou ao menos um ovo por ano, usado para presentear as esposas e as mães dos czares. A tradição na corte foi mantida por mais de 30 anos até a Revolução Bolchevique, que culminou no fim da monarquia na Rússia, em 1917. O trabalho de Fabergé era tão minucioso que ele gastava até um ano para produzir os ovos imperiais. Tudo era feito em segredo.

Em São Petersburgo

A capital cultural da Rússia tem um museu todo dedicado aos ovos Fabergé. Em São Petersburgo, na margem do canal Fontaka, fica o Palácio Chuválovski. Desde 2013, o bilionário russo Viktor Vekselberg resolveu dedicar o local para uma coleção espetacular dos objetos. Cerca de 4 mil peças decorativas estão por lá. Claro, não só a arte de Fabergé, mas também pinturas e esculturas. “Queríamos muito criar um museu que estivesse de alguma forma associado à história da Rússia entre o século 18 e início do século 20. Um dos símbolos desta época foi Carl Fabergé, que atingiu o topo da arte da joalheria”, resumiu, à época, Vekselberg, que aplicou US$ 36,7 bilhões para reconstruir o prédio.

 

 

Curiosidades

 

(foto: Andrew Cowie/AFP - 7/4/14 )
(foto: Andrew Cowie/AFP - 7/4/14 )

 

Em 2012, por pouco, o ovo imperial “Relógio da serpente azul” (foto) não foi fundido. Um homem, nos Estados Unidos, avistou o objeto enquanto procurava produtos de ouro e o comprou por US$ 14 mil, esperando conseguir um dinheiro fácil, vendendo-o a um derretedor de metais. Mas não houve compradores, porque ele tinha superestimado o valor do relógio e das joias dentro do ovo. Desesperado, o homem pesquisou na internet e se deu conta de que podia estar com um ovo Fabergé. Quando o vendedor de sucata procurou o antiquário londrino Wartski, ficou chocado. Os registros apontaram que o ovo de oito centímetros de altura era a terceira joia imperial encomendada pelo czar, na Páscoa de 1887. E que a obra-prima foi retirada de São Petersburgo após a Revolução Bolchevique de 1917 e ficou desaparecida por décadas nos Estados Unidos. O preço: US$ 20 milhões ou R$ 78 milhões.

(foto: John Stillwell/AFP - 22/7/11)
(foto: John Stillwell/AFP - 22/7/11)

 

A rainha de Inglaterra tem três (foto). O rei Jorge V e a rainha Maria de Inglaterra eram verdadeiros fãs de objetos Fabergé e por isso, em 1933, adquiriram três requintados ovos imperiais — o “Colunas”, o “Cesto de Flores” e o “Mosaico”. Atualmente, os ovos pertencem à rainha Elizabeth II, que tem também diversos outros artigos Fabergé colecionáveis, tais como ornamentos, caixas e molduras para fotografias.

(foto: Sotheby's/Reuters - 8/1/04 )
(foto: Sotheby's/Reuters - 8/1/04 )

 

O ovo imperial “Nécessaire”, criado em 1889, sobreviveu à Revolução e foi vendido, em 1952, por uma família de negociantes de antiguidades a um comprador misterioso. Depois disso, se desconhece o seu paradeiro. Esse ovo estava adornado por diamantes, rubis e esmeraldas e servia para guardar acessórios de beleza. Muitos outros, porém, continuam em casas de leilões ou em coleções particulares, sempre com preços exorbitantes, como “O Cuco” (foto), que pode chegar a custar US$ 7 milhões.

(foto: Victor Mayer GmbH & Co KG Pforzheim/Divulgação)
(foto: Victor Mayer GmbH & Co KG Pforzheim/Divulgação)

 

O ovo mais caro produzido por Peter Carl Fabergé foi o de 1913. Feito de cristal finíssimo adornado com gravuras, platina e 3.246 diamantes, ele foi apelidado de “Ovo de inverno” (foto) e ficava em uma base que parecia gelo derretido. Sua surpresa era uma cesta de platina com flores feitas de quartzo branco, ouro, jade e outros materiais preciosos. Na época, ele foi avaliado em 24.600 rublos, em torno de R$ 4.400.


Em 2015, a Polícia Federal fez uma batida na casa do empresário Eike Bastista, onde foi encontrado um ovo supostamente Fabergé. Peritos descobriram, uma semana depois, que a joia não passava de uma réplica comprada por US$ 69.

(foto: Toby Melville/Reuters - 19/11/14 )
(foto: Toby Melville/Reuters - 19/11/14 )

 

A marca foi relançada em 2009 e tem a participação de Tatiana e Sarah Fabergé, bisnetas do joalheiro. Joias inspiradas no trabalho de Peter Carl — muitas delas com detalhes em forma de ovos — são vendidas em lojas de Londres, Nova York, Dubai e Hong Kong, como o anel Devotion (foto).

 

 

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