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Correio Braziliense CARTAGENA

A riqueza da história e cultura no turismo do Caribe

O melhor plano para desfrutar a cidade e entrar no seu espírito é se deixar levar pelo calor, luz e umidade do Caribe e passar horas andando, se deixando levar pela música e pelo rum


postado em 15/09/2018 10:00 / atualizado em 12/09/2018 15:27

(foto: Elias Rovielo/Flickr)
(foto: Elias Rovielo/Flickr)


Criada pelo conquistador Pedro de Herédia há 485 anos, Cartagena foi um dos portos principais do poder espanhol no Caribe, em conjunto com San Juan de Porto Rico e Santo Domingo, e porta de entrada e saída de pessoas e bens para a América do Sul.

Tornou-se uma cidade rica, o que explica os edifícios coloniais preservados com cuidado na “Cidade Amuralhada” e também a mistura de raças que vemos nas ruas: aos índios locais e colonos castelhanos se juntaram a dezenas de negros que os portugueses levaram como escravos e, no último século, os viajantes e aventureiros europeus e norte-americanos, alguns dos quais ficaram. Cartagena é hispânica, africana, indígena e hoje, global.

 

Muralha    

(foto: Bob Zumwalt/Flickr - 11/11/17 )
(foto: Bob Zumwalt/Flickr - 11/11/17 )


O ponto histórico da cidade, tomado como patrimônio da humanidade pela Unesco, é um lugar congelado no tempo, cheio de praças coloniais, igrejas, palacetes e alguns edifícios de especial interesse, como o Palácio da Inquisição e o Museu do Ouro Zenú, que guardam objetos de ouro da cultura indígena da região. Entre as igrejas, a de Sab Pedro Claver é uma das mais destacadas.

Ainda que o melhor seja se perder caminhando pelas ruas, os visitantes que têm pouco tempo para percorrer a cidade podem contratar alguma das visitas guiadas, como a oferecida pela Civitatis (www.civitatis.com), que inclui um passeio pela zona da moderna praia Bocagrande e uma visita ao Forte de São Filipe.

Essa fortaleza é um dos pontos imperdíveis da cidade, tanto pela sua história como pelas vista surpreendentemmente bela que se descortina de cima dos grandes muros. A entrada no recinto custa 25 mil pesos colombianos (cerca de 9 dólares) para o viajante que vá sozinho, enquanto as visitas organizadas costumam custar cerca de 30 dólares incluindo guia, transporte e percurso pelo resto da cidade.


Pracetas e muralhas


(foto: Troy Young/Flickr)
(foto: Troy Young/Flickr)

Para os turistas que reservaram mais tempo para conhecer a cidade, a melhor opção é, sem dúvida, vaguear e se perder com um mapa e sem olhar o relógio. O gabinete de turismo oficial sugere algumas roteiros definidos (www.cartagenadeindias.travel), como o da visita às praças, que começa na Praça da Aduana, uma das maiores. Nela está a Torre do Relógio, foto típica da cidade.

Na praça, para os amantes da música, está “Donde Fidel”, um mítico local de salsa onde é possível beber uma cerveja na última hora da tarde ou da noite, com preços acessíveis. Na praça, há 20 locais de doces típicos regionais, feitos com coco, sabores de frutas e muito mais. Outras pracetas imperdíveis de Cartagena são a de Santo Domingo ou a praça Bolívar.

Os mais dispostos a enfrentar uma caminhada com  subida podem optar pelo roteiro que passa sobre as muralhas que cercam a cidade, de onde é possível ver a área colonial a partir do seu limite, ao mesmo tempo em que observa o Caribe e a zona moderna de Cartagena. Nesse percurso, está o “Café del Mar”, um bar com música chill-out que é ideal para o pôr do sol.

Menos conhecido para o viajante é o bairro de Gethemani. Situado em frente à zona histórica da clássica Cartagena, é o bairro emergente da cidade. Lá foi proclamada, em 1811, a independência da cidade e é uma zona de construções menos notáveis, como se pode ver ao passear nas suas ruas. Mas, nos últimos anos foram restauradas casas e ruas que ficaram repletas de hotéis, lojas e restaurantes mais jovens e descolados.

No bairro, cheio de grafites, e cujo epicentro é a praça da Trindade, é possível encontrar hostels e hotéis boutique maravilhosos e a preços mais baixos do que noutras zonas da cidade. Tudo isso e o fato de que abriga dois dos mais populares bares da cidade para dançar salsa, o “Quebra-canto” e o “Havana”, o tornam numa das zonas de vida noturna mais animadas.


Molduras da cidade
(foto: Guilherme Araújo/Divulgação)
(foto: Guilherme Araújo/Divulgação)

Como não poderia deixar de ser, passear no Caribe e não saborear as praias, é uma viagem incompleta. O certo é que a cidade não tem praias na zona histórica, mas aquelas que existem na zona moderna de Bocagrande também são de águas transparentes e areia branca, como se vê em todas as fotografias que convidam para a visita às mais belas praias.

As ilhas do Rosário, um arquipélago a uma hora de barco da cidade, são uma boa opção para ver um Caribe de águas mais cristalinas e desfrutar do mergulho e outros esportes naúticos.

Os viajantes mais exigentes podem escolher a Ilha Múcura, uma das melhores praias do Caribe colombiano, situado a duas horas de lancha de Cartagena. Na ilha pode passar a noite no hotel Punta Faro, um local ecológico onde o silêncio, a tranquilidade e o respeito pela biodiversidade são regra.

Ainda que tenha serviços de internet e de televisão a cabo, a maioria dos hóspedes não usa. Daí, o slogan do hotel: “Desconecte-se do mundo”. A música e as festas estão proibidas neste paraíso. Entre os atrativos da ilha estão visitar uma lagoa para desfrutar desse espetáculo natural, que é o plâncton com todas as suas luzes de cores dentro de água. (http://puntafaro.com/web/)


Compras
(foto: Ricardo Daehn/CB/D.A Press)
(foto: Ricardo Daehn/CB/D.A Press)

Como todo o lugar turístico, a zona muralhada de Cartagena se tornou um conjunto de lojas de luxo de marcas internacionais e de souvenir. Apesar de tudo, é forçoso reconhecer que a cidade soube manter uma harmonia entre os comércios genuínos para locais, as marcas de luxo internacionais e outros comércios de qualidade local, como a joalheria Luis Alberto Cano, que é uma das referências em joias de ouro e banhadas em ouro com desenhos baseados em motivos pré-colombinos.

Porém, um dos produtos mais característicos da região é destinado ao turista do sexo masculino: a “guayabera”, uma camisa típica do Caribe pode ser feita sob medida na loja do estilista  Edgar Gomez. Entre seus clientes fiéis estão o escritor Gabriel Garcia Marquez, o príncipe Charles, o ex-presidente cubano Fidel Castro e muitas celebridades.

Para orçamentos folgados, as lojas de esmeraldas enchem a cidade. Aos interessados na beleza das pedras, recomenda-se visitar antes o Museu-loja da Esmeralda. E, como tudo em Cartagena, dedique um tempo em olhar as lojas e comparar os preços sem pressa, andando e consultando.

Outro produto marcante, menos caro e tão identificado com a cultura quanto as esmeraldas são os runs, especialmente o “Dictador”, produzido em Cartagena. Antes de comprar uma ou mais garrafas, é possível visitar a Alquimico para degustar os diferentes tipos da bebida. E, se quiser levar da Colômbia um livro de Gabo, o melhor lugar é a livraria Abaco, onde não se deve deixar de experimentar um excelente café. Um lugar para ler, tomar um refresco e escrever postais, se é que ainda existem. 

Fica a dica

A cidade oferece aos visitantes diversas atividades artísticas. Para facilitar o passeio e gerir o tempo da visita, é possível consultar um guia de programação semanal e definir o roteiro.

Diversão
Guia semanal de música, atividades e festivais editado pelo jornal local El Universal. Para ir onde vão os locais.www.donde.co.

Hotéis

A oferta é muito ampla, segundo a Trabber.co. Os hóteis de três e quatro estrelas variam entre os 60 e 100 euros. No bairro de Getsemani, há hóteis de cinco estrelas a partir de 100 euros por noite.

Táxi

São seguros, mas recomenda-se sempre perguntar o preço antes de fechar a corrida. Dentro da área em que se movem os turistas é raro que cobrem mais de 7 mil (2 euros). A Uber funciona, mas os preços são similares. Em seu favor, não precisa pechinchar e contra, pode demorar a chegar.

Câmbio
No lado histórico, têm muitas casas de câmbio que aceitam sobretudo euros, dólares, libras e dólares canadenses. Também aceitam moedas da América Latina, mas nesse caso o câmbio não costuma ser muito vantajoso.
 

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