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Correio Braziliense LÍBANO

Joia de grandes gênios, as colunas milenares do Líbano encantam

Quem chega pelo mar consegue avistar, ao longe, as colunas milenares de Tyr, cidade-estado fenícia também conhecida como Sour, distante 80 quilômetros de Beirute


postado em 29/09/2018 10:00 / atualizado em 26/09/2018 15:42

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Sob os múltiplos tons de azul das águas límpidas do Mediterrâneo, tartarugas, peixes e mergulhadores brincam com as colunas milenares, estacionadas na linha costeira, ao Sul do Líbano, a 80 quilômetros de Beirute, à fronteira de Israel — na Antiguidade parte integrante da antiga Galileia. Essa é Tyr, também denominada Sour.

Ao sabor do mar, a beleza dos impressionantes vestígios da antiga cidade-estado fenícia de Tyr e do chamado porto Egípcio, de sofisticada arquitetura, foi submersa por força de um terremoto, por volta do 3º milênio a.C., e é hoje do continente, ao largo das ruínas romanas, que se sobrepuseram a herança fenícia, que a história dessa civilização genial também se revela: ao final do século 9 a.C., Tyr, que se tornou a mais importante cidade-estado fenícia, fundaria, ao Norte da África Cartago, aquela que seria a sua mais importante colônia.

Se a Tyr fenícia resiste submersa em água e sob as camadas mais profundas das escavações, é nas ruínas romanas da antiga Tyr, que datam dos primeiros séculos de nossa era, que o sítio arqueológico primeiro se revela. Por terra ou pelo mar, ao longe se anuncia a monumental via de mosaicos ladeada por imponentes colunas em mármore Cipollino, transportadas da ilha grega de Eubeia, as maiores do gênero catalogadas no mundo. Complexos de banhos, teatros, edificações para esportes, lojas ladearam um dia essa avenida, ao final da qual já foram encontradas esculturas dos imperadores Adriano (117-138) e Sétimo Severo (193-211).

A Tyr romana, que abrigou uma arena retangular, reservatórios de água, aquedutos, um sofisticado sistema de drenagem, estruturas do quarteirão residencial que se estendem até a linha costeira, se eleva sob ruínas fenícias, onde um dia a antiga civilização produziu o vidro e a inédita cor púrpura, associada à realeza, extraída do molusco Murex trunculus, segundo a lenda, habilidade que teria sido legada pelo deus Melkart — para os gregos Hércules — e a sua amante, a ninfa Tyrus.

Necrópole de Al-Bass carrega a marca de várias civilizações(foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)
Necrópole de Al-Bass carrega a marca de várias civilizações (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)

 


Patrimônio mundial da Unesco, além da cidade antiga que um dia foi ilha, Tyr atual reserva ainda ao Sul uma segunda área de escavações: a necrópole de Al-Bass. Nessa área, um dia, Alexandre da Macedônia aterrou parte do mar para alcançar, com os seus exércitos, a resistente cidade-estado, que, por 15 meses, resistiu ao cerco e, diferentemente das demais, não se aliou ao lado vencedor. As cidades fenícias perderam a sua independência, ao serem absorvidas em 322 a.C. ao grande Império da Síria, governado pelos selêucidas após a morte de Alexandre. Quando Pompeu (106-48 a.C.), em 64 a.C., conquistou a Síria, as antigas cidades se tornaram províncias romanas.

A necrópole de Al-Bass carrega as marcas das civilizações fenícia, grega, romana, bizantina até a conquista muçulmana no século 7º. Diferentes estruturas de sarcófagos, de complexidade variada, se intercalam à via de pavimentação bizantina — sobre a qual se impõe um arco monumental, possivelmente do início de nossa era — que encobrem inscrições, datadas aproximadamente de 30 a.C., de espaços para a celebração de ritos e festas de sacrifício em honra a Apolo. No esplendor das ruínas de Tyr, brilha ainda um dos maiores hipódromos do Império Romano, com capacidade para 30 mil espectadores, o segundo maior hipódromo depois do Circus Maximus, em Roma.

Citada diversas vezes na Bíblia — dizem que São Paulo, ao regressar de uma jornada missionária, passou uma semana em Tyr. Do deus Melkart a Apolo, de Cristo a Alá, a antiga cidade-estado fenícia resiste como a antiga capital do sincretismo cultural, construindo a sua história, inaugurada pelos “príncipes do mar” e pelos povos que a eles seguiram: assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, fatimídeos, abássidas, cruzados, mamelucos e otomanos.

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