Publicidade

Correio Braziliense RIO GRANDE DO NORTE

Touros, um paraíso do Rio Grande do Norte

A 80 quilômetros de Natal, um local paradisíaco para relaxar. Dizem que lá é onde o vento faz a curva. Certamente, para voltar e aproveitar o lugar


postado em 03/10/2018 17:00 / atualizado em 03/10/2018 15:42


Perto de Natal existe um pedaço do Rio Grande do Norte tão cheio de mar e sol quanto a capital, mas bem menos badalado. É um daqueles lugares em que o tempo passa mais devagar e é possível desfrutar horas somente na companhia do mar, do calor e do vento. Dizem, inclusive, que lá é onde o vento faz a curva. Esse lugar é Touros, na Costa das Dunas, cidade que, apesar de pequena, guarda grandes histórias.

A principal delas diz que foi ali, e não na região de Porto Seguro (BA), que o “descobrimento” do Brasil começou. Alguns teóricos e historiadores defendem que as caravelas de Pedro Álvares Cabral chegaram primeiro lá, e uma das provas seria o Marco de Touros, coluna com a insígnia de Portugal fixada, em 1501, no local conhecido hoje como Praia do Marco. A original é guardada em um museu de Natal, mas há uma réplica em destaque no centro de Touros.

Ver galeria . 3 Fotos Cristiane Silva/EM/D.A.Press
(foto: Cristiane Silva/EM/D.A.Press )



Marco

Uma das versões atribui o nome da cidade a uma formação rochosa que lembra o animal. O marco é considerado o monumento colonial mais antigo do Brasil. No portal do governo do estado, uma matéria lista cinco evidências, apontadas pela navegadora e professora-doutora Rosana Mazaro, do Departamento de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de que a chegada dos europeus se deu por lá.

Se Cabral desembarcou primeiro em Touros ou não, fica o debate. Mas é possível confirmar que os pioneiros europeus chegaram à cidade na história recente, e pelo ar. Foi lá que pousou o primeiro avião a fazer um voo atravessando o Oceano Atlântico, sem escalas, em julho de 1928, vindo da Itália. Uma foto que mostra moradores de todas as idades ajudando a empurrar a aeronave dos pilotos Arturo Ferrarin (1895-1941) e Carlo Del Prete (1897-1928) registra a façanha.

Em Touros, fica o segundo maior farol da América Latina, com 62 metros de altura e quase 300 degraus. Construído no início do século 20, o Farol do Calcanhar ganhou esse nome por estar no local chamado de “calcanhar” do Brasil, bem no extremo leste. É nesse lugar que, observando no mapa, o litoral do país começa a curva de Norte/Sul para Leste/Oeste, também conhecida como “esquina do continente”. Está aberto a visitas aos domingos, das 14h às 17h.

É em Touros que começa a BR-101, que liga o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, ao longo de 4,5 mil quilômetros. Repetindo uma frase conhecida pelos locais, a rodovia “liga o oxente ao tchê”. Uma placa marca o quilômetro zero da estrada. Diante dela estão arcos de concreto construídos pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012).

 

Espetáculo ao fim da tarde

 

(foto: Cristiane Silva/EM/D.A.Press)
(foto: Cristiane Silva/EM/D.A.Press)


O caminho de Natal a Touros é feito pela mesma rodovia, saindo do Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves. A viagem leva pouco mais de uma hora. No caminho, é possível apreciar a paisagem formada pelas dunas fixas (os montes de areia com vegetação nativa), cactos e criadouros de camarão. A região também produz abacaxi e grama. A pesca e a agropecuária familiar estão presentes.

Assim como em outras regiões do Nordeste, lá o Sol se adianta. Às 5h, já nasceu. Pouco antes das 6h é dia claro. Mas, para compensar a pressa da madrugada, o Sol vai embora mais cedo, por volta das 17h30. Um dos melhores lugares para apreciar a chegada da noite fica a uma hora de Touros, em São Miguel do Gostoso, cidade um pouco maior e mais conhecida, com cerca de 100 pousadas e 40 restaurantes.

Dá para passar a tarde na Praia de Tourinhos (caminho por estrada de chão), nadando no mar quase morno ou fotografando as falésias. Quando o fim da tarde estiver se aproximando, estenda uma canga na areia e aproveite para ver o espetáculo da natureza que é o pôr do sol que, dependendo do período do ano, ocorre atrás das hélices das torres de energia eólica que quase se encontram com o mar.

* A repórter viajou a convite do Grupo Vila Galé
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade