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Correio Braziliense RIO GRANDE DO NORTE

Floresta encantada: os mangues, rios e lagoas de Touros

Em diferentes pontos da cidade é possível ver as hélices dos equipamentos de energia eólica. Elas fazem parte da paisagem como os rios e o mangue que, ao cair da tarde, ganha um colorido especial


postado em 04/10/2018 09:00 / atualizado em 03/10/2018 16:11

 

Ver galeria . 2 Fotos Cristiane Silva/EM/D.A.Press
(foto: Cristiane Silva/EM/D.A.Press )


O vento que ajuda a aliviar o calor nordestino trouxe a tecnologia que ajuda a cidade a crescer. Os geradores de energia eólica podem ser vistos de diferentes pontos da cidade com as pás em movimento. Nos meses de agosto e setembro, eles ficam mais fortes, o mar fica mais agitado, perfeito para os esportes radicais.

Touros é um lugar com muita água, não só a do mar como a de pequenos rios, lagoas e mangues, que ganham um ar de floresta encantada, quando vistos ao cair da tarde, como nos livros de colorir. Rendem belos cliques, como o que fica no acesso à Praia da Xêpa, ainda em São Miguel do Gostoso. O visitante atravessa uma pequena ponte de madeira sobre o mangue, caminha por uma faixa de areia onde há um restaurante, e sobe uma duna com um charmoso portão de madeira no topo.

Lá do alto, é possível admirar toda a extensão da praia que, assim como grande parte do litoral daquela região, é praticamente vazia. Movimento, só o dos barcos pesqueiros a distância e dos nativos. De resto, apenas o som das ondas. E o vento, que atrai praticantes de kite e windsurf.

Outro passeio que vale a pena na região é a visita aos Parrachos de Perobas, piscinas naturais a cinco quilômetros da costa de Touros. Na maré baixa, é possível mergulhar com máscara e snorkel para observar os cardumes e outros animais marinhos que se reúnem na área.

 

Origem na fé



Touros era uma vila cuja população sobrevivia da atividade pesqueira, porém a economia local não era suficiente para manter os moradores. Nos idos do século 19, conta o pároco da Matriz de Bom Jesus dos Navegantes, Rodrigo Paiva, surgiu na enseada entre o Rio Maceió e o mar, um caixote com uma imagem de Jesus Cristo. Naquela ocasião, o povo padecia à fome, e não tinha pescado. “Logo em seguida ao achado da imagem, abundantes peixes e tempos de graças e vida ocorreram em Touros”, explica o pároco.

A notícia se espalhou pela região e atraiu dezenas de devotos, movimentando a cidade e construindo casas. Segundo o religioso, a comunidade cresceu em torno da fé do Bom Jesus dos Navegantes. “Essas pessoas constituíram essa sociedade e, hoje, se confundem com a cidade, a paróquia e a devoção ao Bom Jesus”, pontua o padre Rodrigo Paiva. Essa imagem é venerada desde então. A ela são creditados tanto milagres quanto bênçãos e devoções.

Em 1º de setembro foi comemorado os 218 anos da construção do santuário e os 186 de criação da paróquia. A cidade se encheu de festa, que se repete, numa escala menor, no dia 1º de cada mês. Mas há a grande comemoração do Bom Jesus dos Navegantes, que  ocorre de 22 de dezembro a 2 de janeiro, atraindo fiéis de diferentes partes do país.

O prédio da igreja, por si só, é um atrativo. Do lado de fora, chamam a atenção dois canhões coloniais apontados estrategicamente na direção da praia. Eles foram instalados pelos portugueses para combater a invasão holandesa no Brasil, que começou no século 17 com o objetivo de tomar posse do Nordeste do país. Na década de 1950, as peças foram transferidas de um antigo forte para essa área mais central do município. Não muito longe dali, fica a ponte sobre o Rio Maceió, que corta a cidade. Da praia, é possível ver, ainda que bem longe, o Farol do Calcanhar.

Clésia Maria do Nascimento Silva é professora e faz parte da grande maioria dos moradores que incentivam a visita dos turistas. “Touros é uma cidade riquíssima em cultura popular, principalmente. É uma terra de pescadores, de agricultores, de pessoas acolhedoras. Além da diversidade de praias, que são atrativos para as pessoas que vêm de fora, é uma cidade de pessoas religiosas também. É uma diversidade de religiões, mas, graças a Deus, todo mundo bem unido”, afirma.

Andar pela cidade é uma atividade prazerosa. Pelas ruas, pessoas de sorriso fácil, com sotaque melodioso, são amáveis e sempre dispostas a ajudar, dar uma dica ou levar o turista até o local solicitado. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para este ano, a população de Touros é de 33,7 mil habitantes.

As casas antigas e simples, com pequenas janelas com grades de madeira, atraem os olhares e levantam diversas torias sobre como os moradores conseguem suportar o calor, que pode atingir os 30ºC. No Centro, os imóveis mais altos não passam de três andares. Com o avançar da hora é possível encontrar famílias nas varandas, aproveitando o fim da tarde, num clima de tranquilidade e intimidade que deixam a alma leve.

O tempo lá parece passar de outro jeito. É possível caminhar pelas vias planas ou percorrer longas distâncias de uma praia a outra, sob um céu sem nuvens, a areia fina e branca sob os pés, sem perceber que as horas se passaram.


SERVIÇO

Vila Galé Touros
Contato: (84) 3263-3400
Reservas: www.vilagale.com, touros.
reservas@vilagale.com ou pelo telefone
(71) 3263-9999

Potiguar Turismo
Contato: (84) 4009-8550
www.facebook.com/potiguarturismo/

Luck Receptivo
www.luckreceptivo.com.br/passeios/natal
www.facebook.com/luck.receptivo/
 

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