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Correio Braziliense ESTADOS UNIDOS

Desfrute das principais atrações de Vegas

A primeira parada em Las vegas deve ser a Fremont Street, região raiz da cidade e na qual surgiram os primeiros empreendimentos


postado em 05/10/2018 09:00 / atualizado em 03/10/2018 16:42



“Nem tudo que acontece em Vegas deve ficar em Vegas”, como sugere a frase criada há 15 anos como peça publicitária para atrair turistas à capital mundial do entretenimento. Construída no meio do deserto no estado norte-americano de Nevada, e em rápida expansão atualmente, Las Vegas tem muito mais a revelar aos turistas do que máquinas caça-níqueis, roletas e festas intermináveis nas boates da moda. Nos últimos anos, grandes investimentos para a abertura de restaurantes de renomados chefs, como Wolfgang Puck e Gordon Ramsay, e a montagem de espetáculos fixos de trupes, como o Cirque du Soleil, diversificaram a lista de atrações capazes de manter os turistas por mais tempo na cidade.

Apesar de Vegas ter nascido e prosperado das apostas, vale a penas experimentar um roteiro que revela a extravagante história desse oásis dos pioneiros americanos rumo ao Oeste e transporta os visitantes para ambientes bem mais interessantes que os claustrofóbicos interiores dos hotéis. Sem precisar sair da cidade ou frente a frente com as belezas naturais de seus arredores, Las Vegas tem muito a oferecer. Para começar a entender essa cidade, a primeira parada deve ser a Fremont Street, região mais raiz da cidade e na qual surgiram os primeiros empreendimentos. Talvez, por isso, é mais fácil encontrar por lá turistas de outras cidades e estados norte-americanos do que estrangeiros.

A Freemont Street é  coração da primeira fase de ocupação de Vegas e endereço dos primeiros salões de jogos no início do século 20. A rua foi apelidada de Ravina Cintilante, por causa das luzes dos letreiros de néon, marca inconfundível da cidade, que ganharam um museu na cidade. A principal atração da Freemont é o trecho de cinco quarteirões cobertos por uma abóbada brilhante, na qual são projetados shows de música e luzes, ótimo lugar para conhecer cassinos icônicos, como Golden Nugget, Four Queens, Fitzgeralds e Binion’s e, claro, fugir do sol escaldante do deserto.

Uma boa pedida é deixar um pouco a agitação de Las Vegas para conhecer as incríveis belezas naturais ao redor. Estamos no meio do deserto, mas viajar entre as divisas dos estados norte-americanos de Nevada e Arizona é roteiro obrigatório para qualquer visitante. Afinal, o Grand Canyon é uma maravilha natural repleta de surpresas até para os turistas que preferem conforto a aventuras. Quem tem um pouco mais de tempo disponível deve programar o aluguel de carro ou moto para visitar alguns de seus mirantes.

Porém, é possível vivenciar a exuberância dos desfiladeiros que desaparecem no horizonte e suas montanhas intransponíveis, mesmo se você tiver apenas uma manhã livre. Na realidade, é possível pegar transporte da porta dos principais hotéis de Vegas até um aeroporto na cidade vizinha de Boulder City, sobrevoar de helicóptero um longo trecho do Grand Canyon, pousar em uma ravina para fotos e um café da manhã luxuoso sobre um gazebo e retornar ao hotel antes do meio-dia. Madrugar para conhecer essa maravilha da natureza é questão de sobrevivência, caso contrário, o calor escaldante vai atrapalhar sua viagem.

O melhor é que o tour, provavelmente, custará menos que aquele eventual excesso na mesa de pôquer do cassino na noite anterior. Com US$ 200 é possível fretar com a empresa de aviação Papillon um helicóptero para seis pessoas e sobrevoar a Represa Hoover, que controla a vazão do Rio Colorado e fornece energia elétrica a cidades da região, e aterrissar entre encostas gigantescas do Grand Canyon.

Depois de uma sessão de fotos para postar em redes sociais,  pausa sob o forte calor do início da manhã no local para um café da manhã, postado em mesas à sombra de um abrigo montado pela empresa e uma taça de espumante para celebrar a paisagem. Várias agências de turismo oferecem outros tipos de roteiros no Grand Canyon — alguns com programação de quase 13 horas —, que podem incluir passeios por trilhas, mirantes e em botes pelo Rio Colorado, divisão natural dos estados de Nevada e Arizona.

 

Nos bastidores da máfia

Ver galeria . 2 Fotos Steve Marcus/Reuters
(foto: Steve Marcus/Reuters )
 


Freemont é onde fica o incomum Museu da Máfia, instalado no antigo prédio do Tribunal de Justiça de Vegas, responsável por fazer os primeiros julgamentos de gângsteres notórios da cidade — e transmitir tudo em rede de TV nacional. O local conta, em ricas e detalhadas exposições distribuídas por quatro andares, toda a intrínseca ligação entre organizações criminosas com a formação da cidade em meados do século passado. A entrada custa de US$ 27 a US$ 42 e dá direito a um tour interativo — com tradução em português pelos fones  de ouvido — por fatos e personagens icônicos dessa turbulenta fase dos EUA, desde a era da Lei Seca, à influência das máfias em jogos de azar e em esportes profissionais, até a grande mobilização para caçar e condenar criminosos.

Simulação

Os ingressos mais caros permitem que o visitante participe de exposições imersivas no Museu da Máfia, nas quais é possível vivenciar o dia a dia de um técnico forense, desde a coleta de provas numa cena de crime até a análise das evidências num laboratório de perícia. Sim, será como participar de um episódio de CSI, só que sem a música de abertura do The Who. Outro pacote que pode ser comprado é o treinamento policial, com direito a simulações bem realísticas de assalto com reféns e até disparar armas de fogo em estandes de tiro dentro do museu.

No porão do prédio, uma destilaria foi montada para explicar e, claro, fabricar a famosa bebida moonshine, um tipo de cachaça caseira à base de milho, fartamente vendida no país durante a Proibição, período entre 1920 e 1933, no qual os EUA baniram a fabricação, o transporte e a venda de bebidas alcoólicas. É a sua chance de fazer um tour pelo outro lado da lei e entender como essas rígidas regras fizeram prosperar produtores caseiros e estabelecimentos clandestinos em todo o país. Depois de aprender a fazer e provar o moonshine, o caminho natural do visitante é sentar-se no balcão do The Underground, bar temático com decoração dos anos 1920, que funciona todos os dias, também no porão do Museu da Máfia.

Senha

O local é aberto ao público externo, desde que o cliente fale a senha de acesso ao segurança por meio de uma fresta na porta de aço que dá acesso à rua, como nos filmes de suspense. A vantagem é de que eles divulgam a palavra-chave do dia no Instagram. Sem dúvida, um happy hour muito original e charmoso de Vegas. Além de provar os drinques, servidos em xícaras de chá e até ocultos em livros com fundos falsos, estratégias usadas na época para burlar a fiscalização, passeie pelo salão do bar para ver os itens em exposição nas paredes e tente descobrir a passagem secreta atrás de uma delas. Fim do spoiler.

Exposição  de luzes

 

(foto: Rafael Alves/EM/D.A.Press)
(foto: Rafael Alves/EM/D.A.Press)


Um dos pontos surpreendentes no passeio pelas origens de Las Vegas, ainda em Freemont, é o incrível Museu do Néon. Obviamente, a melhor experiência é vivida à noite. É quando o espaço ao ar livre, com jeitão de ferro-velho, brilha, e muito. Dezenas de letreiros, símbolos de prestígio e glória de antigos cassinos, foram restaurados e oferecem aos turistas um mergulho na magia de uma técnica artística, hoje ofuscada pelas lâmpadas de LED, e hotéis de luxo que baniram as excêntricas placas de suas fachadas. Os pacotes de visitação custam de US$ 19 a US$ 42.

Há passeios guiados que duram até uma hora, nos quais o visitante aprende sobre a história do neon e dos letreiros em exposição, muitos eternizados em filmes de Hollywood. Há também um show especial que sincroniza músicas de artistas como Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Frank Sinatra e, claro, Elvis Presley, com projeções digitais sobre as placas. Passeio inesquecível pela história de um dos elementos que fazem de Las Vegas cidade única de se conhecer.

Fica a dica

 

(foto: Rafael Alves/EM/D.A.Press)
(foto: Rafael Alves/EM/D.A.Press)
 

 

Museu Shelby
Um dos roteiros ainda pouco explorados pelos brasileiros em Las Vegas é o museu e fábrica da lendária montadora Shelby, responsável pelas feras das pistas Mustang e Cobra. A história por trás desses carros, ainda feitos de forma artesanal, está aberta ao público em prédio conjugado à oficina, onde esses e outros modelos da empresa são construídos ou reformados.
 

 

* O repórter viajou a convite da Latam e da Las Vegas Convention and Visitors Authority

 

 

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