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Correio Braziliense NORTE DO BRASIL

Festa religiosa encanta turistas que passam por Santarém no Pará

O Çairé é o nome indígena da festa religiosa que marca a cultura da região, celebrada em setembro. As cores e a alegria dos habitantes contagiam os visitantes todos os anos


postado em 11/10/2018 13:00 / atualizado em 11/10/2018 12:54

 

(foto: Ronaldo Ferreira/Divulgação)
(foto: Ronaldo Ferreira/Divulgação)


São cinco dias de festa, com inúmeras atividades. As roupas coloridas de homens e mulheres são marcas registradas. As saias rodadas, os adereços de cabelo e a maquiagem são bem produzidas. Os homens, se vestem de acordo com o tema do ano, podem ser calças ou bermudas. As cores estão nas enormes alegorias com efeitos visuais e sonoros. A alegria? É comum e contagia o público. O lugar? Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará.

O nome, de origem indígena, explica a escrita, Çairé. Especula-se que a festa tenha mais de 300 anos na região do Pará e que a celebração era feita por missionários jesuítas no intuito de catequizar os índios. Adotou-se a disputa entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa, que remete às lendas da Amazônia e o ritmo do carimbó com as danças folclóricas. Atualmente, os cinco dias marcados no calendário do santareno (aquele que nasce em Santarém) movimentam toda a região na busca ao culto da reprodução da cultura indígena amazônica, do povo Borari.

(foto: Luíza Figueiredo)
(foto: Luíza Figueiredo)


Missa

(foto: Ronaldo Ferreira/ Divulação)
(foto: Ronaldo Ferreira/ Divulação)

 

É na praça central Çairé que é feita a abertura da festa religiosa — e um tanto profana —, com  uma missa em que o padre abençoa os participantes e o arco —, um grande semicírculo que representa a arca de Noé. Com três cruzes centrais,  representa a Santíssima Trindade. Uma cruz na parte superior é Deus Uno. Feito em cipó e madeira, decorado com fitas coloridas, simboliza a fartura dos alimentos. 

Os participantes seguem em caminhada pelas ruas de Alter do Chão até a praia da Gurita, em busca dos mastros (troncos de madeira), que carregam nos braços de volta à praça, onde  são decorados com frutas e folhas. Há uma disputa para descobrir o grupo que produz o mastro mais enfeitado. No topo de cada um é colocado um pássaro, símbolo do Espírito Santo. Eles são erguidos e só no último dia dos festejos os mastros são derrubados comunicando o fim do festival.

Batalha dos botos 

 

(foto: Ronaldo Ferreira/ Divulgação)
(foto: Ronaldo Ferreira/ Divulgação)


No terceiro dia da festa, acontece o Festival dos Botos, um grande espetáculo de brilho e cores, quando os botos Tucuxi e Cor de Rosa se enfrentam em uma disputa cultural, retratando temas ligados à vida amazônica. A “luta” foi incluída na festa em 1999, e ocorre no espaço Lago dos Botos. Cada personagem arrebanha cerca de 700 apoiadores.

No quinto e último dia, ocorre o encerramento da magia amazônica. É feita a última benção, a derrubada dos mastros e a apuração dos votos da disputa entre os botos, quando se sabe qual foi o vencedor.




Personagens coloridos

Capitão: 
Comanda a procissão.

Alferes: 
Quem conduz a bandeira. A vermelha é do juiz e a branca, da juíza.

Juiz e juíza: 
São responsáveis pela organização da festa, e cada um pelo levantamento dos mastros. A juíza também conduz a coroa do Divino Espírito Santo.

Procurador e procuradora:
 Substitutos do juiz e da juíza.

Troneira: Prepara o espaço para guardar a coroa do Divino Espírito Santo.

Saraipora: É a mulher que conduz o símbolo do Çairé durante a 
caminhada de procissão.

Moças das fitas: Acompanham a Saraipora na condução do Çairé.

Mordomos e mordomas: Carregam os mastros e levam as varinhas decoradas com fitas.

Rufadores: Conjunto musical que acompanha com tambores e hinos.


*Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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