Publicidade

Correio Braziliense CHILE

Montanhas como companhia, Cordilheira dos Andes atrai aventureiros

A cordilheira pode ser vista de diversos pontos da cidade. Mais que ver, ela pode ser visitada em diversas estações de esqui. A subida pode ser feita de carro e é aconselhável ter um guia


postado em 18/10/2018 10:00

(foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)


Santiago é uma cidade que encanta desde o alto. Do avião, os visitantes podem se deslumbrar com a vista aérea da Cordilheira dos Andes que, com seus mais de oito mil quilômetros de extensão, é considerada a maior do mundo em comprimento. Com o cume coberto de neve, a enorme cadeia de montanhas não só impressiona, como deslumbra.

Com os pés em terra firme, o turista tem duas boas impressões iniciais. A primeira é que o aeroporto fica muito próximo (mas muito mesmo) do centro da cidade, o que facilita imensamente o deslocamento a partir do terminal. A segunda é que Santiago se parece muito com São Paulo e outras metrópoles do mundo, incluindo algumas capitais europeias. Isso serve tanto para os pontos positivos — cena cultural agitada, facilidade em encontrar lojas de grandes marcas, entre outros exemplos —, quanto para os negativos, especialmente o trânsito. Se quiser fugir de engarrafamentos (chamados de ‘taco’ pelos hispanofalantes), evite os horários de pico.

Por falar em cena cultural, há inúmeras opções de espetáculos, casas noturnas e, principalmente, bons restaurantes em Santiago, que vão desde clássicos da gastronomia à cozinha contemporânea. Mas o mais importante é que neles você pode degustar um dos maiores orgulhos do Chile: os vinhos.

 

Assim como toda metrópole, a capital do Chile é repleta de prédios altos. Destaque para o Sky Costanera, que possui o mirante mais alto da América Latina, com 300 metros de altura. Alto também é o preço para acessá-lo: pouco mais de R$ 80. Nenhuma das construções artificiais, porém, chama mais a atenção do que a beleza natural da Cordilheira, que se faz visível de quase todos os pontos da cidade.

 

A Cordilheira do Andes é um dos maiores espetáculos naturais do país(foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
A Cordilheira do Andes é um dos maiores espetáculos naturais do país (foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
 


Mais do que ver, é possível explorar a Cordilheira. No topo dela, estão algumas estações de esqui. A mais famosa delas, a Valle Nevado. A subida é feita de carro, mas é recomendável contratar esse passeio com empresas de turismo que ofereçam guias preparados e veículos adequados, visto que, principalmente em períodos de neve, o trajeto pode ser extremamente perigoso para quem não está acostumado com ele.

Maior e bem mais cheio que a estação de Corralco, o Valle Nevado também oferece todos os serviços necessários para você passar o dia por lá: aluguel de roupas e equipamentos, loja de souvenirs, restaurante e lanchonetes e locais de hospedagem. Os preços são um pouco mais altos do que no resort do Sul do Chile. O passe de meio dia custa cerca de R$ 250, enquanto o de dia inteiro sai por aproximadamente R$ 275. Some a isso as roupas, equipamentos e aulas (mais uma vez, fortemente recomendadas).

Por o trajeto de ida e volta ser demorado e cansativo (principalmente a volta, por conta dos congestionamentos), o ideal para aproveitar bem o Valle Nevado é dormir em um dos hotéis ou apartamentos do local. Assim como em Corralco, o preço é alto. Mais do que isso: a disponibilidade, principalmente dos hotéis, é baixa. Por isso, se pretende passar a noite na região, é bom se planejar com antecedência.

 

Vinhos fazem a viagem mais saborosa

O país tem 325 vinícolas. Dessas, 200 podem ser visitadas. As mais populares estão nos arredores de Santiago(foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
O país tem 325 vinícolas. Dessas, 200 podem ser visitadas. As mais populares estão nos arredores de Santiago (foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)



O Chile se orgulha muito de seus vinhos. E tem motivos para isso. De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (IBV), no mercado brasileiro, mais de 40% das importações — equivalente a 51,6 milhões de litros — vêm do país vizinho, números que o colocam na liderança isolada no ranking de países que mais enviam a bebida ao Brasil. Só para se ter ideia, o segundo colocado, Portugal, detém apenas 13% do mercado.

E não é uma questão apenas de quantidade. No ano passado, o Almaviva, safra 2015, da vinícola Concha y Toro, recebeu o título de melhor vinho do mundo no Great Wines of the World. No ano que vem, o país vai sediar a quarta edição do Congresso Mundial de Enoturismo.

A mistura entre turismo e vinhos, aliás, pode ser bem interessante. Não só para o país, como, principalmente, para os turistas. O Chile tem 325 vinícolas, das quais cerca de 200 são abertas à visitação. A experiência de conhecer o processo de produção da bebida e, é claro, degustá-la, tem sido cada vez mais procurada por quem visita o país.

No Vale Casa Blanca, a caminho de Valparaíso, está a Emiliana(foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
No Vale Casa Blanca, a caminho de Valparaíso, está a Emiliana (foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)

 

As vinícolas mais buscadas pelos visitantes estão nos arredores de Santiago. Uma das preferidas dos brasileiros é a Concha y Toro, já que a marca é uma das mais comumente encontradas no Brasil. Outra que merece destaque é a Emiliana, que fica exatamente no meio do caminho entre Santiago e Valparaíso, no Vale de Casablanca. Por lá, os vinhos são produzidos de maneira orgânica. Não estranhe, por exemplo, a presença de galinhas no local. É que elas são usadas para combater pragas, em detrimento de pesticidas.

A melhor época para visitar as vinícolas é a primavera, entre setembro e dezembro. É nesse período que as videiras estarão carregadas de uvas. Mas não se preocupe se não conseguir conciliar as datas. Além da visitação — que custa cerca de R$ 90, com degustação inclusa — e da venda de vinhos, a Emiliana oferece outras atividades.

 

No restaurante Vinolia, em Santiago, é possível encontrar os diversos rótulos e provar a bebida(foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
No restaurante Vinolia, em Santiago, é possível encontrar os diversos rótulos e provar a bebida (foto: Fernando Jordao/CB/D.A Press)
 


A principal e mais divertida delas é a oportunidade de fazer sua própria bebida. Depois de degustar algumas variedades — Carménère, Cabernet Sauvignon e Merlot —, o visitante pode escolher a porcentagem que deseja de cada uma e, usando tubos de ensaio que dão ares de experiência científica ao passeio, criar um blend exclusivo. Até os processos de fechar, selar e rotular a garrafa são feitos pelo turista. A atividade custa cerca de R$ 150 por pessoa, com direito a levar seu próprio vinho para casa.

Mesmo se não quiser ou puder sair de Santiago, é possível mergulhar no universo da enologia, por meio de um passeio ao restaurante/experiência Vinolia, que se autodefine como uma “aventura do vinho”. A imersão é dividida em três fases. A primeira delas é olfativa. O visitante é estimulado a sentir e a tentar descobrir a quem pertencem dezenas de cheiros. Em seguida, é a vez da visão. Os grupos são levados a uma belíssima sala de projeção, onde cinco produtores de vinhos apresentam suas produções e ensinam a diferenciá-las por cores e pelos aromas. Por fim, a parte mais aguardada: a do paladar. É hora de provar os vinhos. Caso deseje, o turista ainda pode jantar no local, com mais opções de vinho no menu. Só a experiência sai por aproximadamente R$ 100. Os pacotes com almoço chegam a R$ 120. A opção com jantar custa perto de R$ 140. 

 

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade