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Correio Braziliense CHINA

Paisagem imortal de Guilin, na China

Às margens do Rio Li Jioang, a cidade fincada entre as montanhas é um espetáculo da natureza. Em Yangshuo, o centro turístico abre-se pela Xi Jie, rua de pedra ladeada por atrativos para turistas


postado em 29/10/2018 12:00 / atualizado em 24/10/2018 15:56

(foto: Haluk Comertel/Divulgação)
(foto: Haluk Comertel/Divulgação)


O barco desliza embalado por cenários espetaculares. Às margens do Rio Li Jiang, picos agudos de calcário erodido, trabalhados pela natureza em elegantes e verticais esculturas, erguem-se sobre planícies, seguidos por florestas de montanhas cônicas separadas por depressões. Cenários imortais, mas paradoxalmente em constante transformação, se esparram sobre o espelho cristalino. Estamos em Guilin, Sudoeste da China, Província de Guangxi, na fronteira como Vietnã.

“Como uma fita de seda verde, o rio serpenteia, enquanto as colinas, alfinetes em jade, se prendem à cabeleira cristalina.” Assim Han Yu (768-824), poeta chinês da Dinastia Tang (618-907), visualizou e amou Li Jiang, esse caudaloso rio que se alonga por 437 quilômetros, 83 dos quais entre Guilin e Yangshuo, revelando mares de bambu, plantações de arroz em cascata, cavernas, vilas de pescadores e amantes dos cormorões adestrados, todas paisagens que afloram entre sucessivas e impressionantes formações cársticas.

Na China, assim como em Tam Coc e Halong Bay, no Vietnã, o calcário se formou pela fossilização de sedimentos pré-históricos do leito marinho, que, por meio de sublevantamentos geológicos, emergiram à tona. Expostos à chuva ácida, ao clima quente e úmido e à química da vegetação em decomposição, cenários alucinantes foram e continuam a ser esculpidos pela natureza. São formações de carste fenglin (verticais), carste fengcong (cônicas separadas por depressões), cavernas, sumidouros ou tiankegs — poços celestes formados pela infiltração. Seguem inesquecíveis, contudo, redesenhados lenta e permanentemente.

No centro turístico, há várias lojas de grife e de arte local, além de restaurantes (foto: ArishG/Wikimedia Commons)
No centro turístico, há várias lojas de grife e de arte local, além de restaurantes (foto: ArishG/Wikimedia Commons)

“A mais linda paisagem sob os céus”, nas palavras de poetas, a cidade de Guilin, que na dinastia Ming foi capital provincial — posição perdida em 1914 para Nanning — nasce e se espicha entre esses picos de carte, que se aglomeram ao longo pelo curso do Li Jiang, desenhando a alma de um povo em formas e sonhos diversos: a Montanha da Tromba do Elefante, o Pico do Rabo de Peixe, da Beleza Solitária, da Cabeça do Dragão, as montanhas do Afresco dos Nove Cavalos, Doma Ondas, dos Cinco Dedos, do Caracol, e, uma das mais espetaculares cadeia que se abre à frente da rocha pontuda batizada Pincel de Escrever. Entre Guilin e Yagshuo, no doce escorregar do Rio Li Jiang, os cenários mais espetaculares se abrem a partir da velha cidade em madeira de Xingping. Um deles, grafado e imortalizado na nota de 20 yuan.

Ao final desse percurso, Yangshuo: o seu centro turístico abre-se pela Xi Jie, rua de pedra ladeada por restaurantes, lojas de souvenir e bares. Mas, assim como Guilin, o que marca essa cidade é aquilo que a natureza oferece a cada tempo: o entorno único de montanhas de carste e verdes arrozais, onde estão mapeadas mais de 200 rotas para alpinistas. Uma delas, o passeio à Montanha da Lua, ao topo da qual, o rio Li, entrecortado por arrozais, cones e pináculos de carste, serpenteia em seu encontro com o Xi, por seu turno, afluente do Rio das Pérolas, até a sua incorporação ao Mar da China Meridional.

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