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Correio Braziliense CÁUCASO

À sombra da memória, conheça o berço de Stalin

Na Geórgia, terra natal de Joseph Stalin, a memória do ditador que vitimou 10 milhões de pessoas está nas ruas. Passear pela cidade é certeza de descobertas, de mercados a museus


postado em 01/11/2018 10:00 / atualizado em 31/10/2018 15:28

(foto: Thomas Depenbusch/Flickr)
(foto: Thomas Depenbusch/Flickr)

 

Uma das 15 ex-repúblicas soviéticas, a Geórgia é terra natal de Joseph Stalin, ditador soviético de 1922 a 1953, período em que, estima-se, seu regime vitimou mais de 10 milhões de pessoas. Nascido em Gori, a cerca de 80 quilômetros de Tbilisi, Stalin teve suas estátuas e imagens removidas das vias públicas da Rússia, depois das denúncias de seu sucessor, Nikita Khrushchov. Em Moscou, as peças que restam estão entulhadas no Parque Muzeon, o cemitério de imagens do comunismo.

Se é tratado com ressalvas pelas outras ex-repúblicas, Stalin é lembrado em sua terra natal, onde, só em 2010, foram removidas suas últimas estátuas. Pelas ruas de Tbilisi, é muito fácil encontrar suvenires do ditador: bustos, pinturas, livros, ímãs e fotografias. Conversando com os georgianos, nas ruas e nos restaurantes, o sentimento é de que há resistência dos mais velhos em aceitar as atrocidades ordenadas pelo georgiano e, entre uma parcela de jovens, há uma onda de admiração.

Pesquisa do Tbilisi Forum — site local —, realizada em 2008, mostrou que 37% dos georgianos tinham orgulho de Stalin, nascido em 1878, filho de uma costureira e de um sapateiro, que viveu em Tbilisi, com o sonho de se tornar seminarista. Gori tem um museu dedicado a Stalin.

Pulgas
 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

 

 

Para os colecionadores, historiadores ou apenas apaixonados por suvenires, é indispensável gastar algum tempo no Dry Market, mercado de pulgas a céu aberto, em uma praça às margens do Rio Kura. É possível comprar relíquias do período soviético, notas, discos, câmeras e lentes fotográficas, além de louças, quadros, objetos de cerâmica, livros, atlas e álbuns de fotos. Os objetos ficam expostos em tapetes ao redor da praça, todos os dias da semana.

Todos os sabores


Geórgia e Armênia disputam o título de berço do vinho. As vinhas mais antigas do mundo foram encontradas na região do Cáucaso, entre 7.000 a.C e 5.000 a.C. Em 2011, foi descoberta a vinícola mais antiga  em Areni, na Armênia, de cerca de 6 mil anos. Bebe-se vinho em todos os horários e ocasiões na Geórgia, de todos os preços. Uma jarra com meio litro de tinto da casa, em tabernas de comidas tradicionais, pode custar a bagatela de 2,5 laris (R$ 4).


Menina dos olhos

 


(foto: Kober/Wikipédia)
(foto: Kober/Wikipédia)


Os principais restaurantes concentram-se na área da Velha Tbilisi, a parte histórica do Centro, onde fica a Praça da Liberdade, o marco zero da cidade. As opções vão dos mais sofisticados, como o Kafe Leila (18, Ioane Shavteli), recomendado em publicações internacionais, às pequenas cantinas de comida local — destaca-se o modesto e bem servido Racha Dukhan (4, Mikheil Lermontovi), onde é possível experimentar khinkalis, afkhazura e uma jarra de vinho. Tudo por menos de R$ 30.

Khachapuri, a menina dos meus olhos — e estômago —, tem por toda parte. O Sakhachapure #1 talvez seja o mais famoso (5, Rustaveli), mas, se quer experimentar algo ainda mais tradicional, siga a indicação da Nino, a simpática recepcionista do hotel em que me hospedei, e vá ao Ajaruli (23, Rustaveli), loja de subsolo frequentada apenas por georgianos, que serve o prato acompanhado de lagidze, por módicos 12 laris (cerca de R$ 18). Para se refrescar, uma boa pedida são as inúmeras barraquinhas que vendem suco de romã, a fruta mais popular do Cáucaso. (RD)

 

Experimente 


Churchkhela 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

O doce nacional da Geórgia, preparado com o sumo da uva, nozes e farinha


Khachapuri 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

Espécie de esfiha aberta, com as pontas alongadas, coberta de queijo e um ovo de gema mole em cima

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

Khinkali 
Trouxa de massa cozida, recheada com carne, queijo ou vegetais

Afkhazura 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

 Espécie de kafta enrolada em bacon, acompanhada de batata frita

 

Lagidze 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

Mistura de bebida gaseificada com leite ou achocolatado

 

Anote

 

Como chegar
As opções de voo partem, normalmente, de São Paulo e, depois, Istambul ou Dubai. A principal companhia aérea do país é a Georgian Airways, que faz voos regionais e para países vizinhos. Cruzar fronteiras por terra exige informações e cuidados redobrados. Não é possível atravessar do sul da Rússia para a Geórgia, por exemplo, por causa da região separatista da Abecásia.

Alfabeto e idioma
Cada país do Cáucaso tem seu próprio alfabeto e as letras — ao contrário do cirílico, da Rússia — não têm qualquer semelhança com o alfabeto romano. São 33 letras, sem distinção de maiúscula e minúscula, ilegíveis para leigos. Na capital, as placas são em inglês, idioma difundido nas escolas desde o fundamental.

Moeda e câmbio
A moeda local é o lari, que pode ser trocada nas inúmeras casas de câmbio da Avenida Shota Rustaveli, a principal da capital, ou na região da Old Tbilisi. O ideal é chegar ao país com euro, dólar ou rublo russo. As moedas e notas vão de um a 200 laris. Um lari custa em torno de R$ 1,50.

Visto
Não é necessário visto de turista para entrar e permanecer por até 90 dias na Geórgia, assim como para a Armênia, que aboliu a necessidade em 2015. O procedimento no aeroporto foi simples, apenas com as perguntas protocolares. O único país do Cáucaso que exige visto para brasileiros é o Azerbaijão.

Clima
Como a Geórgia é protegida por montanhas, o clima é moderado — nem tão gelado quanto a vizinha Rússia, nem tão quente quanto o Oriente Médio. As médias anuais são positivas, mesmo no inverno de dezembro e janeiro (variando entre 1ºC e 3ºC). Em julho e agosto, a média é em torno de 25ºC, mas superando facilmente a casa dos 30ºC.

Pelo interior
Batumi, a 18 quilômetros da fronteira com a Turquia, é a segunda cidade mais conhecida da Geórgia. A partir de Tbilisi, é possível fazer várias viagens bate e volta, com saída em vans e agências de turismo. Os principais destinos são Mtskheta (primeira capital do país), Kakheti (principal região vinícola) e Kazbegi-Ananuri (região montanhosa).

Hotéis

Como recebe inúmeros congressos e feiras internacionais, Tbilisi dispõe de boas opções com as principais redes hoteleiras. A melhor região para se hospedar é nas imediações da Shota Rustaveli e da Praça da Liberdade, o marco zero da cidade. Batumi, na região costeira do Mar Negro, é bem servida de hotéis e aeroporto. 

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