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Correio Braziliense CÁUCASO

Viajar na história, conheça Armênia e seus encantos

Primeira nação cristã do mundo, a Armênia seria o local, segundo a Bíblia, onde Noé teria atracado a arca após o dilúvio, aos pés do Monte Ararat


postado em 02/11/2018 10:00 / atualizado em 31/10/2018 16:02

(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)


Yerevan (Armênia) — Não se engane com o tamanho da Armênia no mapa: você vai precisar, ao menos, de uma semana para explorar o país de 29 mil quilômetros quadrados repletos de história. É o tempo para passear com calma pelas ruas de Yerevan, passar um dia às margens do Lago Sevan; outro para conhecer os mosteiros de Khor Virap, Noravank e as vinícolas de Areni, ao sul, além de diversos passeios pelo interior agrícola do país. Antes de viajar, vale a pena ficar atento a alguns detalhes, já que o país tem problemas diplomáticos com vizinhos, como Turquia e Azerbaijão.

Viajar pela Armênia colocar os pés onde foi construída a  história da humanidade. Ali, segundo a Bíblia, Noé teria atracado a arca após o dilúvio que durou 40 dias e 40 noites, aos pés do Monte Ararat, a montanha sagrada para os armênios, na linha do horizonte da capital Yerevan, mas do lado turco. 

A Armênia tem extensão territorial pouco maior que o estado de Alagoas, sem saída para o mar, ao sul da região do Cáucaso. Faz fronteira com quatro países — Turquia (oeste), Geórgia (norte), Azerbaijão e Irã (sul) — e é justamente por sua posição estratégica, na ligação do Oriente com o Ocidente, na antiga Rota da Seda, que a história armênia é marcada por invasões desde a Antiguidade, sobretudo, pelos vizinhos persas, turco otomanos e russos.

Domínio

(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)


A população armênia foi dizimada pelo primeiro genocídio do século 20, que matou 1,5 milhão de armênios entre 1915 e 1923, na invasão otomana. Os turcos não reconhecem o termo genocídio, o que afeta a relação diplomática entre os dois países. Em 1918, a Armênia anunciou independência, mas a vida da república democrática durou apenas dois anos, quando Yerevan foi invadida pelo Exército Vermelho, dando início ao domínio soviético.

O regime de Josef Stalin foi cruel com os armênios. O ditador cedeu a região de Nagorno-Karabakh ao Azerbaijão — conflito até hoje não solucionado, motivo pelo qual as fronteiras são fechadas, inclusive com minas terrestres. Em 1988, quando o comunismo ruía e os armênios ensaiavam independência, um terremoto de magnitude 7.2 atingiu o país, matando mais de 50 mil armênios e destruindo as principais cidades.

Por tudo isso, a Armênia tem sua história contada em escombros, cicatrizes que não se fecham, mas que formam uma identidade única celebrada no mundo todo. Motivos não faltam para conhecer o lugar que é a região mais antiga a produzir vinho e o primeiro país a adotar a cristianismo, no ano 301. Viajar pela Armênia é viajar pela história.

 

Berço do Vinho

(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)


Ao viajar pelas estradas da Armênia, atenção redobrada: é bem possível que terá de ficar parado enquanto bois, vacas e carneiros atravessam a pista. Assim como outras ex-colônias soviéticas do Cáucaso e da Ásia Central, o interior da Armênia é bastante rural. Enquanto capitais, como Tbilisi (Geórgia) e Yerevan respiram o ar europeu — afinal, o Cáucaso é ligado econômica e politicamente à Europa —, as cidades interioranas se mantêm fiéis à cultura milenar local. Um exemplo é a culinária.

Nas casas, é comum as mulheres produzirem o próprio lavash — a massa fina, parecida com uma folha, sem fermento, assada nas paredes de um forno à lenha aberto no chão, o tonir. A história no interior da Armênia é bem preservada, já que mosteiros estão espalhados em vários pontos do país. Um dos mais importantes é o Khor Virap, aos pés do Monte Ararat, erguido sobre a prisão onde ficou São Gregório, responsável por tornar a Armênia o primeiro Estado cristão do mundo.

Em 2011, em Areni, foram encontrados vestígios de uma adega com mais de 6 mil anos. Na caverna havia instrumentos para prensar, vasilhames para fermentar e armazenar a bebida da uva, além de taças.

Segundo os pesquisadores, o vinho era usado em cerimônias fúnebres, já que foram encontrados ao lado de túmulos da Idade do Cobre. Armênia e Geórgia concorrem ao posto de berço do vinho, disputa que se intensifica a cada descoberta científica. Areni vive em função do vinho, com casas de rótulos conhecidos e vinhos produzidos por famílias e vendidos à beira das estradas em garrafas de plástico.

 

Fique atento 

Visto

Desde 2015, brasileiros não precisam mais de vistos para entrar na Armênia para permanência de até 90 dias, tanto para turismo quanto para negócios.

Moeda e câmbio
A moeda local é o dram armênio. As moedas vão de 20 a 500 drames e as notas, de 1 mil a 50 mil drames. Pelo câmbio atual, R$ 1 vale aproximadamente 120 drames.

Alfabeto e idioma
Assim como Geórgia e Azerbaijão — outros dois países do Cáucaso, a Armênia tem alfabeto próprio, milenar e único. São 38 letras, entre consoantes e vogais. Na capital, em restaurantes e hotéis, o inglês é falado. Algumas placas também estão em cirílico, herança do período soviético.

Clima
De dezembro a fevereiro, Yerevan pode registrar temperaturas negativas, ao passo que entre junho e agosto, a máxima gira em torno de 35ºC, com o clima bastante seco.

Hotéis
Yerevan é servida pelas principais redes de hotel. As principais opções ficam na região central, no entorno da Praça da República.

Pelo interior
Próximo à Praça da República, várias vans e carros particulares oferecem passeios de um dia pelo interior do país. Recomenda-se, porém, as várias agências de turismo instaladas no Centro, que oferecem transporte e refeições. Os principais destinos são o Lago Sevan, os mosteiros de Khor Virap e Noravank e a região vinícola de Areni.

Problemas diplomáticos
Grupos separatistas, com o apoio armênio, permanecem em controle de Nagorno-Karabakh e sete outros territórios do Azerbaijão. O Itamaraty recomenda que brasileiros permaneçam cautelosos em regiões armênias próximas à fronteira azeri. Além disso, quem viaja às regiões separatistas pode ter problemas para futuras entradas no Azerbaijão. Os funcionários da Embaixada do Brasil em Yerevan não podem, por razões políticas, deslocar-se ao território de Nagorno-Karabakh para prestar assistência consular.

 

 

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