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Correio Braziliense RELIGIÃO

Fé no planalto central. Diversidade religiosa encanta moradores e turistas

A espiritualidade é uma marca da capital brasileira. Da mesma forma que aqui se reúnem pessoas de vários lugares, Brasília abriga crenças que se traduzem em templos que podem ser visitados


postado em 02/12/2018 10:00 / atualizado em 28/11/2018 17:22

Do sonho de Dom Bosco nasceu o traçado de Oscar Niemeyer. A história da construção de Brasília reflete a influência das religiões no desenvolvimento e também na arquitetura da cidade. Na capital brasileira, a fé é sempre bem-vinda. De acordo com o professor Luiz Carlos Pena, do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (UnB), a profecia do santo católico trouxe uma resposta política como prova de promover a integração nacional. “A implementação e a centralidade da capital vieram carregadas de uma dimensão mística e religiosa”, acrescentou.

Com uma população estimada em 2.974.703, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2010, os católicos têm o maior número de praticantes e representam o maior grupo religioso do Distrito Federal (DF), com 1.455.134; os evangélicos estão em segundo lugar, com 690.982 e os espíritas, com 89.836, ocupam a terceira posição. No entanto, o DF consegue agregar as mais diversas religiões e crenças. Prova disso é que calcula-se  mais de 800 templos espalhados nas cidades. Os moradores que se consideram sem religião somam 236.528, de acordo com o IBGE.

O padre João Firmino, pároco da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, ressalta que os brasileiros sempre foram devotos ao catolicismo. Segundo ele, um dos fatores que fizeram com que a capital tivesse grande número de devotos da religião foi a devoção do construtor e presidente Juscelino Kubitschek, já que as ações eram voltadas à população com um viés católico.

Orgulhosa de ter ajudado a construir a capital, Cleini Montagna, 73 anos, mora há mais de 55 anos na cidade. Mãe de seis filhos e viúva, ela diz que sempre lhes ensinou os dogmas da igreja católica. “Meu marido era vicentino e sempre levamos nossos filhos à missa todos os domingos. Para mim, devemos sempre caminhar ao lado de Deus”.

Nascida no interior de Minas Gerais, a estudante Laura Vieira, 23, conta que na sua cidade natal só há duas opções de religião: “Lá não tem isso de outras religiões, e se você falar sobre, pode até ser olhado de forma diferente”. Para ela,  é maravilhosa a diversidade religiosa que há no quadradinho. “No meio em que vivo, tem evangélico, católico, espírita e todo mundo se respeita. Dentro da minha casa, todos são católicos, e o fato de eu seguir o espiritismo foi bem aceito por todos. Meus familiares me apoiam e até gostam de escutar sobre o que trago da doutrina.”

O professor Luiz Carlos Pena ressalta que essa pluralidade criou inúmeros espaços de diferentes denominações religiosas. Por sua vez, esses locais religiosos representam uma importante diversificação que, ao mesmo tempo, se transformam em locais de conhecimento, de visitação. Verdadeiros pontos turísticos. “O turista se sente motivado por um interesse direto de participação em atos ou eventos de uma religião que o represente ou frequenta por outros motivos, como o desejo de conhecer a Brasília monumental — significativa pelos templos católicos e budistas”, explica.

O Turismo listou alguns lugares em que se reúnem pela fé. É importante lembrar que o respeito caminha em conjunto com a vestimenta em todos esses lugares, por isso, evite roupas decotadas,  bermudas, shorts ou saias curtas.

Templo Shin Budista Terra Pura  

(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 3/9/15)
(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 3/9/15)

Localizado na entrequadra da Asa Sul 315/316. O lugar é um refúgio no meio de tanta natureza. Inaugurado em 1973, o templo inovou suas atividades e, hoje em dia, oferta palestras, sessões de meditação com monge, oficinas de origami e ikebana — arte japonesa de arranjos florais — lutas culturais, língua japonesa e eventos em datas específicas.

As visitas acontecem às quartas-feiras às 19h30, sextas, às 17h30, sábado e domingo, às 9h. Na visita, roupas confortáveis e discretas são os pedidos do templo. (www.terrapuradf.org.br/).

Vale do Amanhecer 
(foto: Minervino Junior/Esp. CB/D.A Press - 10/7/18)
(foto: Minervino Junior/Esp. CB/D.A Press - 10/7/18)

Com sede em Planaltina, o acesso se dá pela DF-130 ou DF-20. O lugar chama a atenção de muitos visitantes. Formou-se uma comunidade e tem quase 30 mil habitantes. A solidariedade faz morada. Fundada em 1959, por Neiva Chaves Zelayay, a Tia Neiva, o lugar é símbolo de oração. Cada vestimenta usada pelos representantes tem um significado específico.

As visitas acontecem diariamente. No site, há um calendário sobre todas as atividades doutrinárias do local (https://valedoamanhecer.com/).


Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida

(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)

Projetada por Oscar Niemeyer, foi inaugurada em 1970 e construída no ponto central de Brasília, a Esplanada dos Ministérios. Lá dentro, os vitrais em tons de azul, verde, branco e marrom fazem o visitante se sentir no céu. A Catedral é ponto turístico de milhares de pessoas. As missas são realizadas de terça a sexta-feira às 12h15, sábado, às 17h e domingo, às 8h30, 10h30 e 18h. Outras informações: https://catedral.org.br/.


Comunhão Espírita
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)

Fixada no Setor de Grandes Áreas Sul, quadra 604, o prédio, na cor azul, reflete a calmaria do lugar. Considerada uma das maiores casas espíritas do centro-oeste, indaga-se que atende a 30 mil pessoas por mês. O espaço concentra livraria, auditório, salas de estudo e trabalho.

As palestras e os passes acontecem diariamente, por isso, no site, fica mais fácil escolher o melhor horário e o dia para visita (www.comunhaoespirita.org.br/portal2/index.php).


Santuário Dom Bosco
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)

Construído em 1963, em homenagem a São João Belchior Bosco, no Setor de Edifícios Públicos Sul, quadra 702. Em 2008 a Bureau Internacional de Capitais Culturais (IBOCC) a intitulou como uma das sete maravilhas da capital. Por dentro, os vitrais azuis refletem a calmaria e a presença do ser Divino, as portas, de ferro e bronze, são inspiradas na vida do santo. As celebrações acontecem todos os dias, com horário especial aos domingos, quando são realizadas às 8h, 11h, 18h e 19h30; já de segunda a sábado, sempre às 7h e às 18h. No site, é possível conferir mais sobre o santuário (http://santuariodombosco.org.br/).


Igrejinha Nossa Senhora de Fátima      
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)

Conhecida também como a Igrejinha da Asa Sul, ela fica na Quadra 307/308. Foi o primeiro templo religioso e paróquia do Plano Piloto, um pedido decorrente de uma promessa de Sarah Kubistchek e atendida por seu esposo e presidente da época, Juscelino Kubitschek, inaugurada em 1958. A estrutura é de concreto armado, sem colunas, com vitrais coloridos e triangulares, o que simboliza o céu, a terra e o mar.

As missas são celebradas de terça a sexta, às 18h30, no sábado às 17h, e domingo, às 8h, 10h e 18h30. No site, é possível conhecer mais sobre sua história (http://www.pnsfatimabsb.com.br/).


Templo da Boa Vontade  
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)

Com localização no Setor de Grandes Áreas Sul, Quadra 915, o local chama a atenção por sua arquitetura, em formato de pirâmide, na sua ponta, há o maior cristal puro do mundo. Fundado em 1989, o espaço, com vertente ecumênica, abraça a todas as pessoas e crenças. Se divide em templo da paz, onde pode ser feita uma caminhada em círculos, sala egípcia, em que há reflexão e prece, fonte sagrada e galeria de arte. Funciona durante todos os dias da semana, 24h (www.tbv.com.br/).


Templo Seicho-No-Ie  
(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 3/11/08)
(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 3/11/08)

Na Quadra 404 da Asa Sul, fica o templo de religião japonesa que se dispõe a atender a todos. A entrada remete a uma casa tradicional do país e o jardim ao lado inspira a harmonia que existe no lugar. As meditações ocorrem segunda, terça, quinta e sexta-feira, às 14h e às 19h. As informações sobre atividades, palestras ou outros futuros eventos podem ser obtidas pelo número (61) 3325-2680.

 

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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