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Correio Braziliense EUA

Apesar de distante, Havaí é visitado por turistas de todo o mundo

Visitar as ilhas havaianas é um passeio inesquecível, principalmente pelas praias inigualáveis do local. Mas há aventura mais forte, como conhecer o parque dos vulcões


postado em 09/01/2019 17:00 / atualizado em 09/01/2019 15:33

(foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
(foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)


Vale a pena voar ao outro lado do mundo para pegar uma praia? Se o destino for o Havaí, sim, com toda certeza. O arquipélago, que é, desde 1957, o 50º estado norte-americano, tem um espaço mítico cativo nas nossas mentes, e por muitas razões. Desde o fato de ter sido cenário em tantos filmes e séries de tevê até o aspecto histórico — o ataque dos japoneses a Pearl Harbour foi o gatilho para a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Tudo isso sem se esquecer, claro, do que mais importa: a natureza deslumbrante.

Nas ondas da costa norte da ilha de Oahu, foi conquistada a mais recente glória no esporte brasileiro, ultimamente tão carente delas: o bicampeonato mundial de surfe por Gabriel Medina. Também nas praias havaianas está outro símbolo prosaico do Brasil: a marca de sandálias de borracha com o gentílico do arquipélago. É frequente encontrá-la na areia, muitas vezes, o modelo com a bandeirinha verde e amarela, usada por pessoas que não falam sequer rudimentos de português.

Para além do aspecto simbólico, porém, visitar o arquipélago no Pacífico Norte é garantia de um bom passeio. Surfistas têm um apelo evidente. Quem gosta de mergulho livre ou com tanque de ar também encontra situação perfeita, com abundância de vida marinha e grande visibilidade. A distância com que se pode avistar peixes e corais sob a água equivale aos melhores locais do planeta, como a Grande Barreira de Corais na Austrália.

As pessoas que pretendem simplesmente relaxar na praia encontram sol e temperatura agradável o ano inteiro, e um mar azul-cobalto inexistente em qualquer outro lugar. Além disso, há, nas ilhas, algo muito raro de encontrar por aí: a combinação da exuberância natural com a sofisticação da infraestrutura de hotéis, restaurantes e lojas.

 

Praia de Waikiki, capital cativante do arquipélago (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
Praia de Waikiki, capital cativante do arquipélago (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

E para quem não quer saber de mar? Supreendentemente, há atrações incríveis. O Havaí tem um vulcão entre os mais ativos, o Kilauea. O Parque Nacional dos Vulcões, na Big Island, ficou fechado até setembro do ano passado, depois da maior erupção em 600 anos. Foi reaberto, embora algumas áreas continuem inacessíveis.

 

Visitar tudo isso, ou mesmo uma parte, exige planejamento. As ilhas não são tão próximas entre si quanto um rápido olhar no mapa pode sugerir. Voos entre elas levam entre 30 minutos e uma hora. E podem ser comprados on-line pelo site da companhia local, a Hawaiian Airlines.

Não se deve esquecer que ir de Brasília ao arquipélago no norte do Pacífico requer paciência. A menos que se disponha de um jatinho, que possa fazer uma rota mais direta, são mais de 24 horas de viagem, incluindo o tempo a bordo de aviões e a espera em aeroportos. É preciso fazer duas escalas, ao menos.

Uma possibilidade, é ir daqui para Miami pela American Airlines ou Gol. De lá, pode-se seguir para várias cidades norte-americanas que têm voo direto para Honolulu, em Oahu, ou para outra ilha, como Maui ou a de Hawaii, a maior, que dá nome ao arquipélago, mas abriga muito menos gente do que outras. Pode-se também voar para São Paulo. De lá, há voos diretos para Los Angeles, de onde se pode alcançar o arquipélago com apenas um voo. A vantagem, nesse caso, é concentrar a etapa internacional, que costuma ser um pouco mais confortável, no trecho longo. Os voos internos nos Estados Unidos, mesmo com seis horas de duração, não têm qualquer refeição ou entretenimento a bordo. Pela Copa e United, é possível ir daqui ao Panamá, de lá a Los Angeles e, em seguida, ao Havaí.

O preferido dos turistas

Oahu é o Havaí como nós conhecemos. A terceira maior ilha do arquipélago abriga Honolulu, a capital, a praia de Waikiki, centro da vida social; as famosas praias da Costa Norte, que servem de cenário para uma das etapas do Circuito Mundial de Surfe; e a Base Naval de Pearl Harbour, que foi atacada pelos japonses na Segunda Guerra e levou os Estados Unidos a entrarem definitivamente no conflito.


A ilha tem 1,54 mil km², pouco menos de um terço do Distrito Federal. Abriga um milhão de habitantes, o que faz dela a mais populosa, com dois terços das pessoas que vivem no estado norte-americano. Ainda assim, grande parte do espaço é coberto por vegetação natural ou fazendas, que produzem frutas tropicais, principalmente o abacaxi.

Logo que sai do avião, o turista percebe que está nos trópicos. A caminho de pegar a bagagem, passa-se por um corredor completamente aberto, ao lado de um jardim japonês com uma imensa figueira.

 

Praia de Hale'iwa: shows, feira, restaurantes e uma raspadinha para refrescar (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
Praia de Hale'iwa: shows, feira, restaurantes e uma raspadinha para refrescar (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

A ilha é servida por boas estradas, o que favorece o viajante que pretenda alugar um carro. Na parte sul, onde fica Honolulu, há uma grande via expressa que permite chegar rapidamente a vários lugares. Mas é preciso usar um navegador. A sinalização é aparentemente bem-feita, mas desaparece justamente quando mais se precisa dela.

Com o celular inoperante, não me foi possível, por exemplo, chegar ao local de visitação em Pearl Harbour. Os sentinelas na parte que segue em operação da base não estavam dispostos a dar informações turísticas. Pena. Quem conseguir pode ver ali a carcaça do USS Arizona quase completamente submersa, exceto pelos canhões superiores. Foi deixada assim desde a batalha de 1941.

Dali ao norte da ilha é um percurso rápido, de pouco mais de meia hora, a maior parte em uma via expressa que vai até o meio do território. Atravessa-se várias plantações. Em uma delas, é possível parar em um grande centro de visitantes que vende produtos locais, incluindo chocolate com cacau local e café.


Hotel na praia de Waikiki: preços salgados por causa da sofisticação (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
Hotel na praia de Waikiki: preços salgados por causa da sofisticação (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

Nas praias do norte, o mar é agitado. Mas, em geral, não é possível ver ondas gigantes. A melhor época vai de dezembro a fevereiro, mas as maiores ondas surgem de certa forma longe da praia. É preciso acessá-las por meio de pranchas ou jet-skis.


Não só na natureza, porém, estão os encantos da parte menos habitada. A primeira das praias de quem chega de Honolulu é a da cidezinha histórica de Hale’iwa, com lojas, restaurantes, galerias de arte e uma feira no sábado com apresentações de música e dança. Uma das formas de se refrescar é a famosa raspadinha, tão conhecida dos brasileiros: gelo picado com suco. Há filas para se conseguir uma.


O aeroporto de Honolulu tem um surpreendente jardim japonês (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
O aeroporto de Honolulu tem um surpreendente jardim japonês (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

Waikiki é o lugar mais cosmopolita de Honolulu e do arquipélago, uma Copacabana mais organizada e sofisticada. Há poucas opções de hotéis baratos. É bom contar com desembolso de US$ 300 por noite. Os grandes hotéis têm bares que encostam na praia. Mas também é possível dar um mergulho e tomar uma chuveirada na praça pública.

As opções de alimentação são bem variadas, e incluem muitos restaurantes asiáticos. Japoneses e coreanos lotam os hotéis — costumam ir para lá em lua de mel. E, quando estão lá, querem mesmo é comer a boa comida com que estão acostumados. Mas os brasileiros também podem se sentir em casa. Em busca de panquecas para começar o dia, parei em um café. A garçonete disse, simpática: “Infelizmente, não tem. Mas posso te trazer um excelente açaí”. (PSP) 

 

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