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Correio Braziliense EUA

Maui é a personificação do luxo à beira-mar no Havaí

No conjunto de ilhas, o luxo é encontrado, principalmente, em Maui. Hotéis e campos de golfe chamam a atenção, assim como a famosa e bela praia de Wailea


postado em 10/01/2019 10:00 / atualizado em 09/01/2019 18:30

(foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
(foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)


M aui é a ilha mais sofisticada do arquipélago havaiano. Sua costa tem praias perfeitas, com campos de golfe e hotéis de luxo encostados na areia. A maior parte deles está na baía de Maalaea, onde fica a praia mais famosa, Wailea.

A água transparente, em tons que variam entre o turquesa e o azul-cobalto, tem uma vida marinha exuberante. Basta um snorkel e uma máscara para observar essas maravilhas, embora seja possível também mergulhar com tanque de ar. Pode-se fazer aulas e pegar o certificado ali mesmo. Quem já fez o curso, mas se esqueceu de colocar a carteirinha na bagagem, pega uma nova na hora, sem burocracia, depois de uma consulta on-line.

Há peixes e corais de todos os tons, e uma grande quantidade de tartarugas-marinhas. Eu nadei durante 10 minutos ao lado de uma delas que tinha pelo menos dois metros da cabeça à cauda, e passeava tanquilamente pelo mar de Wailea.

A areia clara é protegida nas bordas por amendoeiras — sim, a impressão de estar no Brasil é frequente. É possível ir de uma praia a outra sem ver carros, caminhando na calçada que fica entre o mar e os hotéis, em meio à grama bem aparada. A rua está distante, para além da paisagem. Restaurantes e shoppings, que ficam mais para dentro, também podem ser alcançados por ali.

A diversão não acontece só de dia. À noite, os hotéis fazem em seus jardins shows com o famoso luau, incluindo danças típicas e a música local. O povo havaiano é originário da Polinésia, que fica no Pacífico Sul. E há teorias de que todos tenham vindo não diretamente da Ásia, mas da América do Sul. A semelhança com os nativos dos Andes realmente sugere isso.

Os Hotéis são um show à parte, mas nada pode ser comparado à praia de Wailea(foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
Os Hotéis são um show à parte, mas nada pode ser comparado à praia de Wailea (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

Tudo o que existe de icônico no Havaí é possível ser visto na ilha de Oahu, onde fica Honolulu. Mas em Maui a qualidade dos serviços e das instalações é muito superior. O Waldorf Astoria, marca que hoje pertence à rede Hilton, em Wailea, se assemelha a um palácio. Mistura varandas, lustres de cristal e esculturas do colombiano Fernando Botero em meio à vegetação tropical exuberante, sem dispensar um parque aquático que faz qualquer um se sentir criança. O tobogã fechado de muitos andares, escondido no paisagismo, proporciona uma queda de 20 segundos, com trechos de arrepiar.

Esquecer-se de que existe carro por uma semana pode ser o melhor a fazer em Wailea. Mas vale a pena reservar um deles no fim para fazer passeios mais distantes. As praias de areia vermelha e de areia negra na costa nordeste da ilha são deslumbrantes. É possível também ver o pôr do sol no vulcão Halaeakala (atualmente dormente), depois de subir até os 3 mil metros do topo.

Por mais que os mergulhos na praia sejam empolgantes, nenhum se compara, porém, aos da cratera submersa de Molokini. Antes um local de exercícios de tiro para navios de guerra, a área hoje é um santuário ao qual se chega depois de uma hora de viagem de barco. É um passeio que começa ao nascer do sol e vai até a hora do almoço, incluindo bebidas e comida, com preços que variam entre US$ 80 e US$ 200, dependendo do operador.

Não se vê pobreza em Maui. E a ilha é autossuficiente em energia, graças a investimentos do bilionário Elon Musk. Há uma fileira com dezenas de turbinas de energia eólica da beira do mar até o topo de uma montanha na ponta da baía de Maalaea.

Aventura quente 

Só o caminho até o Parque dos Vulcões já é uma atração para os visitantes (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
Só o caminho até o Parque dos Vulcões já é uma atração para os visitantes (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

A ilha de Hawaii, que dá nome ao arquipélago, ou Big Island, tem 2,74 mil km², metade da área do Distrito Federal. É a única que tem um vulcão ativo, o Kilauea. A teoria de formação do arquipélago explica que a principal área de vazão de magma ficou parada ao longo de milhões de anos, enquanto a crosta terrestre se desloca. As grandes erupções foram formando as ilhas havaianas, que têm a forma de um arco.

Na Big Island, há muitas cachoeiras e florestas, mas poucas praias. O sol também é bem mais escasso do que em outras ilhas, o que faz o local fugir um pouco das imagens que se faz do arquipélago. A menos que se pense em atividade vulcânica, o que também é uma marca desse pedaço do Pacífico. E, para quem quer estar perto de um vulcão, há poucos lugares tão bons no planeta.

O Kilauea fica dentro do Parque Nacional dos Vulcões, ao qual se chega em uma viagem de cerca de uma hora de carro a partir de Hilo. É a maior cidade da ilha, onde fica o principal aeroporto — há outro no lado oposto. Fica aberto 24 horas, e o ingresso para o carro, de US$ 25, dá direito a entrar quantas vezes quiser ao longo de uma semana, trafegar pelas estradas e estacionar.

Conhecer a cratera do vulcão Kilauea é obrigatório para quem vai à ilha de Hawaii(foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)
Conhecer a cratera do vulcão Kilauea é obrigatório para quem vai à ilha de Hawaii (foto: Paulo Silva Pinto/CB/DA Press)

O parque foi reaberto em setembro do ano passado, depois da maior erupção em 600 anos. Antes, era possível ver a lava na cratera, um espetáculo ainda mais impressionante à noite. Mas, depois da erupção, houve um refluxo e isso não é mais possível. A marca da atividade vulcânia está nos vapores com cheiro de enxofre que saem da cratera ou de pequenos buracos em outros pontos, em meio à vegetação. Uma estrada leva o visitante até o local onde a lava antes encontrava o mar, com várias atrações ao longo do caminho, incluindo florestas secas em meio ao chão de lava endurecida, que parece asfalto. É um passeio de um dia.

A lava atingiu muitas casas fora do parque no ano passado, que foram interditadas. O local estava inacessível até pouco tempo atrás, mas acaba de ser aberto ao público.

Um outro passeio passeio a partir de Hilo é conhecer o Mauna Loa, montanha de 4 mil metros formada por um vulcão adormecido. No topo, onde há neve mesmo no verão, há um observatório astronômico. A viagem de carro, a partir do nível do mar até o estacionamento perto do topo, leva um pouco mais de uma hora.

Em Hilo, há cafés, um grande jardim japonês, um mercado de peixes, onde se pode comprar atum da melhor qualidade. Uma larga alameda onde ficam os principais hotéis tem figueiras plantadas por personagens famosos que visitaram o local, como o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt.

Arte por toda a parte 

(foto: Rhona Wise/AFP)
(foto: Rhona Wise/AFP)

O Havaí é tão distante do Brasil que são muitas as opções de trajeto em direção ao arquipélago. Para o brasiliense, a melhor opção talvez seja parar em Miami. E uma das principais razões disso é a própria cidade. A maior metrópole da Flórida é um paraíso tropical que rivaliza com Honolulu. Mas, por improvável que pareça, faz sentido colocar as duas cidades na mesma viagem. Elas se parecem em muitos aspectos, e são complementares em outros.

South Beach é um município separado de Miami que fica em uma ilha (ou key) ligada ao continente por várias pontes. Tem um mar azul-turquesa que rivaliza com as variações havaianas. A oferta de hotéis, restaurantes e compras é, porém, superior ao que se pode encontrar no arquipélago do Pacífico.

Há na cidade da Flórida outra coisa que não se acha em qualquer lugar: um mercado de arte pujante, com galerias de arte e museus suficientes para encher dias de passeios. Por fim, é possível embarcar ali em cruzeiros nos maiores navios turísticos do mundo, com destino às ilhas caribenhas.

South Beach é um lugar único, com seu aspecto, em alguns pontos, de um balneário pitoresco da primeira metade do século 20. A ideia foi preservar a arquitetura art-déco, com adornos geométricos destacados pela pintura em cores pastéis. Desde que os edifícios foram construídos, nem sempre estiveram em bom estado. Nos anos 1970 e 1980, a área era o paraíso da máfia. Só mais tarde, com o combate ao crime e a recuperação urbana, se tornou de novo um local atraente, hoje caro e sofisticado.

Miami oferece mais que compras e parques, com galerias de todos os tipos (foto: Joe Raedle/AFP)
Miami oferece mais que compras e parques, com galerias de todos os tipos (foto: Joe Raedle/AFP)

Em South Beach também é possível ver arte de primeira grandeza, no The Bass, museu que fica no Collins Park, bem próximo ao mar e ao lado da sede do balé da cidade. Mais ao sul, em plena areia, realiza-se em dezembro, em um enorme barracão com ar-condicionado, a Feira de Arte de Miami, com estandes de galerias de todos os cantos do mundo todo.

Na parte continental da conurbação, é imenso o leque de opções entre galerias e museus. Uma que se destaca é a coleção de arte latino-americana da glaeria Gary Nader, na Rua 62, incluindo autores muito conhecidos, como Fernando Botero e Di Cavalcanti, e outros, como vários brasileiros, dos quais não se ouve muito falar fora do circuito especializado.

Não muito longe dali, para o norte, está o paraíso das compras para quem está disposto a gastar muito dinheiro: o Miami Design District, uma área planejada para concentrar as maiores grifes do mundo da moda e de móveis, entre outros produtos. Carros caríssimos e modelos desfilam nas ruas. Mas ninguém que não se encaixe nos padrões se sente um peixe fora d´água, como costuma ser mesmo em ambientes caros nos Estados Unidos. 

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