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Correio Braziliense HISTÓRIA

Marcas de guerra, museus são forma de aprender a história local

Museus em diferentes países contam o dia a dia e os fatos mais importantes de quem viveu momentos trágicos em períodos de conflito bélico. A maioria, na Europa, se dedica à Segunda Guerra Mundial


postado em 25/01/2019 10:00 / atualizado em 23/01/2019 13:20

Não é raro entrar em um grande museu e ficar em estado de choque ao ver como eram os dias vividos em épocas de guerra. Fotografias que contam a história de famílias sendo destroçadas, crianças abandonadas, homens e mulheres tentando se salvar do campo de batalha ou das prisões — como os famigerados campos de concentração nazistas — e resquícios de objetos pessoais. As marcas decorrentes de grandes períodos de confrontos, com diferentes motivos — da marcação de território à briga religiosa — se fixam na população de cada país.

Para Silmara Kuster, professora de museologia da Universidade de Brasília, os museus retratam um recorte do que foi a realidade dos antepassados, se tornando essenciais para que, “baseado nas experiências e erros cometidos anteriormente, possam promover o conhecimento, conscientizar e estimular a reflexão, necessários para se evitar novos conflitos”. 

A especialista reforça a ideia de que, para uma nação ter uma personalidade bem definida, é preciso conhecer a história de quem viveu antes. “O conhecimento e a consciência da história de um povo os capacita a encarar novos desafios. É aí que os museus têm a sua grande importância. Eles enfrentam a missão de trazer à tona a identidade de uma nação, capacitando-a para o futuro”. 

Por fim, a professora Silmara enfatiza que a lembrança de uma guerra ou outro conflito humano por meio “de uma mostra museológica não tem qualquer objetivo de fomentar divergências. É justamente oposto, trata-se da valorização da paz e daqueles que se sacrificaram para mantê-la”. 

Para que o leitor se inspire na hora de escolher o próximo destino, selecionamos alguns museus que contam a história de quem viveu dias amargos no passado. Vale a pena se aprofundar ainda mais sobre o povo dessas localidades.


Campo de Concentração de Auschwitz (Auschwitz)

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

 

Construído em 1940, em território polonês, foi usado como campo de extermínio durante o período nazista. O local é dividido em dois: Auschwitz e Birkenau. Lá se encontram objetos que eram usados à épocas, como colchões, fornos e sapatos. Ainda existe um memorial para homenagear os presos que passaram por lá, em sua maioria, judeus e soviéticos. A visita é guiada, com a cobrança de uma taxa. É importante visitar o site de Auschwitz-Birkenau antes (http://auschwitz.org) por causa dos horários específicos de entrada em cada época do ano.


Imperial War Museum (Londres)

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Foi aberto em 1917 e retrata o período histórico a partir da Primeira Guerra Mundial. São expostos objetos que eram usados na época, como vestuários, armas, veículos militares, documentos, livros e fotografias. Até um campo de guerra está montado no local para colocar o visitante mais ainda no clima. As visitas ocorrem diariamente, das 10h às 18h. No site (https://www.iwm.org.uk/), é possível ter todas as informações do espaço. A entrada é gratuita.

Casa de Anne Frank (Amsterdã)

 

(foto: AFP - 1/1/42 )
(foto: AFP - 1/1/42 )


Mais um museu dedicado a uma passagem específica da Segunda Guerra Mundial. A casa onde a menina Anne Frank morou com a família se tornou museu, após todos eles viverem escondidos no porão, durante o período de guerra, de 1942 a 1944. O local foi aberto em 1957 e, desde então, recebe visitantes de todo o mundo. Os bilhetes para visitar o espaço podem ser encontrados no site, assim como outras informações (https://www.annefrank.org/en/).


Topografia do Terror (Berlim)

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Em toda a Alemanha, os museus dedicados à Segunda Guerra Mundial se espalham e têm muita importância. A Topografia do Terror, na capital alemã, é um dos mais detalhados. Ele conta a história do país, da cidade e dos cidadãos que viveram entre 1933 e 1945 — período em que o regime nazista chegou ao poder e tentou a construção do Terceiro Reich. As fotos refletem os acontecimentos da época, assim como mapas das ofensivas nazistas, pensamentos e planos de Adolf Hitler. A entrada é gratuita e funciona todos os dias, das 10h às 20h.

Museu Estatal Bielorrusso da História da Grande Guerra Patriótica (Minsk) 

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Em 1944, a população da antiga União Soviética pôde ver sua história sendo contada em um ambiente que até então era novo. Foi o único museu da república aberto durante o período de guerra. Exposições de tanques, armamento, salas temáticas e outros artefatos compõem o complexo. No site, é possível conferir o horário de funcionamento e o valor da entrada (http://www.warmuseum.by/).

 

* Estagiária sob a supervisão de Leonardo Meireles 

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