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Correio Braziliense EUROPA

Inglaterra além dos Beatles, saiba um pouco mais sobre Liverpool

Para fazer um curso de inglês ou uma visita rápida, a terra dos Beatles chama a atenção pelo clima de cidade do interior e a paixão dedicada à música do quarteto


postado em 01/02/2019 10:00 / atualizado em 30/01/2019 18:12

 

(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)


John Lennon idealizou um mundo sem fronteiras ao escrever a letra da música Imagine. Talvez o ex-beatle “paz e amor” nem imaginasse que Liverpool, cidade onde nasceu em 1940, seria residência para estrangeiros dispostos a aprender o inglês. São milhares de latino-americanos, asiáticos, europeus, árabes e africanos rompendo as barreiras culturais para falar o principal idioma do mundo contemporâneo.

Na terra dos Beatles, há várias escolas especializadas na língua inglesa, com destaque para Kaplan Internacional, Imagine English Language Academy e Liverpool School of English. O alto custo cobrado pelos cursos, no entanto, pode desestimular uma parcela dos brasileiros a viver a experiência. Levando em consideração a conversão de R$ 4,87 para uma libra, uma semana de aulas, com hospedagem, fica entre R$ 1.500 e R$ 2.500. No Brasil, inúmeras empresas intermedeiam o serviço, o que facilita a vida dos neófitos.

Menor do que a vizinha e badalada Manchester, Liverpool, com meio milhão de habitantes, oferece amplo leque de atividades, sem perder o clima nostálgico de cidade interiorana. Andar por suas ruas é como viajar numa máquina do tempo algumas décadas: uma verdadeira aula de história em um país que viveu a ascensão e a queda do Império Romano, a Invasão Bárbara, a Guerra dos Cem Anos, as revoluções Gloriosa e Industrial e as duas guerras mundiais.

Aliás, as marcas da 2ª Guerra Mundial estão estampadas em ruínas cruamente preservadas, em terrenos curiosamente intocados após 70 anos dos bombardeios da Luftwaffe, a força aérea de Adolf Hittler. Há ainda um conservado bunker subterrâneo que abrigou os aliados durante os ataques da Alemanha Nazista, com direito a uma guiada na Rumford Street.

Escravidão

Na área cultural, um museu sobre a história da escravidão revela como Liverpool se tornou, durante cinco assombrosos séculos, porto de escoamento da venda de milhões de negros. Logo na entrada, uma saudação de Nelson Mandela leva à reflexão sobre os preconceitos que a humanidade ainda carrega: “Ser livre não é apenas romper os próprios grilhões, mas viver de forma a respeitar e engrandecer a liberdade dos outros”. Além desse, outros estabelecimentos, como Museu Nacional de Liverpool e Museu do Mundo, recontam as origens e reforçam a identidade da cidade. Detalhe: a entrada é grátis em todos eles.

 

Curiosidade

Os Beatles tocaram 292 vezes no The Cavern, considerado o clube mais famoso do século 20. A última apresentação no local foi feita em 3 de agosto de 1963. 

 

O antigo clube onde o grupo começou a carreira já não existe, mas o homônimo oferece boa música e bebida(foto: Paul Ellis/AFP)
O antigo clube onde o grupo começou a carreira já não existe, mas o homônimo oferece boa música e bebida (foto: Paul Ellis/AFP)

Visitar a cidade sem fazer uma incursão no mundo dos Beatles é quase uma heresia. Caro, porém imperdível, é o museu que mostra a vida do quarteto fantástico que conquistou o mundo da música com clássicos como Love Me Do, Yesterday, Strawberry Fields Forever, Sgt. Pepper's Lonely Hearts, Club Band e Penny Lane. Com uma economia baseada na indústria e no turismo, Liverpool explora de forma muito comercial a trajetória de sucesso de um dos grupos mais badalados da história.

No entanto, o famoso The Cavern, onde John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison levavam fãs ao delírio no início da carreira, em 1960, existe apenas na lembrança dos mais velhos. Na mesma rua, seu homônimo, uma versão moderna do clube mais famoso do século 20, recebe uma legião de beatlemaníacos e curiosos. Ainda assim, é um excelente local para ouvir boa música e beber a tradicional pint (caneca de chope).

Na área gastronômica, Liverpool não deve nada à capital Londres, guardadas as devidas proporções. Há uma concentração de restaurantes no Baltic Market, na Bold Street e no Liverpool One, um shopping a céu aberto. Apesar da disponibilidade de menus com entrada e prato principal, prática comum na maior parte da Europa, os preços nem sempre são convidativos e variam entre R$ 58 e R$ 110 por pessoa, sem bebida.


O shopping Liverpool One é agradável para passear mesmo com tempo frio (foto: Reprodução)
O shopping Liverpool One é agradável para passear mesmo com tempo frio (foto: Reprodução)

Opções econômicas e rápidas são os cafés das redes Nero, Starbucks, Costa e Greegs — que só compensam pelo custo baixo — e os mercados locais Tesco e Sainsburry’s. Para quem procura um café gourmet, consolidado no Distrito Federal, a decepção é praticamente garantida. Enquanto sobram as unidades servindo o clássico “americano”, métodos como a prensa francesa, filtrado, coado, Chemex (formato ampulheta) e o italiano Moka são desconhecidos da maioria dos estabelecimentos. Uma alternativa é o Panna Artesian Cafe & Eatery, que serve uma agradável seleção de grãos. 

Para o estrangeiro

Liverpool tem tudo para atender um estrangeiro. Nem o frio incomum para um brasileiro, a conversão da libra esterlina para o real, a impaciência, mesmo que rara, do povo inglês, a distância do Brasil, a falta do arroz com o feijão e o elevado preço são suficientes para impedir o descobrimento de novas terras. Como profetizou Lennon: “Eles talvez digam que sou um sonhador, mas não sou o único”. O mundo ideal derrubaria as barreiras físicas e culturais.

Para os apaixonados, nada como um passeio a Pane Lane: Viver a música(foto: Reprodução)
Para os apaixonados, nada como um passeio a Pane Lane: Viver a música (foto: Reprodução)

O que é um sonho para um brasileiro, para um europeu é rotina: o transporte público de qualidade e eficiente. Em Liverpool, os ônibus passam rigorosamente no horário, com calendário fixado em todas as paradas. Os veículos são limpos e conservados.

O metrô e o trem também são opções, mesmo para uma cidade de meio milhão de habitantes. Paga-se caro para utilizar os ônibus: o preço unitário do bilhete custa R$ 15. O ideal é adquirir um cartão mensal de R$ 320, que dá o direito de usar o serviço de domingo a domingo. Porém, será necessário desembolsar o valor à vista.

Pelas redondezas

Localizada a 343 Km de Londres, Liverpool é  excelente ponto de apoio para visitas a Manchester, Cardiff, Escócia e para quem deseja desbravar as medievais York e Chester. Diferentemente da jovem americana que lhe herdou o nome, a velha York é uma cidadela charmosa fundada pelos romanos em 71 d.C. Caminhar por suas ruas, sentindo a energia de milhares de anos, é um misto de história em 3D e um livro ainda não publicado da saga Harry Potter. Imperdível conhecer a imponente catedral York Minster, o Yorkshire Museum, o Museum Gardens e andar sob quilômetros de muralhas intactas que antecedem a época romana.

 

 

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