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Correio Braziliense ESCANDINÁVIA

Caça à aurora boreal. Conheça o principal destino do céu iluminado

Assistir ao fenômeno seria suficiente para visitar a Noruega, que oferece muitas atrações culturais, lindas paisagens, gastronomia com base nos frutos do mar e povo acolhedor. O país conquista a todos


postado em 20/02/2019 11:00 / atualizado em 20/02/2019 10:05

(foto: Gautebruvik/visitnorway.com)
(foto: Gautebruvik/visitnorway.com)


Quem nunca se encantou com a aurora boreal nos canais de televisão ou nas fotografias de revistas especializadas em fenômenos da natureza, pensando na imensidão e na magia do universo? Nos oito segundos da frase inicial, milhares de partículas solares viajavam em direção ao norte da Terra para formar as luzes vermelha, azul, verde e rosa que deixam os turistas de olhos arregalados voltados para o céu.

Ver o fenômeno seria suficiente para uma visita à Noruega, que oferece cenários incríveis com campos e praças cobertos por um tapete branco de neve nos primeiros meses do ano. O país com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo tem uma imponente carta de atrações, como a diversidade de museus, as casas coloridas de Bergen, as estações de esqui e os fiordes, vales rochosos banhados pelo mar.

Talvez pelo inverno gélido, a Noruega não seja rota da maioria dos brasileiros, em comparação com França, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha e Portugal. Além disso, desembarcar na Escandinávia é uma decisão onerosa: o conceito “quem converte não se diverte” cai como luva naquele lugar, que compõe a lista dos dez países mais caros para o turismo. Uma refeição em restaurante não sairá por menos de R$ 150 por pessoa. Em fast food, um lanche custará R$ 60, com suco ou refrigerante. Em relação à hospedagem, a diária segue os padrões europeus, com média de R$ 400 em hotel 3 estrelas.

Quando o assunto é alimentação, frutos do mar são o carro-chefe da culinária norueguesa. Com produtos frescos o ano inteiro, devem estar na lista dos amantes de uma boa refeição o bacalhau, o salmão, o caranguejo real (king crab) e as ostras. As peixarias oferecem bom custo/benefício e o cliente escolhe seu alimento ainda cru, em grande vitrine, ou mesmo vivo, em aquários, antes de vê-lo no prato. Em Oslo, destaque para o mercado Mathallen e o Fisktorget, que tem um simpático atendente sul-africano, o Dennis. Cumprimente-o com o grito amandla awethu (poder ao povo), popularizado na luta contra o regime de segregação racial adotado por sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul (1948-1994). Ele será duplamente atencioso e muito efusivo. Para aqueles que dispensam peixes e mariscos, há muitos restaurantes franceses, italianos, japoneses e tailandeses. Já quem gosta de apreciar novos sabores, não deixe de provar a carne de rena, servida em muitos estabelecimentos de comida típica.

 

Espetáculo

(foto: Bard Loken/Divulgação)
(foto: Bard Loken/Divulgação)

Um dos melhores lugares para a caçada à aurora boreal, a pequena cidade de Tromsø fica no extremo norte da Noruega. Há voos diretos a partir da capital, Oslo. Sair à procura das luzes coloridas custará R$ 500 por pessoa, durante um período de seis horas, e uma infindável quantidade de agências organiza os passeios, facilitando a vida dos desbravadores. É possível vê-las na cidade, mas os melhores lugares ficam afastados do centro. Apesar do preço alto, não há único turista que volte insatisfeito. A melhor época para ver o fenômeno é no inverno, especialmente se o céu estiver limpo e sem nuvens. E permaneça, pelo menos, três noites na região. Como toda charmosa senhora, essa maravilha da natureza tem seus caprichos e, em algumas noites, se recusa a iluminar a escuridão do céu.

Aproveite sua estadia para explorar a cidade de 75 mil habitantes. O Museu Polaria, um aquário aberto à visitação, permite observar focas e outros habitantes do Ártico, enquanto o Museu Polar expõe animais empalhados. Tromsø tem ainda um museu que detalha como funciona a aurora boreal, uma biblioteca com impressionante arquitetura em vidraças, a lindíssima catedral do Ártico, a cervejaria mais ao norte do mundo, a Mack Bryggeri, e o planetário. Acredite, não faltará opção.

Da neve à água
(foto: Vidar Ruud/AFP)
(foto: Vidar Ruud/AFP)

Nem só de cultura e aurora boreal vive a Noruega. Com constante neve em algumas regiões, o esqui faz parte da rotina do país. Na capital, alguns parques têm ringues públicos de patinação no gelo, com lojas que alugam equipamentos para os interessados. Localizado a 10 km do centro, o Winter Park, maior estância de esqui da região, merece uma visita durante o inverno. Tem 11 elevadores e 18 pistas, que são das mais visitadas de todo o país. Há opções para diferentes níveis, de iniciante a profissional.

Aproveitando as atividades ao ar livre, flutue pelos fiordes em embarcações modernas que passam entre pequenas ilhas no coração de Oslo, ou entre as belíssimas montanhas que circundam Bergen, a cidade com casas coloridas. Passe, pelo menos, uma noite no local. Tenha certeza: valerá cada segundo.

Presença viking
(foto: Visitnorway.com/Divulgação)
(foto: Visitnorway.com/Divulgação)

Famosa por seus lendários exploradores que organizaram as primeiras expedições rumo aos polos Norte e Sul, a Noruega orgulha-se das aventuras de Roald Amundsen, que liderou o primeiro grupo a chegar ao Polo Sul, em 14 de dezembro de 1911, e do seu maior explorador, Thor Heyerdahl. Em um conjunto de quatro museus (Fram, Marítimo, Vikingskipshutset e Kon-Tiki), descobre-se a relevância dos mares para os noruegueses. Na mesma área, não perca o Museu do Folclore. Reúne construções originais datadas de diversos séculos, como a Stave church from Gol, uma igreja antiga de madeira construída graças à técnica de escultura desenvolvida pelos vikings.

Oslo une história e cultura

(foto: Didrick Stenersen/Visitoslo - 21/3/18)
(foto: Didrick Stenersen/Visitoslo - 21/3/18)
 

Porta de entrada da Noruega, sua capital mistura o passado viking com modernidade parecida à do desenho animado A Família Jetsons. Sobram alternativas de atividades. Ainda que menos badaladas do que os museus Louvre, Vaticano, Britânico e o Rijksmuseum, diversas casas merecem atenção, como o Centro Nobel da Paz, que estampa, em uma sala futurista, os laureados da premiação, como Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Barack Obama, Wangari Maathai, a baronesa Bertha Von Suttner e o jornalista Norma Angel. Este último, agraciado em 1933, escreveu um livro no qual constatou, já naquela época: “Mais educação reduz o número de guerras”.

Uma incursão pelo Museu da Resistência, que fica dentro da belíssima fortaleza Arkesus, é obrigatória. Entenda como os noruegueses lutaram contra o nazismo até a traição do líder do Partido Comunista, Vidkun Quisling. O político conspirou a favor da Alemanha, que encontrou no país um caminho para o Atlântico Norte durante a Segunda Guerra Mundial. Nas paredes do prédio, periódicos antigos ao estilo Pasquim recontam a heroica resistência ao controle nazista. No outono de 1943, cinco mil pessoas estavam empregadas editando, imprimindo e distribuindo mais de 60 jornais “clandestinos”, demonstrando a importância desses veículos no combate ao totalitarismo de Adolf Hittler.

Outra parada imperdível é o Centro de Estudos sobre o Holocausto e Minorias Religiosas, que repassa o martírio de 772 judeus deportados da Noruega a bordo dos navios Donau, Monte Rosa e Gotenland em direção aos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau. Apenas 34 deles sobreviveram. No local, uma frase traduz a insanidade de Hitler, que conduziu o extermínio em massa de seis milhões de pessoas: “A deportação dos judeus constitui um capítulo negro na história da Noruega e da Europa”.

Triste notícia para quem não dispensa museu. Queridinha dos amantes de pinturas, desenhos e esculturas, a Galeria Nacional de Arte, que tem o maior acervo do país, está fechada para reforma, com previsão de reabertura apenas em maio. Nela, está o quadro “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch. (GG)


Visitas imperdíveis

  • Aurora boreal, em Tromsø
  • Museu Fram
  • Centro Nobel da Paz
  • Fortaleza de Akershus
  • Museu da Resistência
  • Norse Folkemuseu
  • Centro do Holocausto
  • Museu Marítimo
  • Winter Park

 

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