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Correio Braziliense SERRA GAÚCHA

Se encante pela Serra Gaúcha com destino ao vinho

Além das experiências de degustação e harmonização de vinhos durante o inverno, roteiros inovam com a vindima e a pisa da uva, passeios de aventura e muita comida típica no período do verão


postado em 21/02/2019 10:00 / atualizado em 21/02/2019 15:14

(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press)
(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press)


O frio da Serra Gaúcha já é um tradicional roteiro de inverno; agora, os turistas descobrem as novas possibilidades na região. A Estação Vindima, a colheita da uva, que ocorre no verão, de janeiro a março e tem atraído cada vez mais visitantes à cidade de Bento Gonçalves, a 120km de Porto Alegre (RS). As opções de passeios são variadas e incluem programas tanto para quem já conhece vinhos quanto para os amadores no assunto. É certeza encontrar vinhos que agradam a todos os paladares e de muita qualidade, mas o destaque é o Merlot, já que essa uva foi a que melhor se adaptou à região.

Do meio para o fim da estação, os produtores realizam a tradicional colheita da uva, após meses de longo preparo. Aos poucos, o que era apenas uma rotina da viticultura se tornou um atrativo turístico. Uma das vinícolas que oferece o roteiro da vindima é a Cainelli, um estabelecimento familiar gerenciado por Roberto e Bernadete Cainelli, e o filho Roberto Junior, enólogo responsável pela produção.

 

Ao chegar, o turista recebe uma breve explicação de Bernadete sobre a origem da família, que chegou ao Brasil em 1875 para “catare la Cucagna”, expressão que significa a busca pela Cocanha, país do imaginário italiano que seria como um paraíso na terra. Mas as condições no Brasil eram árduas, com pouca estrutura para os recém-chegados, que construíram casas de troncos de árvore e chão de terra batida, com porões de pedra para amenizar os invernos rigorosos do sul. “Com fé, trabalho e família, nossos antepassados superaram as dificuldades”, relata a matriarca.

De chapéu de palha e portando cestos de vime, o turista é liberado, então, para colher as uvas na vasta plantação. A colheita é embalada pelo músico Samuel Pedrotti, no violão, e pelo grupo Recordare e Vivere, coral feminino que engloba várias gerações de descendentes de italianos para manter viva a tradição do canto.

Toda a experiência é desenhada para lembrar a vindima dos colonos e das famílias da região. Como as manhãs eram de trabalho intenso e para evitar longas pausas, o lanche era servido em meio aos vinhedos. É o merendim, também reproduzido nas vindimas de hoje. Conta com polenta frita na hora, queijos, salames, pães, geleias e torta tirolesa com recheio de uva. Para refrescar, são servidos vinho tinto e branco, além de suco.

Ao final da colheita, o turista é levado de tuk-tuk até a entrada da vinícola, onde participa da pisa das uvas. Os cachos colhidos minutos antes são despejados em um grande tonel (nas vinícolas tradicionais, chamado de lagar) para que sejam amassados. A grande vantagem desse método e o motivo pelo qual durou tantos séculos é que ele não resulta na quebra da sementes. Assim, o suco não fica com o gosto forte e amargo presente nessa parte da fruta. O produto da pisa, é claro, não é bebido pelo visitante; todo o vinho consumido nas dependências e comercializado pela vinícola é feito em prensas automáticas.

O roteiro, que é perfeito para casais, famílias e grupos de amigos, tem duração de 150 minutos e custa R$ 130 por pessoa (descontos para crianças), com agendamento prévio. A vinícola também tem outras opções de passeio, que podem ser compradas pelo site. Além disso, você pode buscar um programa mais completo em agências de turismo, que montam excursões para percorrer vários estabelecimentos em um dia.

Mapa da degustação

(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press)
(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press)


Em 2018, Bento Gonçalves recebeu mais de um milhão de turistas. Abertas o ano inteiro, as vinícolas são o destino mais procurado por quem quer conhecer essa região da Serra Gaúcha. Calcula-se que a cidade tenha entre 80 e 100 estabelecimentos. Na região adjacente, que conta também com Garibaldi, são mais de 200.

A Salton, fundada em 1910 e um dos nomes mais tradicionais no mercado, é uma das muitas opções de passeio. A empresa, que começou como um negócio de família, hoje vende os rótulos por todo o país e também exporta. Conhecida principalmente pelos espumantes, a vinícola tem produtos premiados no mundo. Para dar conta da produção, 95% das uvas vêm de produtores vizinhos. Além da visita pela vinícola e estrutura, a Salton também oferece degustação e aula de harmonização. O ingresso para o tour custa a partir de R$ 30.

Em contraste, a vinícola Marco Luigi produz até 10 mil garrafas de cada rótulo. Mesmo sendo raros no mercado tradicional, os vinhos do estabelecimento têm preços que cabem no bolso, a partir de R$ 30 (o espumante rosé, o mais procurado pelo consumidor). Já quem procura algo ainda mais exclusivo pode encontrar boas opções na cave de reserva especial, que contém vinhos produzidos desde a década de 1990, com preços que variam entre R$ 200 e R$ 250.

 

 

Ver galeria . 3 Fotos Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press
(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press )

 

Na vinícola Cristofoli, toda a produção é cuidada pela família. Bruna Cristofoli, a filha mais velha, conta que os antepassados italianos migraram para o Rio Grande do Sul nos últimos anos do século 19 e construíram a casa que, hoje, funciona como restaurante e loja. A produção de vinhos para venda começou em 1984 e virou marca registrada em 1998. Hoje, Bruna cuida da recepção aos visitantes; o irmão, Lorenzo, é o enólogo responsável pela criação dos rótulos; a prima Letícia cuida da loja, e a cozinha fica sob responsabilidade das matriarcas.

O cardápio é caprichado: de entrada, queijos, salames, azeitonas, pães e focaccia, seguidos por uma salada de folhas e tomate. O molho de banana da terra é uma receita especial da família. Depois, um belo prato de massa fresca: bigoli com molho de tomate. O prato principal é ossobuco com polenta. De sobremesa, sorbetto de morango. Tudo, é claro, harmonizando com as bebidas da casa — vinhos das uvas chardonnay, merlot, cabernet sauvignon e moscatel compuseram o almoço. Outro destaque é a utilização de alimentos de produtores locais. Preços sob consulta.

A comida em Bento, aliás, é rica e cheia de delícias para os amantes da gastronomia. A forte influência italiana se mistura com a tradição do churrasco gaúcho, garantindo prato cheio em todas as refeições. Em praticamente qualquer restaurante, é possível encontrar a sopa de capeletti como entrada, uma massa recheada com carne bovina e de frango in brodo. Além disso, carnes e galetos, outras massas e muita polenta completam o cardápio. Entre as sobremesas, o sagu de uva com creme branco é a estrela. Os fãs de doces também não podem deixar de conferir a Devorata Trufas Artesanais, originária da cidade vizinha Garibaldi, mas que está presente em uma das principais regiões de Bento, o Vale dos Vinhedos.

E como não pode faltar no Rio Grande do Sul, o chimarrão está sempre presente. Para quem quer conhecer mais o produto, vale uma visita à Casa da Erva Mate, no Caminhos de Pedra, área da cidade que ainda conserva muitas construções originais do final do século 19. O turista pode fazer um tour pelo espaço, ver o moinho e os pilões em funcionamento e ainda provar o chimarrão ao final. 

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