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Correio Braziliense SERRA GAÚCHA

Os encantos do trem do vinho

Nos caminhos da linha férrea, um passeio partindo do município de Bento Gonçalves leva o turista a Garibaldi e Carlos Barbosa. Uma viagem pela história da bebida considerada dos deuses


postado em 22/02/2019 10:00 / atualizado em 20/02/2019 11:21

(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press)
(foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press)


Para contar a história da cidade de 120 mil habitantes, a atração Epopeia Italiana encena a migração do casal Lázaro e Rosa Giordani, desde quando deixaram a cidade natal de Pedersano, até 1890, quando o povoado brasileiro deixou de se chamar Colônia Dona Isabel e ganhou o nome de Bento Gonçalves. Em um espaço de dois mil metros quadrados, nove cenários ricos em detalhes e uma mistura de teatro ao vivo com cinema, o visitante acompanha o sonho de uma vida melhor na América, a viagem de 36 dias no mar e a chegada ao Brasil. Tudo inspirado na história real dos bisavós da atual geração da família, que idealizou o passeio e também revitalizou o trem Maria-Fumaça que percorre a cidade. O programa encanta adultos e crianças. Os ingressos custam a partir de R$ 20. Ao final, o visitante pode degustar vinhos, sucos e biscoitos, além de comprar produtos locais.

Já o passeio de trem, que parte de Bento Gonçalves e visita as vizinhas Garibaldi e Carlos Barbosa, tem como objetivo unir a tradição ao moderno. Inaugurada como passeio turístico em 1992, a locomotiva a vapor carrega 370 passageiros por 23km e quase duas horas de paisagens da serra gaúcha. O apito pode ser ouvido em toda a cidade, e moradores acenam do jardim enquanto a Maria-Fumaça passa.

Conhecida como o trem do vinho, a locomotiva conta com degustação de vinhos e sucos de uva da região em todas as estações, inclusive na de partida. Por isso, uma dica valiosa é chegar com meia hora de antecedência do horário de embarque para aproveitar a experiência. Tudo isso é embalado por artistas locais, que fazem da estação, decorada para lembrar as do século passado, palco para apresentações. Música tradicional gaúcha, teatro, coral italiano e tarantella, uma tradicional dança da Itália, também fazem parte do percurso. Durante os noventa minutos de jornada, os artistas passam pelos vagões e animam os passageiros.

 

Ver galeria . 4 Fotos Durante o passeio, de 90 minutos, degustação e muita animação com músicas do coral Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press
Durante o passeio, de 90 minutos, degustação e muita animação com músicas do coral (foto: Ana Carolina Fonseca/CB/D.A Press )
 

 

Na centenária Garibaldi, a primeira parada, a estrela é o espumante, principal produto da cidade. Aliás, o lugar é o único do Brasil a produzir a tradicional champanhe: o nome, hoje, só pode designar produtos da região originária na França, mas a vinícola Peterlongo, por ter anos de história e usar o método correto, ganhou o direito de manter a nomenclatura. Carlos Barbosa, a segunda e última parada, é a Capital Nacional do Futsal desde 2017.

Para o passeio acontecer, 20 funcionários trabalham na manutenção da locomotiva, que mantém a estrutura e mecânica originais. As peças são feitas sob encomenda. Cerca de 800 kg de briquetes (toras de madeira reaproveitada) são usados a cada passeio para alimentar a caldeira. Apesar de toda a tradição, o trem leva um gerador de energia, que ilumina os vagões e possibilita o sistema de som usado para entretenimento. Um dos trens reformados para o passeio é de 1941 e o outro, de 1954.

Durante os períodos de alta temporada (do final de novembro até meados de janeiro) e no inverno, três mil pessoas aproveitam o passeio do Maria-Fumaça por dia, de segunda a segunda. Vinni Fernandes, funcionário da Giordani Turismo, que opera a concessão do trem, comemora a alta de movimento na região: “Bento Gonçalves tem muitas histórias para contar”, afirma. O turismo, aliás, ajudou a blindar a cidade da crise que tomou o país nos últimos anos. Atualmente, figura como a quarta maior atividade econômica do município, depois da fabricação de móveis, metalurgia e produção de vinhos.

Liliane Prestes, funcionária da vinícola Dom Cândido, conta que muitos turistas costumavam escolher Gramado ou Canela como destino de férias, ouvia falar de Bento Gonçalves e só então visitava a cidade. Hoje, porém, ela acredita que a região conquista turistas pelos próprios atrativos.

A guia Maria de Fátima Dill, que é formada em História e pesquisa a migração italiana para o Brasil, também ressalta o crescimento do turismo na cidade, especialmente na época da vindima, antes considerada baixa temporada. Parte da curiosidade dos visitantes está justamente na origem das tradições e costumes que compõem a vida no sul. Maria de Fátima aproveita o trajeto no ônibus entre uma atração e outra para contar curiosidades do local, como a origem do nome da cidade — uma homenagem a um dos líderes da Revolução Farroupilha.

Para quem busca mais agitação, não faltam opções. No Hotel Villa Michelon, é possível fazer um passeio de quadriciclo entre os parreirais, parar no meio para degustar as bebidas da vinícola Dom Cândido e, de quebra, aproveitar vistas incríveis da região. No Parque Gasper, a poucos quilômetros, as atrações são o bungee jump, tirolesa, escalada, rapel e arvorismo. A entrada custa R$ 5, mas as atrações têm preços à parte.

A cidade tem, ainda, restaurantes e bares para atender a todos os públicos. Quem gosta de cerveja, aliás, não precisa se sentir excluído: além de ótimos vinhos, a região conta, também, com produções cervejeiras artesanais, como o Moinho Graciema, com uma seleção variada e saborosa. Ou seja: Bento Gonçalves tem tudo para ser uma viagem memorável.

* Viagem a convite da Giordani Turismo

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