Publicidade

Correio Braziliense

A linda Olinda, do maracatu ao artesanato, um patrimônio cultural

Os ladrilhos das ruelas com altos mirantes fazem poesia nas cantorias dos foliões. No coração do município pernambucano, cerca de 800 agremiações arrastarão milhares de pessoas, com muita alegria e sem hora para acabar


postado em 01/03/2019 10:00 / atualizado em 27/02/2019 11:55

Foliões ocupam as ruas de Olinda(foto: Arquimedes Santos/PMO)
Foliões ocupam as ruas de Olinda (foto: Arquimedes Santos/PMO)


Todo o multicolorido e cantoria que se vê na tevê é real. A seis quilômetros da capital, a “Terra dos Gigantes” é charmosa em cada cantinho. Classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, reúne casarios, igrejas, conventos, enormes ladeiras e mirantes com vista de tirar o fôlego. É nas ruelas que o show acontece, sem hora para acabar.

E como a tradição manda, os bonecos gigantes de Olinda são peças chave. Artistas de grande relevância são retratados na mais perfeita cópia, sem esquecer os personagens mirins, afinal a festa é para todos. Alguns pesam cerca de 60 quilos. A companhia segue com o famoso Homem da Meia-Noite. A simbologia é tão forte que ele se tornou Patrimônio Vivo do estado.
 
Visita a Casa dos bonecos gigantes de Olinda(foto: Guga Matos/SeturPE)
Visita a Casa dos bonecos gigantes de Olinda (foto: Guga Matos/SeturPE)
 
Há 87 anos o boneco gigante sobe as ladeiras arrastando multidões. Uma das histórias que se conta é que havia um homem muito bem vestido, com chapéu e usava dente de ouro, que só aparecia aos sábados de madrugada. Benedito, músico e carpinteiro, criador do primeiro boneco, seguiu o homem à época e descobriu que ele pulava as janelas das mulheres para namorar. Já a questão mística é que ele nasceu no dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, à meia noite — o horário mais misterioso do mundo —, na sede em frente à Igreja Nossa Senhora da Rosa Mística — igreja mais simbólica da cidade.

Luiz Adolpho tornou-se presidente do Homem da Meia-Noite e segue na trajetória há 17 anos. Ele herdou a tradição de seu falecido pai e faz o trabalho com honra desde então. Este ano, o tema será “A voz do morro”. O boneco é símbolo da abertura do carnaval olindense, que aparece sempre à zero hora de sábado, arrastando aproximadamente 500 mil pessoas. “Subiremos o Morro da Conceição questionando toda essa elite absurda que tomou conta do nosso país, que humilha e pisa no nosso povo e que não dá direito à voz a eles. Temos essa obrigação social de combater isso”, destaca o presidente.
 
Apresentação de Maracatu em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuc(foto: Guga Matos/SeturPE)
Apresentação de Maracatu em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuc (foto: Guga Matos/SeturPE)
 
Passear pelas ruas de tamanhos diferentes e colecionar várias casas coloridas com o olhar ressalta o charme da cidade. O percurso também pode ser feito no veículo turístico com nome bem sugestivo: Olinda aventura. O trajeto faz parada em 12 pontos principais, entre eles o Alto da Sé e o Mosteiro de São Bento.


A rima de Nazaré

 
Apresentação de Maracatu em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuco(foto: Guga Matos/SeturPE)
Apresentação de Maracatu em Nazaré da Mata, na Mata Norte de Pernambuco (foto: Guga Matos/SeturPE)
 

Ir para o carnaval de Pernambuco implica em aproveitar tudo que o estado proporciona. A 63 quilômetros da capital, pouco mais de uma hora de viagem, um outro município que respira a temporada brasileira é Nazaré da Mata. O festejo arrasta crianças, mulheres, homens e até pessoas de mais idade. O carro chefe do lugar é o maracatu. Para quem nunca vivenciou algo do tipo, é indescritível. As cores, a rima improvisada, o gingado, a saia rodada das mulheres e o colorido de todos.


A apresentação acontece durante os cinco dias. Serão mais de 100 grupos que se apresentarão. O mais antigo tem 101 anos. A reunião de disputa acirrada em que o município mais recebe visitantes é na segunda-feira, 4 de março. Em Nazaré, o destaque se dá ao Maracatu Rural, em que o principal símbolo é o caboclo de lança, uma mistura da cultura afro-indígena com manifestações populares, como bumba-meu-boi, folia de Reis, entre outras pernambucanas.


Artesanato

 
Centro de Artesanato em Tracunhaém, Mata Norte de Pernambuco(foto: Guga Matos/SeturPE)
Centro de Artesanato em Tracunhaém, Mata Norte de Pernambuco (foto: Guga Matos/SeturPE)
 
A riqueza do estado pernambucano é tamanha, que cada região tem um ponto de destaque, uma tradição local. A quase 57 quilômetros de distância de Recife, Tracunhaém é um município que fica entre Nazaré da Mata e a capital. O artesanato movimenta a economia e toda a população. Se você se lembra do filme estrela dos Estados Unidos, Ghost, a cena é idêntica quando se vê o trabalho completamente todo manual do artesão. O município concentra diversas olarias onde fazem todo o processo do produto para que chegue pronto ao consumidor. O trabalho é extenso e merece todo o destaque.

Por toda a cidade é possível encontrar as peças. O Centro de Artesanato reúne os produtos da maioria dos artesãos do município. Na Olaria Dantas, acontece o trajeto de diferentes materiais e no Ateliêr do Zezinho, a delicadeza chama a atenção. É uma obra de arte.
 
 
Olaria Dantas em Tracunhaém, na Mata Norte de Pernambuco. (foto: Guga Matos/SeturPE)
Olaria Dantas em Tracunhaém, na Mata Norte de Pernambuco. (foto: Guga Matos/SeturPE)


Onde comer


Patuá
  • O lugar tem decoração charmosa e acolhe o gosto de quem tem a difícil missão em decidir apenas um prato para comer. A combinação do doce com o salgado pode ser sentida na moqueca que leva banana.
  • Rua Bernardo Vieira de Melo - Carmo, Olinda.


* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

* Viagem a convite da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade