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Correio Braziliense

Dos veios da Terra, a profunda beleza

Os cânions são a prova do implacável passar do tempo, registros do poder da natureza selvagem e desafios ao espíritos exploradores. Além de apreciar a beleza, é possível praticar muitas atividades


postado em 17/04/2019 11:54 / atualizado em 17/04/2019 12:16

(foto: JOE KLAMAR)
(foto: JOE KLAMAR)


Imaginar a força da natureza e também o poder do tempo se torna visível àqueles que podem observar de perto um cânion. As profundezas dos paredões impressionam e encantam, não apenas por sua diversidade de formas e cores, mas por sua origem. Os abismos quilométricos se formaram, em sua maioria, pela passagem das águas de um rio. O processo de soerguimento, que é o levantamento de uma placa tectônica no interior da crosta terrestre, também é um dos colaboradores para o surgimento destas grandiosas formações rochosas.

Esculpidos e delineados através dos séculos, milênios e milhões de anos, os cânions guardam em si a magnitude da evolução. Os mais profundos abismos podem chegar a mais de seis quilômetros de profundidade. Vistos de cima ou de baixo, os estupendos paredões revelam em suas camadas superpostas a passagem do tempo e sua lenta construção. Um paraíso geológico, cheio de silenciosas histórias cravadas em suas entranhas e também estampada em sua superfície.

Camila Lopes em visita ao Grand Canyon,
Camila Lopes em visita ao Grand Canyon, "você se sente muito menor no mundo" (foto: Arquivo Pessoal)

Em viagens feitas no último ano, Camila Lopes, 27 anos, visitou dois destes incríveis desfiladeiros, o Grand Canyon, nos Estados Unidos, e a Victoria Falls ou Cataratas de Vitória, na fronteira entre Zimbábue e Zâmbia. A vastidão do precipício americano foi o que mais chamou a atenção da docente. “Mesmo pessoalmente, não parece real. É algo tão inacreditável e gigantesco que você se sente muito menor no mundo. Eu tenho medo de altura e sentia como se existisse algo me puxando para baixo. Fiquei um bom tempo sentada somente admirando e imaginando como aquela grandiosidade foi formada. É tão perfeito e surreal que parece um desenho, um quadro”, admira-se Camila.

Diante a grandiosidade da maior queda d‘água do mundo, Camila impressionou-se com a facilidade do acesso ao Parque Nacional de Victoria Falls e também com o volume que escorre pela encosta rochosa. “Há uma boa estrutura em restaurantes e serviços de hotelaria, o parque fica a 15 minutos de caminhada do centro de Zimbábue e a trilha que leva até a cachoeira é bem rápida e tranquila, em 5 minutos chega-se em frente a ela. Victoria é uma cachoeira impressionante, ela parece infinita de tão grande. Quando postei essa foto na minha rede social, disse que há duas quedas d’água, uma para baixo e outra para cima, que é formada pelo vapor que sobe pelas rochas. É uma delícia se refrescar com o vapor”, conta a docente.

 

Cânion de Kali Gandaki - Nepal

 

(foto: Jean-MarieHullot/Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Jean-MarieHullot/Wikimedia Commons/Reprodução)


No meio do Himalaia, é fácil entender por que o Cânion de Kali Gandaki ocupou diversas vezes a primeira colocação na lista dos mais profundos desfiladeiros do mundo. Em um dos pontos mais altos à beira do rio, a altura astronômica chega a 6.800 metros. O rio homônimo que esculpiu o cânion faz homenagem à deusa hindu Kali , que simboliza a natureza e é uma das representações de Durga, esposa do deus Shiva.

Nos complexos montanhosos que cercam o país, encontra-se também o Monte Everest, o ponto mais alto da Terra, com incríveis 8.848 metros acima do nível do mar. O desafio de alcançar o topo da montanha acende o coração de muitos aventureiros, a região é famosa pela prática de escalada. Desde 1921, quando britânicos fizeram a primeira expedição, ocorreram milhares de tentativas, resultando em tragédias memoráveis, mas também no sucesso daqueles que chegaram ao pico nevado.

Apesar da majestosa e imponente natureza que existe na região, o Nepal é um país pobre, mas com serviços turísticos. Para o público que prefere se aventurar sem esperar uma super-infraestrutura, há muitas opções de atividades em meio às montanhas e rios que fazem do Himalaia uma referência em belezas naturais. As águas que passam aos pés dos montes são perfeitas para a prática de rafting, e as trilhas para observar os picos nevados do Everest são uma experiência única para os turistas.

Com pouco mais de 145 mil quilômetros quadrados, a região abriga uma população de 29,3 milhões de pessoas. Número que o coloca no topo das nações com maior densidade populacional do planeta, são 184 habitantes por quilômetro quadrado.

Grand Canyon - EUA

 

 

(foto: ROBERT GALBRAITH)
(foto: ROBERT GALBRAITH)
 


Ele pode não ser um dos mais profundos, mas é a estrela da lista. Famoso, o complexo rochoso localizado no estado do Arizona, nos Estados Unidos, o Grand Canyon é praticamente vizinho do centro de entretenimento em jogos mais aclamado do mundo, Las Vegas. Apenas 200 quilômetros separam a cidade das ofuscantes luzes do ponto de observação mais procurado no vale montanhoso, o Grand Canyon Skywalk. Neste ponto, uma plataforma em formato de U avança sobre o precipício, onde os turistas têm a sensação de pisar no vazio, uma vez que o piso é fabricado em material transparente.

A parte sul da região conta com maior estrutura de apoio ao turista, por lá, há uma série de restaurantes e lanchonetes, um museu onde é possível entender como ocorreu a formação do cânion na maciça rochosa, além de guias que conduzirão o visitante aos doze mirantes, que têm acesso livre durante o ano inteiro. Este também é o lado da encosta mais próximo a Las Vegas.

Para quem dispõe de tempo e disposição para visitar a região desértica estadunidense, onde localiza-se o cânion, há passeios que levam o turista ao redor do desfiladeiro até as partes remotas, mais ao norte. O trajeto também pode ser feito de carro e, ainda, de helicóptero.

Cânion de Cotahuasi - Peru

 

(foto: Presque Rendu/Flickr/Reprodução)
(foto: Presque Rendu/Flickr/Reprodução)
 


Mais um tesouro guardado nos Andes peruanos, o Cânion de Cotahuasi tem uma imensidão rochosa com profundidade de 3.535 metros. Cercado pelas montanhas Solimana e Coropuna, cujos picos alcançam vertiginosos 6 mil metros de altitude, o local é privilegiado pela rica natureza.

Entre picos nevados e cactos a perder de vista, o vale é perfeito para quem deseja praticar esportes de aventura, como voo livre, escalada, mountain bike e canoagem.

Banhado pelas águas do Rio Colca, os visitantes têm a oportunidade de conhecer as cataratas de Sipia. A queda de mais de 150 metros é um espetáculo à parte, quando os raios solares atravessam o vale, formando um arco-íris permanente. Uma recompensa aos que suportam firmemente os efeitos das elevadas alturas. O ar rarefeito costuma causar aos visitantes sensação de dificuldade de respirar e dor de cabeça. Por essa razão, o uso da folha de coca é tão comum pelos andinos e indicado aos turistas, a planta minimiza os impactos da altitude no organismo.

A dinâmica da vida dos habitantes pode ser conhecida pelas paradas nas vilas antiquíssimas. Casas de pedras se misturam às plantações sustentáveis no terreno pedregoso e clima frio.

Cânion do Colca - Peru

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
 


Repleto de riquezas arqueológicas, o Cânion do Colca ou Vale do Colca, é formado pela passagem do Rio Colca e fica a cerca de 150 quilômetros de Arequipa, no sul do Peru. A formação rochosa encontra seu ponto mais baixo a 4.160 metros de profundidade, o que o torna o mais profundo de todo o país. Quem visitar a região conhecerá a cultura preservada pelos descendentes dos povos pré-incas, que habitaram o vale há milhares de anos. As construções de pedras são o cenário para a observação do voo do maior pássaro da Terra, o condor-dos-andes, que cruzam o céu todas as manhãs.

O encanto fica a cargo da paisagem selvagem e intocada dos Andes. Para chegar ao cânion, é necessário atravessar duas áreas de proteção ambiental, a Reserva Nacional de Salinas e Aguada Branca. No meio do caminho, uma parada obrigatória no ponto mais alto do trajeto, que recebe anualmente mais de 150 mil visitantes, o Mirante de Patapampa, a 4.900 mil metros de altitude. Os passeios tradicionais oferecem o traslado de Arequipa até Colca, com passeio guiado pelo cânion e arredores, como os três vulcões que cercam o vale.

Vale esticar às fontes termais e suas piscinas quentinhas. Para os aventureiros, as encostas montanhosas e o Rio Colca são o território ideal para a prática de esportes radicais, como escalada e rafting.

 



* Estagiária sob a supervisão de Taís Braga

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