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Correio Braziliense ARTE

Registro de Cristo durante banquete sagrado é guardado na Itália

Segunda grande obra do artista, A última ceia retrata, com perspectiva perfeita, a reação dos apóstolos quando Jesus diz que um deles o trairá


postado em 09/05/2019 08:00 / atualizado em 08/05/2019 18:56

A obra, pintada em parede, resistiu a bombardeios durante a Segunda Grande Guerra(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
A obra, pintada em parede, resistiu a bombardeios durante a Segunda Grande Guerra (foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Na parede do refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, na Itália, está a segunda grande criação de Leonardo da Vinci, A última ceia. A obra retrata as reações dos apóstolos logo após Jesus anunciar que um deles irá traí-lo, segundo conta a Bíblia. E os discípulos perguntam: “Sou eu, Senhor?”. A pintura, com 4,6 metros de altura e quase 8,8m de largura, transmite a sensação de movimento e a dramaticidade daquele momento. O uso da perspectiva é tão perfeito que pode ser vista de lado ou de frente.

Iniciada em 1494, foi encomendada pelo duque oficial de Milão, Ludovico Sforza, e demorou três anos para ser concluída. Giorgio Vasari, um dos primeiros biógrafos de Da Vinci, conta que quando questionado pelo duque devido à demora na realização da obra, o artista explicou que, de vez em quando, é necessário ir devagar para que as ideias se tornem perfeitas. “Homens de intelecto elevado às vezes obtêm seus maiores avanços quando trabalham menos’’, disse.

A Igreja Santa Maria delle Grazie exibe a pintura em uma das suas paredes(foto: Luiz Fernando Campos/EM)
A Igreja Santa Maria delle Grazie exibe a pintura em uma das suas paredes (foto: Luiz Fernando Campos/EM)

Assim como a Mona Lisa, A última ceia tem suas polêmicas e mistérios. Uma delas seria o fato de que a figura à direita de Jesus não seria o apóstolo João, e sim Maria Madalena. Essa teoria serviu de pano de fundo para o best-seller O código da Vinci, do escritor britânico Dan Brown. Alguns estudiosos não concordam. Afirmam que era muito comum, à época, pintar os jovens com traços mais femininos. Outra polêmica estaria relacionada à figura de Jesus, que estaria inacabada, e da Vinci não teria se achado digno de terminá-la. Será?

Ao longo dos anos, A última ceia não tem tido uma vida fácil.  No uso da técnica, da Vinci fez uma escolha catastrófica (para os dias de hoje), ao optar por aplicar a tinta na superfície seca em vez de úmida, como era usual em pinturas de parede, o que acabou adiantando sua deterioração. Antes de sua morte, a obra já estava descascando. E se isso não bastasse, durante a Segunda Guerra, o convento foi bombardeado e quase todo destruído. Uma das poucas paredes que ficaram de pé foi justamente onde se encontra a pintura, que estava protegida por sacos de areia. Mas, com isso, a obra ficou exposta às ações do tempo por um longo período. No século 19, o refeitório serviu de estábulo para as tropas de Napoleão, ou seja, é quase um milagre a obra do artista ainda existir.

 

 

 

Mona Lisa está exposta no Museu do Louvre, em Paris, desde 1797(foto: Jean-Pierre Muller/AFP - 5/4/05 )
Mona Lisa está exposta no Museu do Louvre, em Paris, desde 1797 (foto: Jean-Pierre Muller/AFP - 5/4/05 )


Está na Cidade Luz o mais conhecido trabalho do gênio Leonardo: a famosa e misteriosa Mona Lisa, também conhecida como A Gioconda. Sem dúvida, o quadro mais famoso da história da arte. Nele, o artista utiliza sem parcimônia o sfumato, técnica que gera suaves graduações entre as tonalidades e borra as linhas dos contornos dos objetos — muito presente na maioria de seus quadros.

Embora o rosto da Mona Lisa seja um dos mais reproduzidos no mundo, ninguém sabe a identidade da modelo, o que se tornou um mistério que se arrasta por séculos. Alguns estudiosos afirmam que seria Lisa Del Giacondo, uma importante figura da sociedade de Florença, na Itália. Outros acreditam ser Isabel de Aragão, uma duquesa de Milão. A hipótese que mais gera discussão é a de que seria o próprio Leonardo da Vinci numa versão feminina.

O quadro, além de magnífico, é enigmático. Os olhos de Mona Lisa parecem seguir o observador. Se você fica parado em frente a ela, parece que ela está olhando na sua direção. Se você anda para a direita ou para a esquerda, é como se o olhar o acompanhasse. O sorriso também é um mistério. Quando o encaramos, ele desaparece. É o gênio e suas peripécias.

Mona Lisa está exposta no Museu do Louvre, em Paris, desde 1797(foto: Jean-Pierre Muller/AFP - 5/4/05 )
Mona Lisa está exposta no Museu do Louvre, em Paris, desde 1797 (foto: Jean-Pierre Muller/AFP - 5/4/05 )

Agora, pasme! Mona Lisa é considerada por seus principais biógrafos uma obra inacabada. Segundo Walter Isaacson, autor da última biografia de Da Vinci, o artista a iniciou em Florença, em 1503, e continuou trabalhando nela em Milão, em 1506. Levou a obra para Roma, onde viveu por três anos. Por último, na França, acrescentou algumas pinceladas. Quando morreu, em 2 de maio de 1519, o quadro foi encontrado em seu ateliê, em posição para mais retoques. Era o gênio em busca da inalcançável perfeição.

É de Kenneth Clark, escritor, diretor de museu do Reino Unido e um dos maiores historiadores de arte, morto em 1983, uma das melhores definições sobre o quadro: “Sua ciência, sua habilidade pictórica, sua obsessão com a natureza, seus insights psicológicos, todos esses elementos estão lá, equilibrados com tamanha perfeição que, à primeira vista, dificilmente os notamos”.

 

 

Para saber mais

 

 

Guardião das artes


(foto: Carlos Altman/EM)
(foto: Carlos Altman/EM)


Inaugurado no final do século 17, O Louvre é um dos museus mais famosos e visitados do mundo — anualmente, mais de 10 milhões de pessoas percorrem as suas galerias. O acervo impressiona, são mais de 380 mil objetos. Antes de se tornar museu, tinha sido, no século 12, uma fortaleza para proteger os franceses das invasões vikings. Depois, serviu de residência dos reis Carlos V e Felipe II. Em 1989, a construção de uma pirâmide de vidro e metal em uma de suas entradas gerou bastante controvérsia entre os franceses, já que se trata de uma obra moderna inserida na arquitetura clássica do museu. Hoje, a obra do arquiteto Ming Pei é uma das principais atrações do Louvre. Além da Mona Lisa, estão expostos no Louvre outros trabalhos de da Vinci, como os quadros Bacco, A anunciação, Retrato de mulher (La belle ferronière), São João Batista no deserto, Sant’Anna, A Virgem e o Menino Jesus com o cordeirinho,  Virgem das rochas, Retrato de Isabela d’Este, Estudos de figuras para a adoração dos Reis Magos.

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


O palácio do Louvre está localizado no centro de Paris, entre o Rio Sena e a Rua Rivole. Fica aberto todos os dias, com exceção de terça-feira, das 9h às 18h. As estações de metrô mais próximas são Palais Royal, Louvre-Rivoli e Pont-Neuf.

 

 

 

 

 

 

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