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Correio Braziliense NORDESTE

Muito além de praias. Conheça o Ceará que recebe os turistas com cafézinho

Um dos estados mais visitados por turistas todos os anos, o Ceará encanta com suas belas praias de águas azuis e mornas. O que poucos sabem é que lá também se pode mergulhar na história e aquecer o paladar na rota do café


postado em 24/05/2019 10:00 / atualizado em 22/05/2019 15:03

(foto: Wikipédia/Reprodução - 24/10/13 )
(foto: Wikipédia/Reprodução - 24/10/13 )


Que tal conhecer um lindo sítio com ares de casa de avós do interior, fogão de lenha e fazer um lanche com café quentinho, receitas caseiras de bolo e geleia e, de quebra, visitar uma plantação de café? Separe protetor solar, repelente e tênis e prepare-se para descobrir um Ceará que vai além das belas praias de Jericoacoara e Canoa Quebrada. Ainda pouco conhecida, a rota do café verde é um atrativo à parte para quem aposta no estado do Nordeste para descansar nas férias.

As descobertas são muitas. Já no caminho do Maciço de Baturité, que abriga 32.690 hectares de área de proteção ambiental, o turista vai conhecendo algumas lendas sobre a bebida e as histórias da serra. Também aprende que a região produz o chamado café sombreado, em uma prática caracterizada pelo baixo impacto ecológico e a alta produtividade. Os guias avisam que, em dias de sorte, o visitante pode avistar um periquito-cara-suja, espécie que já foi considerada extinta há alguns anos, mas que sobrevive na região.

“O que faz o nosso café diferente é a floresta, que interfere no gosto”, garante o produtor Francisco Uchoa. E quem sente o cheiro que toma conta do ambiente enquanto escuta a boa prosa não duvida. O simpático senhor é quem conduz os visitantes por uma trilha para ver as plantações de café no sítio Águas Finas. Mas só depois de oferecer um delicioso café feito na hora e servido com bolo, frutas e sucos e mostrar o equipamento que usa na produção. Ele conta como as plantações de café chegaram à região e explica que muitos detalhes devem ser observados para garantir o aroma e a acidez necessária para que a bebida seja considerada de safra especial.

 

A recepção tem histórias regadas a simpatia e a lanche gostoso, com bolo e geleia(foto: Juliana Cipriani/Estado de Minas)
A recepção tem histórias regadas a simpatia e a lanche gostoso, com bolo e geleia (foto: Juliana Cipriani/Estado de Minas)

 

Depois da aula sobre as fases de produção, o turista sai para uma caminhada onde passa pelos pés de café em meio às ingazeiras e aprende sobre as armadilhas contra as brocas, pragas que podem destruir uma plantação. Aberta pelo próprio Uchoa e sua equipe, a trilha é tranquila e pode ser feita até por crianças. Ao fim do percurso, acompanhado também por outros simpáticos funcionários do sítio, Uschoa prepara uma surpresa capaz de emocionar muitos visitantes.

Outro ponto alto da visita é a Fazenda São Luís, que fica no município de Pacoti. A recepção é com mais histórias regadas à simpatia típica do povo cearense e a lanche gostoso, que inclui bolo e geleia. A casa é de encher os olhos para quem gosta do clima de interior. Tem fogão de lenha, tacho de cobre, panelas de barro e um delicioso aroma de café. Na sala, um toca-discos antigo e uma biblioteca. A decoração também tem motivos religiosos. Na visita, os dois cachorros da casa dão o ar da graça. “Moro aqui e recebo os filhos toda semana. Temos todo o carinho de receber quem vem aqui como uma casa de avó”, diz dona Flávia.

Fazenda São Luís, um atrativo à parte para explorar cada canto do estado(foto: Janus Lonngren/Institutio São Luiz/Divulgação)
Fazenda São Luís, um atrativo à parte para explorar cada canto do estado (foto: Janus Lonngren/Institutio São Luiz/Divulgação)

O roteiro do café inclui um mosteiro dos Jesuítas, um complexo arquitetônico de 1927 que abriga o antigo Seminário Menor do Coração de Jesus e a Fazenda Caridade. E também lá se encontra o café de sombra, colhido, torrado e moído, cuja marca leva o nome de café do Mosteiro. Ainda na rota, o turista encontra um antiquário com galeria de arte e cafeteria erguida sobre os escombros de um antigo galpão do século 19, em Mulungu. Os visitantes são recebidos pelo casal Regina e Ronaldo.

Neste Ceará ainda pouco conhecido há cachoeiras e até um museu ferroviário, que dá um pouco da dimensão da importância econômica da região do Maciço de Baturité. Além da arquitetura do prédio inaugurado em 1882, há trilhos centenários, uma maria-fumaça e várias histórias. A rota do café fica a cerca de 100 quilômetros de Fortaleza e abrange os municípios de Guaramiranga, Mulungu, Pacoti e Baturité. Para quem quiser dedicar um pouco mais de tempo na experiência, há opções de hospedagem com pousadas, hotel e chalés.

Música e história

No Dragão do Mar, ponto de encontro das manifestações culturais: visitas guiadas pela arte(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 5/12/09)
No Dragão do Mar, ponto de encontro das manifestações culturais: visitas guiadas pela arte (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 5/12/09)


Quem gosta de conhecer a história local e está hospedado em Fortaleza há muitas opções culturais. A principal delas, que faz jus ao nome, é a peça Ceará Show, que ostenta o título de único espetáculo permanente do Brasil. Bem diferente das apresentações de humor que o turista encontra nas ruas e em alguns teatros, o turista vai encontrar um musical refinado, com atores de altíssima qualidade que esbanjam no palco a simpatia do cearense. O elenco tem até um cão ator.

“Nosso objetivo é tocar o público e transformar pessoas”, define o idealizador do musical que já está em cartaz há dois anos e meio, Fernando Cattony. A peça conta a história de um garoto que resolve fugir de casa em busca de um amor de infância. No caminho, ele conhece personagens históricos do Ceará, como o jangadeiro Francisco José do Nascimento, líder abolicionista que ficou conhecido como Dragão do Mar. Também “esbarra” com nomes como Jovina Feitosa, Padre Cícero, Iracema e Moacir e Seu Lunga.

Além do protagonista Moa, vivido pelo ator Lucas Cavalcanti, ganha destaque o cachorro Ayron, um border collie de 5 anos e meio contratado pela empresa Cão Elegante. No currículo, ele tem participação em vários trabalhos, como campanhas de vacinação da Prefeitura de Fortaleza. Apesar do sucesso, o cão não pode ser tietado, pois há todo um trabalho para que ele não se estresse — que inclui tempo específico de atuação e saída estratégica para evitar os fãs mais afobados.

Cordel

Outro atrativo para quem gosta de história é a banca do simpático senhor Jesus Rodrigues, conhecido como Poeta Sindeaux, no Mercado Central de Fortaleza. No espaço, que fica no primeiro andar, ele oferece os títulos mais variados de literatura de cordel, incluindo, claro, vários ‘causos’ da cultura nordestina, como a clássica história de Lampião e Maria Bonita. Mais de 100 poetas vendem seus livretos no espaço que ele administra há seis anos. Tem até um CD de literatura de cordel musicalizada.

Mas o motivo de um dos maiores orgulhos do poeta é o prêmio Patativa do Assaré, que ele ganhou em 2010 pelo livro As aventuras do valente Vicente Girão. “Não posso mais estudar, mas tenho bastante conhecimento, é vivendo e aprendendo. Sobre isso aqui, posso dizer que sou até um professor”, conta o vendedor, que não nega uma boa prosa a quem o procura.

Não só de boas histórias, porém, vive o mercado. Desde lembrancinhas como chaveiros, brinquedos e camisetas a bolsas, redes e roupas de cama, o espaço vende todo tipo de itens. Os produtos regionais como as castanhas,  as cachaças e doces com preços bem  bem camaradas são alguns dos principais atrativos do espaço, que é o maior mercado do Nordeste.

Ainda no roteiro fora das praias, o turista pode visitar o Centro Cultural Dragão do Mar, que contempla um museu de arte contemporânea e um de arte cearense, além de dois cinemas, anfiteatro e um teatro. O espaço que completa 20 anos em 2019 tem visitas guiadas para grupos de 10 pessoas e sempre conta com um educador presente para as explicações pedidas. O acesso é gratuito. (JC)

* Viagem a convite da Secretaria de Turismo do Estado do Ceará
 

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