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Correio Braziliense TUDO DE BOM

Nações são comprovadas como as mais animadoras do mundo

Pesquisa da ONU aponta os países mais felizes do mundo. Para quem busca lugares chamados "de bem com a vida", Finlândia, Dinamarca, Noruega, Islândia e Holanda são os destinos campeões


postado em 29/05/2019 16:43 / atualizado em 29/05/2019 16:42

“Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar.”
(Nilo Fausto e Moraes Moreira em Pão e poesia)

(foto: visitfinland.com/Divulgação)
(foto: visitfinland.com/Divulgação)

O que é ser feliz? Diversos filósofos estudaram e analisaram a felicidade. Para o grego Aristóteles, a felicidade diz respeito ao equilíbrio e à harmonia, praticando o bem; para o também grego Epicuro, a felicidade ocorre por meio da satisfação dos desejos; Pirro de Élis também acreditava que a felicidade era conquistada por meio da tranquilidade. Para o indiano Mahavira, a não violência era um importante aliado para atingir a felicidade plena; na China antiga, o filósofo Lao Tsé ensinava que a felicidade poderia ser atingida tendo como modelo a natureza. Anos depois, Confúcio definia a felicidade como fruto da harmonia entre as pessoas.

Desde 2012, a ONU publica o World Happiness Report (Relatório Anual da Felicidade) com o ranking dos países mais felizes do mundo. A Finlândia, pelo segundo ano consecutivo, mantém a liderança. Na sequência dessa lista, quatro países fazem parte do TOP 5 da felicidade: Dinamarca, Noruega, Islândia e Holanda.

A pesquisa leva em consideração dados globais de 156 países em sete variáveis: PIB, a assistência social, a expectativa de vida, a liberdade, a percepção de generosidade, a corrupção e a qualidade de vida dos imigrantes. O Brasil perdeu quatro posições, passando do 28º lugar para o 32º em relação à última edição. E o último da lista é o Sudão do Sul, um país devastado pela fome decorrente de uma guerra civil que dura cinco anos. Descubra qual a receita da felicidade nesses destinos nórdicos.


Finlândia
(foto: Sakari Viika/visitfinland/Divulgação )
(foto: Sakari Viika/visitfinland/Divulgação )

Quando se fala da Finlândia, no Norte da Europa, a primeira imagem em mente é a do Papai Noel e suas renas sobrevoando a região gelada da Lapônia. Depois, as luzes dançantes no balé frenético da aurora boreal. E, por fim, as famosas saunas finlandesas. Se o país da Escandinávia já era um destino esplêndido para uma visita, depois que foi eleito pelo segundo ano consecutivo o país mais feliz do mundo, de acordo com o relatório da ONU, torna-se muito mais atrativo. Desconhecido de muitos brasileiros que visitam a Europa todos os anos, o país com pouco mais de 5 milhões de habitantes e 190 mil lagos oferece geografia peculiar, além de belezas naturais em diferentes regiões e estações do ano.

No inverno, a região da Lapônia, no Norte da Finlândia, é a sensação por conta da famosa vila de Santa Claus/Papai Noel e suas famosas renas. Ela é habitada pelos lapões (samis), um povo seminômade que sobrevive principalmente da criação de renas e considerada a última civilização indígena da Europa.

Em meio à paisagens de neve inesquecíveis, os habitantes praticam snowboard e ski. De janeiro a março, é possível observar as lindas luzes dançantes da aurora boreal. No verão, depois que a neve derrete, as florestas verdes surgem e outras atividades podem ser praticadas, como caminhadas e rafting. Pela proximidade com o Polo Norte, há épocas em que o sol nunca se põe, fenômeno chamado Sol da meia-noite, com claridade 24 horas por dia. De junho a setembro, as temperaturas são mais amenas, variando de -5ºC a -10ºC.

Localizada no Mar Báltico, em uma península de litoral recortado com milhares de ilhas, muitos lagos, pântanos e rios, a Finlândia surpreende os turistas por suas florestas, que ocupam mais de 70% doterritório. É direito universal de cada cidadão finlandês que todos os habitantes possam visitar, passear e até dormir na floresta.

Arborizada, descolada e organizada, a capital finlandesa, Helsinque, com apenas 600 mil habitantes, é um daqueles destinos em que todo mundo quer morar. Com amplos espaços públicos, muitos parques e poucos carros nas ruas, a cidade é tranquila e segura. É do porto de Helsinque que saem os barcos para quem deseja conhecer a Fortaleza de Suomenlinna, tombada como patrimônio da humanidade pela Unesco em 1991.

O ancestral provérbio finlandês “primeiro construa a sauna e depois a casa” reflete a paixão dos finlandeses. Nos tempos antigos, o ambiente vaporizado era um local para cuidar da higiene pessoal, cozinhar, guardar coisas, dar à luz e, o mais importante, escapar do frio do inverno por alguns momentos. Acredita-se que hoje existem dois milhões de saunas em casas, prédios de apartamentos, empresas, escritórios do governo, piscinas de natação, chalés de verão, iates e bares.

Lá no país báltico está a sauna mais antiga do mundo, no fundo da Mina Pyhäsalmi e a Jätkänkämppä, em Kuopio — conhecida como a maior do mundo. Sem contar as saunas móveis instaladas em ônibus, trailers, tendas e cabines telefônicas.

A Finlândia também se destaca no cenário mundial pela excelência do sistema educacional — que é motivo de inveja de vários governos, inclusive de países ricos. Tem uma das menores taxas de mortalidade no mundo e corrupção é uma palavra desconhecida por seus habitantes.

Dinamarca
(foto: Angel Torres/Flickr)
(foto: Angel Torres/Flickr)

Há algo de saudável no reino da Dinamarca. Parafraseando a famosa fala de Hamlet, de Shakeaspere — “Há algo de podre no reino da Dinamarca” — o país da Escandinávia sempre esteve entre os Top 10 da lista do Relatório Anual da Felicidade. Com baixo índice de pobreza e educação igualitária para todos, este ano o país ocupa o segundo lugar de destino mais feliz do mundo. Em 2017, alçou o topo do relatório, publicado desde 2012.

Como essa pequena monarquia no Mar do Norte, com população de menos de 6 milhões de habitantes, que vive da agricultura e da tecnologia, com poucos dias de sol por ano, invadida e conquistada por outros povos incontáveis vezes, ocupada pelos nazistas durante quase toda a Segunda Guerra, pôde se estabilizar entre os primeiros países mais felizes do mundo?

Fácil! O país conseguiu conciliar alguns princípios do capitalismo moderno com outros de orientação mais socialista e alcançou o denominado estado do bem-estar social ao propor um país igualitário nas questões sociais, sem o abismo entre os mais ricos e os mais pobres. A criminalidade, os índices de violência e o analfabetismo são próximos de zero. O país investiu por anos em cultura e educação como forma de moldar o que hoje é o espelho almejado por povos do planeta como eticidade, integridade, responsabilidade, respeito às leis e aos demais cidadãos, amor ao trabalho, desejo de superação e pontualidade. E para matar qualquer brasileiro de inveja, a Dinamarca é o país com menor índice de corrupção do mundo.


Quem visita a capital, Copenhague — uma das mais belas cidades do mundo —, deslumbra-se com uma cidade organizada, com seus rios, suas praças e áreas verdes. Foi eleita a capital mais ecológica do planeta e uma das cidades com melhor qualidade de vida. Como em todo o país, Copenhague é uma cidade plana, por isso, o principal meio de transporte dos dinamarqueses é a bicicleta.

Copenhague lembra um lugar saído de um conto de fadas. Com castelos, reis e rainhas, cavalos brancos, barcos, parque de diversões, bicicletas, guarda real, casinhas coloridas e muita história para contar. O Centro, construído no século 17, ainda guarda o fosso de um velho forte. Um sistema de canais, construído dois séculos depois, quando foram derrubadas as muralhas de proteção, separa a antiga cidade dos subúrbios. Muitos parques formam um cinturão verde que começa no famoso Tivoli, passa pelo Jardim Botânico, pelos jardins do Palácio de Rosenborg até chegar ao Parque da Cidadela (Kastellet). O ar é puro. As águas são límpidas. O frio, intenso. E o ritmo de vida guarda um toque provinciano.

Sentada sobre uma pedra no cais de Langelinie, a escultura de uma sereia é o grande símbolo, não só de Copenhague, como de toda a Dinamarca. Todos conhecem a fábula da Pequena sereia, do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, sobre uma sereia que trocou sua cauda por pernas em nome do amor, mas teve de abrir mão da sua voz para a bruxa má do mar.

Reza a lenda que Carl Jacobsen, dono da cervejaria Carlsberg, ao assistir ao balé da fábula do escritor, no Teatro Real Dinamarquês, encomendou, em 1913, ao escultor Edward Eriksen uma estátua para materializar o conto e doá-la ao país. Conforme o folclore nórdico, as sereias são dotadas de poderes especiais, fazem profecias e são capazes de controlar as forças da natureza. Uma copia da estátua encontra-se no jardim do Museu Carlsberg, talvez, a sereia seja realmente dotada de magia, pois o empresário fez fortuna, e Copenhague provoca grande encantamento em quem por ela passa.

 

(foto: Turismo da Noruega )
(foto: Turismo da Noruega )

Em terceiro lugar no Relatório Anual da Felicidade, a Noruega é quase sinônimo de bacalhau, prato incorporado à nossa cultura graças aos portugueses, e um dos símbolos do país. Mas há muito o que se fazer no país nórdico, além de degustar essa deliciosa iguaria.

A Noruega chama a atenção pelas paisagens surreais, que oferecem diversas atividades no verão, ou por seu inverno, que encanta aqueles que apreciam o frio ou têm curiosidade pela neve. Para os adoradores de ambientes naturais, o país é inigualável. As regiões montanhosas, os fiordes formados pelos recuos das geleiras, as florestas e praias, os suntuosos rios e cachoeiras, assim como os 21 parques nacionais contribuem para deixar os cenários noruegueses entre os mais impressionantes do mundo.

Parte da imensa rede de fiordes do país nórdico, o Geirangerfjord integra a lista de patrimônios mundiais da Unesco. É uma obra da natureza, onde majestosos picos nevados, cascatas intocadas e campos verdejantes compõem a moldura de um cenário exuberante das águas de azul profundo.

A primavera no Hemisfério Norte é o momento perfeito para explorar a natureza desse país encantador. Os dias mais longos — o sol passa a nascer mais cedo e se pôr mais tarde —, cria o ambiente ideal para atividades ao ar livre, sejam elas um passeio de barco pelos fiordes, sejam uma escalada em geleira. As trilhas também são muito populares no destino, que oferece mirantes incríveis nas montanhas, como a Pulpit Rock ou a Trolltunga. Com as temperaturas mais altas e o degelo, voltam à vida várias cachoeiras e quedas d’água, que são belíssimas para observação ou para atividades como rafting e caiaque.

Uma das festividades mais importantes do país, em junho, ocorre no norte: o fenômeno do sol da meia-noite, que pode ser uma experiência incrível de viagem. A dica é visitar o Cabo Norte, que como o próprio nome sugere, é o ponto mais ao norte da Europa, onde é possível ver o sol quase encostando no horizonte e voltando a subir na madrugada. Durante esse período, ocorrem diversas festividades e eventos, como campeonatos de golfe ou a icônica Maratona do Sol da Meia-Noite na cidade de Tromso. Muitos festivais culturais, competições esportivas e eventos gastronômicos ocorrem por toda a Noruega durante a primavera, por isso sempre vale a pena conferir o calendário de eventos antes da viagem. A partir de outubro, os turistas podem apreciar a aurora boreal — um dos mais belos fenômenos da natureza, em que luzes dançantes nas cores branca, verde, amarela, rosa e violeta bailam nos céus.


Islândia

(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)
(foto: Wikimedia Commons/Divulgação)

Em 2011, quando o vulcão Eyjafjöll entrou em erupção e provocou um caos nas rotas internacionais no Mar do Norte, o mundo tomou conhecimento da existência de um pequeno país europeu. Situado no Círculo Polar Ártico e famoso por seus vulcões — são130 no total — e geleiras, a Islândia é o principal destino para quem busca vivenciar um destino com natureza peculiar, riachos de água quente e rocha vulcânica negra.

Ocupando o quarto lugar na lista da ONU, conhecida como a terra dos povos nórdicos, a Islândia tem paisagens que impressionam e surpreendem o olhar, além de uma cultura milenar, fundada na influência dos povos vikings e esquimós. O incrível fenômeno da aurora boreal é um dos maiores atrativos do país. A melhor época para vivenciar o espetáculo da dança das luzes e ver o céu pintado por cores brilhantes é de outubro a dezembro.

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )

A charmosa capital Reykjavík parece cenário de filme. No país do gelo, as cores das fachadas e dos telhados deixam a paisagem mais alegre. Além de ser um dos destinos mais seguros para mulheres, o International Women’s Travel Center apontou o país como um dos que têm as leis mais igualitárias do mundo, onde não há diferença entre gêneros.

Ao visitar a Islândia, passe um dia na Blue Lagoon (Lagoa Azul), na cidade de Grindavík, a 39 quilômetros da capital. Esse spa termal no meio do gelo, com águas naturais quentes, atrai visitantes não apenas pela beleza, mas por suas propriedades medicinais. Ao todo, são mais de 6 milhões de litros de água em uma temperatura de, aproximadamente, 40°C. Um paraíso na paisagem gelada.


Holanda

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )

Para fechar o Top 5 do Relatório Anual da Felicidade, a Holanda surpreende em todos os sentidos. Terra dos canais, dos moinhos de vento, das plantações de tulipas, onde se aprecia a arte de Van Gogh, Rembrandt e Vermeer e uma visita ao Museu Anne Frank — um dos destinos procurados da Europa.

Localizada no Mar do Norte, a Holanda é um dos países com melhor qualidade de vida do mundo. Sua forte política de assistência social e direitos considerados essenciais, como educação, saúde e segurança de qualidade, são garantidos a todos os seus habitantes.

Muitas cidades holandesas foram construídas em torno dos canais. Alkmaar Utrecht, Dordrecht, Leiden, Groningen, Leeuwarden e Amersfoort são cidades com paisagens caracterizadas por canais graciosos. Em Amsterdã, capital da Holanda, seus charmosos canais são reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Unesco.

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