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Correio Braziliense

Sob as nuvens ou na estrada, a ansiedade pode virar paz e descanso

Três quartos dos turistas relatam ter dificuldade para dormir em viagens. A mudança de ambiente e de fusos horários é uma das principais causas, mas há como driblar os efeitos do jet lag


postado em 05/06/2019 09:52

(foto: Pxhere/reprodução)
(foto: Pxhere/reprodução)


Enquanto alguns comemoram a chance de se esparramar nas espaçosas camas de hotel, outros tantos encaram como uma verdadeira tortura sair do aconchego de sua casa. A dificuldade de dormir em um ambiente estranho ao do cotidiano é um problema que acomete quatro a cada cinco viajantes. O percentual chega a 80%, conforme indica pesquisa encomendada pela IHG Hotels & Resorts, e as principais causas são o local diferente (44%), ruídos desconhecidos (35%) e trabalhar até mais tarde (35%). Em viagens mais longas, a complicação começa ainda nos ares. O barulho das turbinas, o ar condicionado que gela e resseca a nave, a movimentação dos demais passageiros e tripulação. Tudo parece contribuir para que as horas de voo sejam exaustivas.

Apesar de não ser o ambiente mais amigável do mundo, nem tudo está perdido. Seguindo as dicas que o Sistema de Informação e Autorização de Viagem da União Europeia (ETIAS) separou, é possível tornar o voo mais relaxante. Algumas medidas preventivas podem e devem auxiliar o passageiro a passar as horas entre as nuvens um tanto quanto mais brandas. As orientações também valem para quem for percorrer uma longa jornada sobre rodas ou trilhos. É interessante observar a paisagem pelas janelas, mas chegar ao seu destino com corpo e mente descansados é essencial para encarar os planos da viagem.

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%u201CPara ficar mais tranquila e pegar no sono mais rápido tanto no voo como no ônibus, eu também deixo preparada uma playlist com músicas calmas", conta Yasmin Oliveira. (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Primeiro, lembre-se de carregar seu casaco para proteger-se do ar condicionado e, também, o seu travesseiro e uma máscara para dormir. O segundo item parece desnecessário, mas o cheiro e a textura já conhecidos do seu travesseiro podem contribuir para que adormeça e a máscara guardará seus olhos das luzes da nave. Em segundo lugar, escolher o assento próximo à janela, assim você evitará ser incomodado por outros passageiros que desejem ir ao banheiro. A terceira dica é selecionar uma playlist com músicas ou sons relaxantes e usar fones de ouvidos que abafem os ruídos do avião. Por último,deixe o cinto visível, para que os comissários não precisem acordá-lo para verificar se está correto.

Acostumada a visitar a família no Maranhão, a jovem Yasmin Oliveira, 15 anos, precisa recorrer a medicamentos contra ânsia com efeito calmante. “Eu carrego minha almofada para dormir, porque sinto muito enjoo dentro do avião. Então, eu tomo um remédio e durmo. Costumo fazer esse trajeto de ônibus e durmo com maior facilidade na estrada, porque me sinto menos mal”. Além de viajar acompanhada do seu apoio de pescoço, a estudante conta que usa mais uma das dicas do ETIAS. “Para ficar mais tranquila e pegar no sono mais rápido tanto no voo como no ônibus, eu também deixo preparada uma playlist com músicas calmas. Assim, fica mais fácil descansar”, diz.

Tânia e Bruna à espera do voo para Natal. Primeira vez em voo, mãe diz estar nervosa,
Tânia e Bruna à espera do voo para Natal. Primeira vez em voo, mãe diz estar nervosa, "passo o percurso todo acordada, fico ansiosa", diz Tânia (à esquerda) (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Enquanto Yasmin faz literalmente o percurso de olhos fechados, Tânia de Matos está do outro lado da equação. Com destino a Natal, no Rio Grande do Norte, a dona de casa de 47 anos embarcou, ao lado da filha, em sua primeira viagem entre as nuvens e estava superansiosa pela experiência. “Mesmo em casa, eu tenho dificuldade para dormir. Quando viajo, tudo piora e eu não consigo nem mesmo cochilar. Eu moro na Bahia e venho com frequência de ônibus visitar a Bruna (filha), mas passo o percurso todo acordada, fico ansiosa”, confessa.

Com medo de ficar dependente de algum medicamento que auxilie o sono, Tânia diz preferir não interferir na natureza de seu metabolismo. “O único remédio que tomo e que até me ajuda a adormecer é contra ansiedade, mas não tenho coragem de tomar nada para dormir”. A filha, Bruna Matos, 26 anos, diz que dará à mãe um comprimido contra enjoo para prevenir qualquer complicação. “Minha mãe está nervosa, por ser a primeira vez que anda de avião, eu trouxe um remedinho para ela que vai acalmar também. Já para mim não precisa, estou acostumada, só consigo viajar de avião, porque sou cobradora e ando demais de ônibus, o dia inteiro. Nas férias, não dá”, brinca.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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