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Correio Braziliense TENNESSEE

Muito além de Hollywood, a cultura viva no sul dos Estados Unidos

De Martin Luther King a Elvis Presley, passando por B.B King, Memphis e Nashville, berço da música country, têm muito a oferecer aos turistas, que ainda aproveitam a culinária marcante da região


postado em 12/06/2019 15:00 / atualizado em 12/06/2019 16:13

(foto: Mayara de Oliveira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Mayara de Oliveira/Esp. CB/D.A Press)


Uma cidade aparentemente pacata. Sem grandes edifícios ou paisagens impressionantes. Geralmente, não está na lista de roteiros convencionais. Difícil de entender, já que nomes como Elvis Presley, Aretha Franklin, B.B King e Johnny Cash deixaram alguns legados por lá. O blues, soul e rock’n roll ainda ecoam pela região. A culinária sulista e a receptividade dos locais conquistam os turistas. Memphis, situada no sudeste de Tennessee, nos Estados Unidos, tem muito que oferecer aos curiososos e amantes da música.

Ao caminhar ou andar de patinetes eletrônicos espalhados em cada esquina, murais e grafites nas paredes dos edifícios chamam atenção. Muitos deles, com expressividade política.  E mesmo que não haja interesse pelo assunto, o ambiente desperta curiosidade. O Motel Lorraine é um deles. Foi na varanda desse hotel que Martin Luther King Jr. — considerado o maior líder negro dos EUA —-, foi assassinado há 51 anos.

O estabelecimento se tornou o National Civil Rights Museum após a morte de Luther King, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1964. É preservado até hoje o lugar do crime que conta toda a história da luta por igualdade nos EUA. O passeio começa de forma cronológica e interativa. Enquanto caminha pelo hotel, fala sobre a exploração dos escravos nas Américas; a abolição dos escravos e lutas dos negros por direitos civis iguais; apoio de artistas e influência da música nas manifestações. O tour termina com a visita ao quarto onde se hospedou o ativista.

Na frente do museu, está o edifício de onde o assassino atirou em Luther King. Lá, consta a narrativa da investigação policial sobre o caso, mas não crava o motivo do assassinato. Umas quatro horas são necessárias para realizar todo o passeio. Ao sair, se a fome apertar, vale bater ponto no restaurante Central BBQ, ao lado do museu.

O estabelecimento se destaca pelas suculentas e gigantes costelas de porco ao molho barbecue. Memphis é famosa pelos campeonatos de barbecue promovidos no mês de maio pelos americanos de várias regiões. Outra opção seria saborear ostras por apenas um dólar no Pearl’s Oyster House.

Para provar um café da manhã regional, é indispensável a ida ao Brother Juniper’s. O lugar é uma casa antiga e leva o nome do missionário que era responsável por preparar as refeições de São Francisco de Assis. Até hoje servem a dieta do santo, como omeletes e pães caseiros. O preço é bem acessível.

Graceland
(foto: Mayara de Oliveira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Mayara de Oliveira/Esp. CB/D.A Press)

Em Memphis também está Graceland — um espaço que mais parece uma cidade, onde Elvis Presley construiu a mansão dele. É um misto de santuário e parque de diversões para os fãs. O túmulo do astro está no ‘jardim da meditação’ de sua casa, ao lado dos pais e da avó. Muitos peregrinam até lá para deixar flores e agradecer o legado do músico. Para sustentar o lema “Elvis não morreu”, conservaram a casa praticamente do jeitinho que ele deixou há 42 anos. Os diversos carros e aviões seguem intactos.

O passeio disponibiliza ônibus no hall de entrada para chegar até a mansão do Rei. Tablets interativos também são fornecidos para guiar o tour. É possivel escutar o passeio em português e ver vídeos e fotos do Elvis e sua família pelo dispositivo enquanto visita cada compartimento da mansão.  Os quartos e toda a parte superior da casa ainda não estão abertos ao público.

Os compartimentos da mansão são temáticos e se diferem pelas cores e estilos. A ‘jungle room’, ou sala da selva, por exemplo, conta com grama sintética, várias plantas e móveis rústicos. Outro ambiente curioso é a sala de sinuca. Todo o teto e as paredes são forrados por um tecido colorido. Era onde Elvis se divertia com os amigos, bebiam e até estrapolavam nas brincadieiras: na mesa de bilhar, é possivel ver um rasgado provocado por disparos de uma arma.

O cantor reservou um espaço para ler e se informar. A sala tem um estilo futurista nas cores amarelo e azul, além de detalhes em espelho. Dizem que o astro ligava as três televisões do ambiente ao mesmo tempo em diferentes canais e passava horas ali dentro. Criou também um escritório onde recebia os presentes  e respondia todas as cartas enviadas pelos fãs. Recentemente a garagem da mansão foi aberta. Coleções de carros, como Cadillacs customizados, tratôs e barcos utilizados por Elvis na vida real e em filmes estão expostos em um dos vários galpões. Outros espaços contam mais sobre a incrível trajetória do artista. Há troféus, macacões usados em apresentações e de quando o artista serviu o exército, milhares de discos, guitarras e afins, além de homenagens e roupas criadas por outros famosos em referência ao rockeiro.

A morte do cantor ainda é uma polêmica: o tour explica que ele morreu de infarto no banheiro da sala de squash. Outros afirmam que o uso abusivo de drogas depois de sair do exército e uma depressão podem ter impulsionado o infarto. O passeio é caro, mas vale a pena. Umas cinco horas são necessárias para percorrer a ‘cidade’. Para saber mais sobre Graceland, acesse www.graceland.com.


Baele Street
(foto: Mayara de Oliveira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Mayara de Oliveira/Esp. CB/D.A Press)

A noite é uma atração  à parte no coração de Memphis. A rua Beale Street fica lotada e iluminada. Cada restaurante, loja ou pub faz pulsar a veia do blues, jazz e rock in roll predominante na cidade. Apresentações ao vivo encantam os amantes da música. É possível tomar uma cervejinha gelada tanto fora quanto dentro dos estabelecimentos. Como dica, vale passar pelo B.B. King’s Blues Club e o Rum Boogie Cafe. Nas lojas da rua, é possível encontrar souvenires, roupas e dezenas de objetos.

Um espetáculo para lá de curioso é possível ser visto no hotel Peadbody, perto da Beale Street, em Memphis. Patos adestrados descem de elevador e desfilam em um tapete vermelho no hall do hotel até uma fonte, assim como celebridades em Hollywood. Na fonte, aproveitam para se refrescar. O ritual se tornou um ponto turístico da região.

A tradição começou em 1930, quando um gerente do hotel saiu para caçar em Arkansas e voltou para o estabelecimento com os animais vivos. Dez anos depois, um treinador de animais de circo se ofereceu para domá-los e realizar o desfile visto até hoje.  Todos os dias os patos fazem o trajeto às 11h e às 17h. O passeio é gratuito e é um ótimo entretenimento para crianças e famílias curiosas.

 

Serviço

Como chegar

De avião

» Saindo de Brasília: R$ 3,5 mil (com conexão em Atlanta ou Toronto).
* Valor médio com buscas feitas cinco meses antes da viagem.

De carro
» Saindo de Chicago até Memphis, são 5 horas. São 150 dólares (R$ 600) de combustível ida e volta. Esse roteiro é válido para quem quer visitar Chicago primeiro e alugar um carro.
» Cinco dias são suficientes para conhecer os principais pontos turísticos.

Transporte na cidade   
» Bondinho que cruza a cidade por apenas um dólar.
» Charretes ou patinetes eletrônicos — basta encontrar algum no meio da rua e ativá-lo pelo aplicativo Bird — enjoy the ride. Os preços variam pela quantidade de horas que será usado o aparelho.


O que fazer

NBA em Memphis

» A cidade e o estádio lotam quando se trata de um jogo de basquete dos Memphis Grizzlies, equipe local. Fique de olho no calendário de jogos para assistir algum.

Passeio de barco no rio Mississippi
(memphisriverboats.net)
251 riverside drive, Memphis
» Faça um passeio de barco durante o pôr do sol no rio Mississippi, um dos maiores cursos de água dos Estados Unidos.


Visite

National Civil Rights Museum

(www.civilrightsmuseum.org)
450 Mulberry Street, Memphis
» Entrada: adulto 16 dólres (R$ 64); crianças 14 dólares (R$ 56)
» Aberto de 9h até 18h
» Fechado toda terça-feira

Pearl’s Oyster House
(www.pearlsoysterhouse.com)
29 South Main Street, Downtown, Memphis
» Pratos indicados: ‘Garlic Parmesan Oyster’ e ‘Stuffed Shrimp’
» Fotos e preços dos pratos podem ser vistos no site.

Graceland
(www.graceland.com)
3717 Elvis Presley Blvd. Memphis (10 minutos de downtown e três minutos do aeroporto de Memphis).
» Mergulhe na vida de um dos maiores astros dos EUA, Elvis Presley.
» Existem vários tipos de entrada:
» Visitar somente mansão — 41 dólares (R$ 164)
» Mansão + galpões com carros e afins — 61 dólares (R$ 244)
» Tour VIP — 174 dólares (R$ 700)
» Checar no site o que inclui cada pacote. Há valores diferenciados para crianças.

Sun Studio
(www.sunstudio.com)
706 Union Avenue, Memphis
» Foi nesse estúdio que Elvis Presley, Johnny Cash e Jerry Lee Lewis gravaram algumas de suas músicas. O museu também conta a história de nomes como B.B King, Howlin’Wolf e Ike Turner. Tudo sobre o blues, gospel, country e rock in roll ,é possivel encontrar lá.

Stax Museum
(www.soulsvilleusa.com)
926 E. McLemore Avenue, Memphis
» Saiba tudo sobre soul music. A história de Aretha Franklin, Tina Turner e outros nomes dessa vertente musical pode ser conferida nesse museu. Está a 10 minutos de Graceland.


Onde comer

Central BBQ  
    
(www.cbqmemphis.com)
2249 Central Avenue
» Prato indicado: Slab of Ribs (serve duas pessoas)
» Preço: 23 dólares (R$ 92)
» Mais pratos e preços no site.

Brother Juniper’s
(www.brotherjunipers.com)
3519 Walker Avenue – caminho para Graceland
» Prato indicato: omeletes.

Waffle House       
(www.wafflehouse.com)
» Outro excelente lugar para café da manhã. Existem vários estabelecimentos espalhados por Memphis, basta buscar algum próximo da sua localização.

B.B King’s Blues Club
(www.bbkings.com)
143 Beale Street, Memphis
» Noite com música ao vivo, blues e rock in roll.

Rum Boogie Cafe
(www.rumboogie.com)
182 Beale Street
» Lugar descontraído, com música ao vivo — blues, cerveja gelada e ótimo atendimento.

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