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Correio Braziliense

Gramado na dianteira do turismo sustentável

Pesquisa revela que o viajante brasileiro está à frente de turistas de países de primeiro mundo quando o assunto é preocupação com sustentabilidade no segmento de turismo


postado em 10/07/2019 10:45

(foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)

 

Gramado — Já pensou em se hospedar em um hotel ecológico? É uma ótima oportunidade para conhecer novos lugares, sem causar impactos ambientais e sociais aos destinos visitados. O hábito já é tendência entre os viajantes brasileiros. É o que demonstra uma pesquisa internacional realizada pela plataforma de viagens Booking.com. De acordo com os dados, o Brasil saiu na frente de países como Japão, França, Canadá, Estados Unidos, Itália e Espanha quando a preocupação é com o planeta e o futuro das próximas gerações.

O estudo concluiu que 72% dos viajantes nacionais acreditam que as pessoas devem se adaptar às mudanças e fazer escolhas mais sustentáveis de viagem. Além disso, 86% deles afirmam que teriam mais chances de reservar uma acomodação sabendo que ela segue práticas sustentáveis. “Em conferências internacionais, o Brasil é visto como um modelo a ser seguido. Sabemos que a indústria ainda tem muitos desafios para enfrentar, mas aos poucos a mudança está acontecendo”, ressalta o gerente de Comunicação da Booking.com para a América Latina, Luiz Cegato.

Tendo em vista que os turistas estão cada vez mais exigentes em busca de acomodações que zelam pelas formas conscientes de uso dos recursos naturais, empreendimentos hoteleiros estão adotando iniciativas sustentáveis, seja durante a construção, ou em suas operações. Os motivos para investir nesse posicionamento são diversos: reduzir custos, garantir espaço no nicho crescente de mercado e a real conscientização de fazer a sua parte pelo bem do planeta.

“Realizamos esta pesquisa há quatro anos e é motivador verificar que o viajante brasileiro está cada vez mais preocupado com a diminuição dos impactos causados por suas férias”, finaliza Cegato. Ao todo, 18.077 pessoas foram entrevistadas em 18 mercados. Desses, mais de 1 mil eram brasileiros. As demais eram do Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia Itália, Japão, México, Países Baixos, Coreia do Sul, Espanha, Taiwan, Reino Unido, Estados Unidos e Israel.

Sinal amarelo


Mas, apesar da boa intenção e da crescente conscientização, nem tudo são flores. O relatório  revela as barreiras mais comuns enfrentadas pelos viajantes ao tentar fazer escolhas sustentáveis. Eles (57%) alegam que poderiam escolher opções sustentáveis em maior número de vezes caso fossem oferecidos incentivos financeiros, como redução de impostos. Para 86% dos entrevistados, as empresas de turismo deveriam oferecer mais alternativas de viagens nesse seguimento.

A falta de informação também é apontada como um obstáculo. Os viajantes gostariam de ver a indústria do turismo compartilhar dicas sobre como ser mais sustentável durante a viagem (55%) e 66% dizem que, se souberem de alguma alternativa para compensar a pegada de carbono na sua acomodação durante as férias, vão aderir. 


Oportunidade

 

 

 

A Booking.com tem um programa de aceleração de startups dedicadas ao turismo sustentável, o Booking Booster. Pessoas de todas as partes do mundo que tenham um modelo de negócio sustentável inovador podem participar do processo seletivo. Os vencedores, além de receber uma ajuda financeira de 500 mil euros, participam de palestras, workshops e mentorias com especialistas e funcionários da plataforma de viagens.

 

Fala viajante 

97%

disseram estar dispostos a passar algum tempo praticando atividades que possam compensar o impacto ambiental da estadia;
 
81%
gostariam que o investimento na viagem possa, de alguma forma, ter um retorno direto para a comunidade local;

68%
estão cientes do que podem fazer para viajar de forma mais sustentável;

46%
estão dispostos a recolher plástico e lixo de uma praia ou de outro ponto turístico;

35%
dos brasileiros não sabem como tornar a viagem mais sustentável;

 

 

31% 
não conseguem arcar com os custos extras que uma viagem sustentável exige.

Fonte: Booking.com

 

 

Bandeira vede e ações conscientes  


No Bangalôs da Serra, práticas de preservação e acomodações ecologicamente corretas(foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)
No Bangalôs da Serra, práticas de preservação e acomodações ecologicamente corretas (foto: Minervino Júnior/CB/DA.Press)


Em Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, o turismo sustentável é uma realidade consolidada. A região é conhecida mundialmente e ocupa o segundo lugar no ranking dos principais destinos turísticos do Brasil. Anualmente, mais de seis milhões de pessoas passam por lá. Entre as atrações, sem falar nos chocolates, estão museus, lagos, parques temáticos como o Caracol, restaurantes, cervejarias, praças e as acomodações ecologicamente corretas. Grandes hotéis e pousadas adotaram práticas e instalaram sistemas de preservação a reaproveitamento de materiais.

No Hotel Bangalôs da Serra, entre as ações em prol do meio ambiente, estão a instalação de redutores de vazão de água e tanque de aproveitamento de água da chuva; uso de lâmpadas de led; lixeiras de coleta seletiva e compostagem; utilização de produtos de higienização e limpeza biodegradáveis. “Hoje, pode-se afirmar que cada vez mais os visitantes percebem as ações do hotel visando à sustentabilidade em seus três eixos: social, ambiental e econômico, valorizando e levando para suas casas os conceitos”, diz a proprietária do hotel, Marilu Kern.

Algumas práticas são naturais do empreendimento. É o caso da horta, do pomar e das árvores nativas, que fornecem produtos para o cardápio. Outras beneficiam a comunidade local e foram desenvolvidas ao longo dos anos. “Buscamos mão de obra qualificada. Sou parceira de uma escola pública da região e preparo os alunos para o mercado de trabalho. Além de promover a conscientização, ensino como funcionam as atividades do hotel”, explica Kern.

Na mesma linha, a Pousada Encantos da Terra apresenta excelentes resultados nas dimensões ambiental e sociocultural. “Conseguimos reduzir o consumo de água de 216,8 litros por hóspede/dia em 2010 para 168 litros em 2018, ou seja, uma redução de mais de 23 %. Os números comprovam nossa eficácia no controle e gerenciamento do consumo de água potável na pousada”, observa o dono, Mauro Salles. De acordo com os dados de uma cartilha da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o consumo médio em hotéis no Brasil está entre 250 e 350 litros por hóspede/dia.

Outra mudança positiva para os dois lados foi a instalação de aparelhos de ar-condicionado com tecnologia inverter quente/frio. O sistema consome pouca energia, utiliza gás ecológico e possui 12 tipos de filtros. “Com isso, desativamos nossa calefação (a diesel) e conseguimos reduzir o consumo de diesel em quase 60%”, comemora Salles.

Valorização da comunidade


Priorizar fornecedores locais e colaborar com artesãos de Canela e Gramado também são práticas adotadas pelas redes hoteleiras. Em todas as refeições oferecidas aos hóspedes, é fácil encontrar uma grande variedade de geleias, sucos, queijos e doces preparados com matéria-prima orgânica produzida na região. Fátima Marcon vive na zona rural e fornece saborosas geleias de uva, morango e amora para diversos estabelecimentos. Magno Perini aposta no cultivo de uvas e produz vinhos artesanais.

“Aliamos sustentabilidade a oportunidades. As atividades turísticas são integradas e, assim, exploramos tudo que temos de melhor na região”, destaca o dono do Hotel Blumenberg, Ditmar Bellmann. Para ele, o envolvimento com a comunidade é fundamental. Nos últimos seis anos, o hotel investiu cerca de R$ 400 mil reais em iniciativas que colaboram com o meio ambiente e apoiam projetos comunitários. (MJ)

* Todos os empreendimentos citados possuem certificações NBR 15.401 (norma específica para meios de hospedagem com critérios mínimos de desempenho).

O repórter viajou a convite da Booking.com

 

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